EE
Mário Cardoso Franco
Feitos os registros fotográficos
- uma quadra poli-esportiva inacabada e abandonada, paredes descascadas,
com sinais de massa corrida, mas sem receber demão de tinta,
entulhos amontoados e espalhados, monte de arei a servindo de
sanitário para cães e gatos - solicitamos informações
junto à administração da escola.
Nilo Squarcini, educador concursado,
recebeu a reportagem, apesar da ausência da diretora Araci.
Muito solícito, informou que há cerca de um ano
foi iniciada a reforma pela empresa Charvenco, de Santo André,
que teria vencido a licitação feita pela prefeitura.
Porque a prefeitura se a escola é estadual? Por causa de
um convênio assinado para tocar o PAC. Mas o que o governo
federal tem com isso? Nada. A sigla PAC foi criada em outubro
de 2005 e significa Programa Educação de Ação
Cooperativa Estado – Município para Construções
Escolares. (leia mais no box abaixo e confira as fotos). Insistiu
para que a reportagem procurasse a diretora após as 18
horas. Porém, as fotos e as informações colhidas
já eram suficientes.
EE Roque Castro Rei
O excesso de zelo de dona
Jalma, da vice-diretora, da unidade, quase prejudica a própria
escola. A professora, no melhor estilo da ditadura, simplesmente
se recusou a dar qualquer informação. “Temos
de seguir os procedimentos: um pedido do jornal à escola
que faria um ofício à Diretoria Regional de Ensino
que agendaria uma data”, sabe-se lá para quando.
Além disso, ameaçou de entrar com uma representação
contra o Jornal caso ela fosse citada. Só reduziu sua ira
quando foi questionada se era esse tipo de transparência
que se ensinava naquela escola.
Nossa reportagem já
sabia que dona Jalma é muito afinada com a maioria da direção
da Apeoesp, sindicato que congrega professores da rede oficial
de ensino do estado. Trata-se do mesmo grupo conhecido como um
dos braços sindicais do PT, a Articulação
Sindical. Curiosamente, da mesma tendência que acaba de
anunciar a aliança do Partido dos Trabalhadores com os
inquilinos do Palácio Bom Conselho, sob a batuta do engenheiro
Roberto Peixoto.
Felizmente, a sensatez de
Juraci Sabatino, diretora da escola, se fez prevalecer. Uma troca
de telefonemas resultou em um convite prontamente aceito para
nossa reportagem visitar a escola na manhã seguinte. Muito
franca, Sabatino relatou todo o drama vivido com o abandono da
reforma pela mesma empresa de Santo André, a Charvenco.
A quadra coberta encontra-se sem piso e sem acabamento, o muro
quebrado para permitir a entrada de caminhão encontra-se
derrubado e cercado de mato. E, tal qual a escola da Cidade de
Deus, a Castro Reis exibe pinturas inacabadas.
Sabatino conta que, apesar
do PAC, o que tem impedido uma maior deterioração
são a iniciativa da Secretaria de Educação
e a compreensão e a solidariedade de pais e professores.
“O campo de areia foi construídos pelos pais em um
mutirão realizado num fim de semana”, relata a diretora
que conclui: “Nós não sabemos o que acontece.
E a prefeitura não nos informa e não temos idéia
de quando a reforma será retomada. Para a Feira de Ciências
e Profissões que começou no dia 9, a Secretaria
autorizou a colocação de vidros nas janelas e a
aquisição de portas novas”.
O que motiva essas professoras
nessa labuta inglória? “A alegria de ver alguns alunos
nossos aprovados em Universidades Federais”, confessa emocionada
a diretora que fez questão de acompanhar pessoalmente nossa
reportagem por todas as instalações da escola.
Prefeitura
O diretor do DOP, engenheiro
Gerson Araújo, informou que a Charvenco faliu e que a legislação
exige que sejam chamadas as demais empresas, pela ordem estabelecida
pela licitação, para concluir a obra pelo mesmo
preço da vencedora. “Isso tem dificultado. Mas se
não aparecer nenhuma empresa interessadas teremos de fazer
uma nova licitação”, conta Araújo,
que acrescenta: “o problema agora é jurídico
e o processo encontra-se com (Luis Rodolfo) Cabral, no departamento
Jurídico”. Araújo informao também que
os editais de licitação são publicados no
Diário Oficial do Estado e as empresas que se inscrevem
são, quase sempre, conhecidas dos órgãos
públicos estaduais.
A solicitação
feita à Assessoria de Comunicação para que
nossa reportagem pudesse ouvir a diretor Jurídico não
obteve resposta até o fechamento dessa edição.
Na internet não qualquer
indício sobre alguma empresa chamada Charvenco.
PAC tucano
Há
exatos dois anos, era assinado o convênio denominado PAC
(mesma sigla que seria utilizada pelo governo federal em 2007)
- Programa Educação de Ação Cooperativa
Estado – Município para Construções
Escolares, para investir cerca 100 milhões na construção
e reforma de escolas em 196 municípios, e gerar algo em
torno de 25 mil novas vagas. Taubaté é um desses
municípios.
O
PAC visa contribuir para a expansão e melhoria do ensino,
dar a todas as crianças condições reais de
acesso à escola, e garantir a permanência e a progressão
dos alunos. Segundo a Secretaria de Educação, “do
ponto de vista estrutural, a meta é executar a construção,
ampliação, reformas ou adequações
de prédios escolares nos municípios conveniados,
em escolas municipais e estaduais”. Ele é o resultado
de Fóruns Regionais – Governo Educador, realizados
a partir de abril de 2005 em todas as regiões Administrativas
do ESP. “As demandas apresentadas pelos prefeitos foram
decisivas para definir a prioridade no atendimento dos municípios”,
informa a Secretaria da Educação.
Cada
ator tem um papel
Ao
Governo do Estado cabe definir e destinar recursos financeiros
para a execução do convênio, e prestar orientação
normativa para área técnico-administrativa. Já
a FDE – Fundação para o Desenvolvimento da
Educação -, ligada à Secretaria, gerencia
a execução do convênio, faz a análise
técnica e avalia os custos para cada tipo de intervenção.
Os municípios parceiros devem administrar os recursos financeiros
vindos do Estado, criar instrumentos legais para viabilizar programa,
elaborar projetos e planilhas orçamentárias, abrir
processos licitatórios, permitir a vistoria de técnicos
da FDE, e disponibilizar o pessoal necessário para as ações
previstas.
Placa de inauguração em 1978 quando Waldomiro
de Carvalho era prefeito