{"id":11274,"date":"2016-04-07T17:49:06","date_gmt":"2016-04-07T20:49:06","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=11274"},"modified":"2016-04-07T17:49:07","modified_gmt":"2016-04-07T20:49:07","slug":"coluna-do-aquiles-mais-de-uma-hora-de-boa-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-aquiles-mais-de-uma-hora-de-boa-musica\/","title":{"rendered":"Coluna do Aquiles: Mais de uma hora de boa m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p><em>Daqui<\/em> (selo Pau Brasil), o mais recente CD do grupo instrumental Pau Brasil, tem exatos 65 minutos e 13 segundos divididos em dez faixas. Tocadas por Nelson Ayres (piano), Rodolfo Stroeter (contrabaixos ac\u00fastico e el\u00e9trico), Paulo Bellinati (viol\u00f5es), Teco Cardoso (saxofones soprano, alto e bar\u00edtono e flautas) e Ricardo Mosca (bateria), seus arranjos e suas virtuosidades atestam a excelente forma dos mo\u00e7os.<!--more--><\/p>\n<p>Hoje o som deles voltou a me balan\u00e7ar e a me alegrar. O repert\u00f3rio do \u00e1lbum atual traz as conhecidas \u201cPai\u201d (Baden Powell e Paulo C\u00e9sar Pinheiro), \u201cRancho Fundo\u201d (Ary Barroso e Lamartine Babo), \u201cAgora Eu Sei\u201d (Moacir Santos), \u201cSaudades do Brasil\u201d (Tom Jobim) e \u201cBachianas Brasileiras n\u00ba 1 \u2013 Prel\u00fadio (Modinha)\u201d, de Heitor Villa-Lobos, por\u00e9m os outros temas s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es dos pr\u00f3prios m\u00fasicos do Pau Brasil. Trata-se de um repert\u00f3rio relevante, que traz a marca de um grupo que desde o in\u00edcio dos anos 1980 instiga a brasilidade da m\u00fasica instrumental contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-11275\" title=\"Capa CD Pau Brasil (Daqui)\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capa-CD-Pau-Brasil-Daqui-300x270.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capa-CD-Pau-Brasil-Daqui-300x270.jpeg 300w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capa-CD-Pau-Brasil-Daqui-450x405.jpeg 450w, https:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Capa-CD-Pau-Brasil-Daqui.jpeg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No arranjo de Paulo Bellinati para \u201cPai\u201d, tambor e cincerro puxam a introdu\u00e7\u00e3o. O viol\u00e3o inocula sua pegada com o DNA de Baden. Tudo muito forte, viril mesmo. A introdu\u00e7\u00e3o prenuncia o que vir\u00e1. Os saxes v\u00eam aos poucos. O som grave do sax bar\u00edtono tem em si a potencialidade da harmonia. Juntos, os saxes e a percuss\u00e3o seguem firmes. O baixo cria um desenho a partir da melodia; o viol\u00e3o vem junto e sola. O suingue \u00e9 desconcertante. A m\u00fasica se mostra bela. Dois saxes trazem a melodia para si, o andamento muda, um <em>rallentando<\/em> os conduz a uma atmosfera em que brilham, mais uma vez, o tambor e o cincerro. A eles cabe um improviso, ao qual o baixo logo adere. Pausa de alguns compassos. Logo ap\u00f3s, o viol\u00e3o emerge com cita\u00e7\u00f5es de \u201cConsola\u00e7\u00e3o\u201d (samba cl\u00e1ssico de Baden e Vin\u00edcius) \u2013 alus\u00f5es que se repetir\u00e3o ao longo do belo arranjo. <em>Ad libitum<\/em>, o bar\u00edtono chama uma nota bem grave, enquanto a bateria cinge os pratos e o baixo acrescenta sua pisada \u00e0 melodia. O viol\u00e3o atrai o ritmo. Com ele vem a percuss\u00e3o. Aos poucos a suingueira volta a acender o ouvinte. Meu Deus! O viol\u00e3o sola um brilhante improviso, e, ap\u00f3s alguns compassos, volta a reverenciar \u201cConsola\u00e7\u00e3o\u201d. Uma nova pausa. Novamente arritmo, o improviso cabe ao sax. Piano e viol\u00e3o o fortalecem. A firmeza do tema d\u00e1 lugar \u00e0 leveza. O sax requer para si o improviso. Aos poucos o ritmo retoma o protagonismo no arranjo. Um novo corte e surge um outro desenho: o que j\u00e1 pontificou na primeira parte da m\u00fasica. A beleza desvenda tudo. O bar\u00edtono sola. Dois saxes tocam junto. E como um sonho bom que se repete, a percuss\u00e3o volta \u00e0 levada com a qual brilhou na introdu\u00e7\u00e3o&#8230; Deus do c\u00e9u!<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m de Bellinati o arranjo para o tema de Moacir Santos: o baixo toca a introdu\u00e7\u00e3o. O viol\u00e3o inicia a melodia. O sax vem junto. A marchinha segue em ritmo vivo. O viol\u00e3o improvisa. A bateria rufa a caixa. O piano sola. Todos seguem criando e fazendo o mundo girar mais lento, dando vida e cor \u00e0 manh\u00e3 paulistana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong><em>Aquiles Rique Reis<\/em><\/strong><em>, m\u00fasico e vocalista do MPB4<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daqui (selo Pau Brasil), o mais recente CD do grupo instrumental Pau Brasil, tem exatos 65 minutos e 13 segundos divididos em dez faixas. 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