{"id":10679,"date":"2016-03-31T17:42:28","date_gmt":"2016-03-31T20:42:28","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/?p=10679"},"modified":"2016-04-05T15:56:07","modified_gmt":"2016-04-05T18:56:07","slug":"coluna-do-sebe-de-quem-e-a-republica-brasileira-ou-politica-e-coisa-boa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/coluna-do-sebe-de-quem-e-a-republica-brasileira-ou-politica-e-coisa-boa-2\/","title":{"rendered":"Coluna do Sebe: De quem \u00e9 a Rep\u00fablica brasileira? Ou, pol\u00edtica \u00e9 coisa boa"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><strong><em>Para Luiz Fagnani<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Maniqueu\u00a0 foi seguidor do profeta persa Mani, ou Man\u00e9s, que j\u00e1 no s\u00e9culo III, na antiguidade persa, apregoava que o universo era composto de dois elementos fundamentais, conflitantes, e em eterna luta entre si: o\u00a0<em>bem<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>mal<\/em>. Da\u00ed, ali\u00e1s, surgiu o termo manique\u00edsta, e o manique\u00edsmo,presente em todas as l\u00ednguas ocidentais, virou sin\u00f4nimo da polariza\u00e7\u00e3o entre coisas certas ou erradas; belas ou feias; prazerosas ou n\u00e3o. Contraste perfeito, como preto X branco, os argumentos perderam tonalidades intermedi\u00e1rias e os extremos se justificariam no simplismo do sim ou n\u00e3o, do\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>n\u00e3o \u00e9<\/em>. E pronto. O curioso \u00e9 que este posicionamento acabou por ganhar sentido em diferentes culturas e at\u00e9 o presente se manifesta como um dos mais dif\u00edceis artif\u00edcios argumentativos do di\u00e1logo em qualquer situa\u00e7\u00e3o, p\u00fablica ou privada.<img decoding=\"async\" title=\"Mais...\" src=\"http:\/\/jornalcontato.com.br\/home\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/wordpress\/img\/trans.gif\" alt=\"\" \/><!--more--><\/p>\n<p>O Direito, por exemplo, demorou a tratar quest\u00f5es com \u201catenuantes\u201d e\/ou \u201cagravantes\u201d, pois tudo se encaminhava para um termo condenat\u00f3rio onde presidia o suposto da verdade X mentira. Neste processo de conflito latente, extremado e eterno, o equil\u00edbrio, a temperan\u00e7a e bom senso se viram sempre amea\u00e7ados e, pior, pass\u00edveis de toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O correr dos s\u00e9culos, principalmente depois da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII e do processo democratizante liderado pela Revolu\u00e7\u00e3o Norte-americana e Francesa \u2013 no Brasil tivemos um ensaio p\u00fablico dessa experi\u00eancia na chamada Inconfid\u00eancia Mineira em 1789 \u2013a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica foi desafiada.Como express\u00e3o da vontade do povo, o sistema pol\u00edtico passou a incluir a atua\u00e7\u00e3o popular como ess\u00eancia do conv\u00edvio social de qualquer estado democr\u00e1tico. Nessa montagem de sofisticada arquitetura pol\u00edtica, o sistema representativo se ergueu como solu\u00e7\u00e3o. O voto, pois, virou recurso (n\u00e3o gosto de usar a palavra \u201carma\u201d) para indicar programas que traduzem vontades expressivas. E dessa maneira, o verbo votar aquilatou o que de mais precioso temos no\u00a0<em>contrato social<\/em>.<\/p>\n<p>A vontade da maioria \u00e9 a express\u00e3o limite, confirmada, ali\u00e1s, pela sabedoria popular que reza que \u201ca voz do povo \u00e9 a voz de Deus\u201d. Nesse panorama, os partidos e pol\u00edticos devem expressar o ideal de entidades organizadas e dimensionar pol\u00edtica de uma coletividade. H\u00e1 magias nessa concep\u00e7\u00e3o, pois numa Rep\u00fablicaqualquer cidad\u00e3o pode exercer o direito de representatividade, basta se candidatar. E todos podemos.<\/p>\n<p>Precisei deste pre\u00e2mbulo para ferir o tema central pretendido: nossos pol\u00edticos s\u00e3o maus porque n\u00e3o soubemos escolhe-los. Num esquema pr\u00e9-estabelecido, em continuidade, temos que aprender a respeitar os acertos ou erros da coletividade.<\/p>\n<p>Por certo, h\u00e1 sutilezas pol\u00edticas presentes na fia\u00e7\u00e3o dos argumentos. \u00c9 a\u00ed que entra a Hist\u00f3ria como pr\u00e1tica da vida coletiva. Temos que conhec\u00ea-la para respeit\u00e1-la em suas implica\u00e7\u00f5es \u00edntimas.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, devemos reconhecer que nossa Rep\u00fablica foi proclamada por um golpe militar, ainda que tiv\u00e9ssemos um movimento republicano. A aus\u00eancia de sabedoria participativa tem levado ao longo dos anos a repetidas interven\u00e7\u00f5es militares que, afinal, dimensionam a apropria\u00e7\u00e3o que os militares fazem do processo pol\u00edtico nacional. Um ros\u00e1rio dessas intromiss\u00f5es tem atrapalhado, sobremaneira, o amadurecimento continuado do exerc\u00edcio livre da cidadania. A cada inger\u00eancia militar em nossa hist\u00f3ria, temos que come\u00e7ar tudo novamente, como se invent\u00e1ssemos a roda a cada rein\u00edcio. Talvez, o mais dram\u00e1tico sintoma desta constata\u00e7\u00e3o seja o absoluto descr\u00e9dito que temos dos pol\u00edticos e da pol\u00edtica. E isto, infelizmente tem idade e basta ler Machado de Assis, por exemplo, para notar a aproxima\u00e7\u00e3o de todos os pol\u00edticos \u00e0s roubalheiras, defesa de interesses mesquinhos, pessoais.<\/p>\n<p>Acima de tudo, felizmente, temos a Constitui\u00e7\u00e3o. Ela, diga-se, nos d\u00e1 a seguran\u00e7a do que podemos fazer, remete aos limites. Temos que aprender a obedi\u00eancia aos crit\u00e9rios do Estado de Direito, no enquadramento legal, em observ\u00e2ncia \u00e0 nossa trajet\u00f3ria. Ningu\u00e9m est\u00e1 acima da lei, nem presidentes, nem ju\u00edzes. \u00c9 a\u00ed que entra a quest\u00e3o dos entendimentos.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica existe nas express\u00f5es comungadas de justi\u00e7a e vontade popular, segundo preceitos constitucionais. Os conflitos, ironicamente, s\u00e3o bem-vindos, mas precisam superar simplismos manique\u00edstas e debates acalorados sem argumentos hist\u00f3ricos ou constitucionais. N\u00e3o \u00e9 na porrada que vamos nos entender. Assumir pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 falar mal, fazer piada, ficar na gritando \u201cj\u00e1 ganhou\u201d ou \u201cj\u00e1 perdeu\u201d. A pol\u00edtica saud\u00e1vel \u00e9 aquela que exerce a cr\u00edtica com argumentos hist\u00f3ricos e que, ganhe ou perca, tem em vista o di\u00e1logo cab\u00edvel nos limites do entendimento da boa pol\u00edtica. A pol\u00edtica \u00e9 um bom lugar, pensemos nisto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por Jos\u00e9 Carlos Sebe Bom Meihy,\u00a0meiconta63@hotmail.com<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Luiz Fagnani Maniqueu\u00a0 foi seguidor do profeta persa Mani, ou Man\u00e9s, que j\u00e1 no s\u00e9culo III, na antiguidade persa, apregoava que o universo era &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,36],"tags":[],"class_list":["post-10679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-lazer-e-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10679"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10870,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10679\/revisions\/10870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalcontato.com.br\/home\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}