{"id":11393,"date":"2016-04-15T13:00:22","date_gmt":"2016-04-15T16:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=11393"},"modified":"2016-04-15T17:35:50","modified_gmt":"2016-04-15T20:35:50","slug":"coluna-do-sebe-origem-do-nome-da-boneca-emilia-de-monteiro-lobato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-origem-do-nome-da-boneca-emilia-de-monteiro-lobato\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe: Origem do nome da boneca Em\u00edlia de Monteiro Lobato"},"content":{"rendered":"<p>Eis que de repente me reponta uma pergunta perturbadora: de onde teria surgido o nome Em\u00edlia, dado \u00e0 boneca de pano feita pela Tia Nast\u00e1cia? Sim falo daquela \u201ccoisinha\u201d que foi feita com trapos velhos, olhos de bot\u00e3o, brinquedo da menina L\u00facia no S\u00edtio do Pica-pau-amarelo. Em pesquisa a respeito do tema, notei que tal preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o me \u00e9 exclusiva e que consta tamb\u00e9m de curiosidade j\u00e1 expressada em provocativo <a href=\"http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/cronicas\/443971\" target=\"_blank\">SITE<\/a> que aponta para algumas outras boas informa\u00e7\u00f5es. De toda forma, sabe-se que esta quest\u00e3o \u00e9 meramente especulativa, posto que em muitos casos os nomes de personagens fict\u00edcios n\u00e3o correspondem \u00e0s inten\u00e7\u00f5es pontuais, previamente estabelecidas.<!--more--><\/p>\n<p>Sei de ocorr\u00eancias, inclusive, em que se nomeiam personagens supondo efeitos sonoros, correspond\u00eancias hist\u00f3ricas, b\u00edblicas, mitol\u00f3gicas. Outros autores homenageiam familiares, amigos, personagens ilustres e santos. H\u00e1 tamb\u00e9m os que se vingam, delegando refer\u00eancias negativas transparecidas em personagens maus, desafetos.<\/p>\n<p>No caso de Monteiro Lobato, algumas sugest\u00f5es desafiam entendimentos. Pensando em Em\u00edlia, conv\u00e9m levar em conta sua \u201cgenealogia espont\u00e2nea\u201d, considerando inclusive que originalmente ela foi concebida como uma \u201cbruxinha\u201d, que, ali\u00e1s, nasceu muda, sem gra\u00e7a,desconjuntada,e que apenas come\u00e7ou a se expressar depois das famosas \u201cp\u00edlulas falantes\u201d, criadas pelo doutor Caramujo no Reino das \u00c1guas Claras. Este caso, diga-se, est\u00e1 registrado no livro\u00a0<em>A menina do narizinho arrebitado<\/em>,que, mais tarde, teve o t\u00edtulo mudado para <em>Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho<\/em>.Em\u00edlia, depois que come\u00e7ou a falar sem sessar \u2013 ela tagarelou por tr\u00eas horas seguidas a ponto de se pensar em faz\u00ea-la devolver a p\u00edlula ingerida \u2013, foi ganhando protagonismo a ponto de ser a figura central do S\u00edtio.<\/p>\n<p>Mas,quais alternativas ter\u00edamos ent\u00e3o para entender o nome daquela figura inquieta? A primeira que me ocorreu \u2013 sei de outras pessoas que tamb\u00e9m sustentam tal possibilidade \u2013 foi derivada da evoca\u00e7\u00e3o do mais prezado livro do enciclopedista franc\u00eas Jean Jacques Rousseau, escrito no s\u00e9culo XVIII. Significativamente intitulado <em>Em\u00edlio, ou da Educa\u00e7\u00e3o<\/em>, esse livro preside como um dos mais importantes libelos redigidos sobre a necessidade da educa\u00e7\u00e3o dos muito jovens. Nessa proposta narrada como \u201cromance de forma\u00e7\u00e3o\u201d\u00e9 retra\u00e7ada a trajet\u00f3ria de um menino educado, modelo de condi\u00e7\u00e3o civilizada. Rousseau, assim que se investiu do car\u00e1ter pedag\u00f3gico como virtude, elegeu a \u201cforma\u00e7\u00e3o sistematizada\u201d como mecanismo de disciplina do ser humano, modo ideal de viv\u00eancia em sociedade. \u00c9 exatamente o car\u00e1ter educativo e a cren\u00e7a no livro como estrat\u00e9gia de neutraliza\u00e7\u00e3o entre as pessoas e a sociedade, em particular no que tange a crian\u00e7a, que se permite pensar que a boneca Em\u00edlia se espelharia em Em\u00edlio. Seria, \u00e9 claro, uma figura engra\u00e7ada, suposta na linha de uma moderna pedagogia, escolar. \u00c9 l\u00f3gico que cabe distinguir as estripulias de Em\u00edlia do comportamento assentado do Em\u00edlio rousseauniano. De comum, no entanto, a no\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de aprender por meio de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_11397\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11397\" class=\"size-large wp-image-11397\" title=\"Uma das trupes que passaram pelo teatro do Parque do Itaim em Taubat\u00e9\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sitio-450x299.jpg\" alt=\"Uma das trupes que passaram pelo teatro do Parque do Itaim em Taubat\u00e9\" width=\"450\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sitio-450x299.jpg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sitio-300x199.jpg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/sitio.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-11397\" class=\"wp-caption-text\">Uma das trupes que passaram pelo teatro do Parque do Itaim em Taubat\u00e9<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contra vers\u00f5es t\u00e3o sofisticadas, n\u00e3o faltam aqueles que preferem dizer que a designa\u00e7\u00e3o Em\u00edlia decorre do contato da boneca com seu suposto bi\u00f3grafo, o Visconde de Sabugosa, que come\u00e7ou a escrever \u201cAs mem\u00f3rias de Em\u00edlia\u201d. Lembremos que o fatodele ser uma espiga de milho poderia aproximar Em\u00edlia, de milho. Refor\u00e7ando tal pressuposto, muitos advogam que ela tinha cabelo parecido com os sa\u00eddos das espigas, algo bem diverso das tiras de fitas criadas recentemente por programas televisivos.<\/p>\n<p>Na linhagem regional, existem alguns que defendem que Lobato teria simpatias por Dona Ana Em\u00edlia, representante de fam\u00edlia ilustre de Taubat\u00e9, os Oliveira Costa. Quantos fundamentam tal assertiva se apoiam inclusive na exist\u00eancia de um s\u00edtio dessa fam\u00edlia, nos arredores de Taubat\u00e9 e de l\u00e1 teria advindo a inspira\u00e7\u00e3o, inclusive para o S\u00edtio do Pica-pau amarelo.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, sabe-se da profunda admira\u00e7\u00e3o que Lobato tinha em rela\u00e7\u00e3o ao educador baiano, An\u00edsio Teixeira. Reza a lenda que a esposa do importante personagem da educa\u00e7\u00e3o brasileira seria uma pessoa que falava muito, alegre e sempre duvidando das coisas. Dona Em\u00edlia, ent\u00e3o, teria inspirado Lobato que, assim, renderia homenagem a An\u00edsio Teixeira.Alertando que Lobato e An\u00edsio Teixeira apenas teriam se conhecido nos Estados Unidos, a pesquisadora Glaucia Bastos duvida desse v\u00ednculo.<\/p>\n<p>C\u00e1 entre n\u00f3s, depois de considerar estas possibilidades, fico pensando na inutilidade da discuss\u00e3o. Certamente, Em\u00edlia estaria se divertindo com tantas alus\u00f5es in\u00fateis. E n\u00e3o \u00e9 que ela teria raz\u00f5es? Vamos deixar os \u201centretantos\u201d e voltemos \u00e0 leitura de Lobato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy,\u00a0meiconta63@hotmail.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis que de repente me reponta uma pergunta perturbadora: de onde teria surgido o nome Em\u00edlia, dado \u00e0 boneca de pano feita pela Tia Nast\u00e1cia? &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11394,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-11393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11393"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11406,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11393\/revisions\/11406"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}