{"id":11543,"date":"2016-05-01T08:55:04","date_gmt":"2016-05-01T11:55:04","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=11543"},"modified":"2016-05-03T11:18:29","modified_gmt":"2016-05-03T14:18:29","slug":"leituras-de-domingo-jc-sebe-vamos-deixar-para-amanha-o-que-podemos-fazer-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/leituras-de-domingo-jc-sebe-vamos-deixar-para-amanha-o-que-podemos-fazer-hoje\/","title":{"rendered":"Leituras de Domingo &#8211; JC Sebe: Vamos deixar para amanh\u00e3 o que podemos fazer hoje?"},"content":{"rendered":"<p>Sei que a sabedoria popular recomenda \u201cn\u00e3o deixe para amanh\u00e3 o que pode fazer hoje\u201d, mas apendi que um quarto da humanidade age exatamente ao contr\u00e1rio, transferindo tarefas para depois. S\u00e3o os tecnicamente chamados \u201cprocrastinadores\u201d. H\u00e1 estudos cient\u00edficos sobre essa mat\u00e9ria, coisa s\u00e9ria mesmo, visto que al\u00e9m de afetar rela\u00e7\u00f5es e produ\u00e7\u00e3o de trabalho, incide na felicidade pessoal<!--more-->, perturbando o sonho, o bem-estar e principalmente a press\u00e3o arterial. Sei tamb\u00e9m de muitas pessoas que deixam tudo para a \u00faltima hora, mas d\u00e3o conta do recado, custe o que custar: noites de sono, n\u00e1usea, l\u00e1grimas, brigas. Outras existem que de t\u00e3o habituadas, precisam da tens\u00e3o final para produzir melhor e se viciam em suposta \u201cadrenalina\u201d, aquele barato que permite, depois de conclu\u00eddo o feito adiado, respirar satisfeito e dizer para si \u201ceu sabia que ia dar certo\u201d.<\/p>\n<p>Nossa cultura tem montanhas de dizeres que servem de indicativo de tal pr\u00e1tica: \u201cdepois eu fa\u00e7o\u201d, \u201cmanh\u00e3 eu consigo\u201d, \u201ccome\u00e7o na segunda-feira\u201d, \u201cap\u00f3s meu anivers\u00e1rio\u201d; \u201cvou esperar o feriado\u201d, \u201cno ano que vem\u201d. S\u00e3o exerc\u00edcios curiosos e trai\u00e7oeiros esses mecanismos que inventamos para postergar, muitas vezes at\u00e9 sem motivos aparentes. Outro dia li uma reportagem curiosa feita na Universidade de Bielefeld, Alemanha, que dizia que entre mais de 2.000 alunos, pelo menos a metade assumia tal atitude como normal e rotineira em suas vidas. Cerca de 800 deles chegaram a afirmar que n\u00e3o saberiam fazer de outra forma, ou seja apenas obedeciam aos hor\u00e1rios e prazos quando eram mandados por algu\u00e9m de fora, com autoridade, regras e puni\u00e7\u00f5es. Ouve-se dizer que que pessoas que sofrem de Transtornos Obsessivos Compulsivos (o conhecido TOC) ou aqueles que tem D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o procrastinadores cr\u00f4nicos. Com certeza pessoas que querem se livrar de adic\u00e7\u00f5es saber do que estou falando.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 universal, sem d\u00favidas, pois, em todos os quadrantes encontra-se pessoas que at\u00e9 sentem prazer em \u201cdeixar para outra hora\u201d, mas tamb\u00e9m existem dos que se portam de maneira cient\u00edfica e insistem em provar que h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas atuando no caso. Fala-se, por exemplo, de estudos que justificam a atitude procrastinadora identificando um conflito entre o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal do c\u00e9rebro e o sistema l\u00edmbico, ou seja, entre a \u00e1rea de tomada de decis\u00f5es e a que reconhece o prazer. Mas tamb\u00e9m existem estudos dizendo que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds culturalmente aberto a toler\u00e2ncia dos que deixam tudo para um certo amanh\u00e3. Antrop\u00f3logos nossos, inclusive acham que n\u00e3o se pode explicar a \u201cteria do jeitinho\u201d sem se referir ao costume t\u00e3o aproximado dos efeitos tropicais ou das ra\u00edzes lusitanas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11546\" title=\"06 Amanha eu faco\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/06-Amanha-eu-faco-450x281.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/06-Amanha-eu-faco-450x281.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/06-Amanha-eu-faco-300x187.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/06-Amanha-eu-faco.jpg 652w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Talvez sirva de consolo lembrar que h\u00e1 procrastinadores c\u00e9lebres e destacados em diversas \u00e1reas. Estudos da Universidade de Calgary, no Canad\u00e1, mostram entre os mais reputados pintores da Hist\u00f3ria alguns praticantes do adiamento. Leonardo Da Vinci, por exemplo, demorou quatro anos para concluir a Mona Lisa e s\u00f3 terminou a \u00daltima Ceia quando o mecenas resolveu cortar as verbas que o mantinham. O espanhol Diego Vel\u00e1squez n\u00e3o terminava suas obras e mantinha uma pequena legi\u00e3o de ajudantes capazes de dar fim em seus trabalhos. Ainda no campo da pintura cabe a d\u00favida se o fato de alguns modernistas deixarem parte da tela em branco seria uma atitude est\u00e9tica ou estaria inscrita no \u201cdepois eu acabo\u201d. Muito mais exc\u00eantrico teria sido o grande escritor Victor Hugo, autor do \u201cCorcunda de Notre Dame\u201d e \u201cOs miser\u00e1veis\u201d, que se despia e mandava os empregados esconderem suas roupas at\u00e9 que terminasse as tarefas planejadas.<\/p>\n<p>Pois bem, falei bastante do conceito, citei alguns exemplos de procrastina\u00e7\u00e3o, mas fugi do problema especular que me atormenta: serei eu um esp\u00e9cime desses? Como responder? Bem, deixe-me pensar e, talvez, mais tarde eu responda&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sei que a sabedoria popular recomenda \u201cn\u00e3o deixe para amanh\u00e3 o que pode fazer hoje\u201d, mas apendi que um quarto da humanidade age exatamente ao &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11544,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-11543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11543"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11549,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11543\/revisions\/11549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}