A
empresa de engenharia ambiental Resitec passará a cobrar
pelo despejo de entulho em sua planta. Há seis meses o
resíduo é depositado no local para nivelamento do
terreno onde serão construídas as instalações
da unidade. O negócio irá funcionar em uma área
de 24 mil metros quadrados Distrito Industrial do bairro do Una.
O terreno foi doado pela Prefeitura de Taubaté, em 2003,
pelo então prefeito Bernardo Ortiz (PSDB), com a aprovação
da Câmara.
Na semana passada, o diretor
da Resitec, Paulo Tobiezi, despachou uma circular comunicando
aos caçambeiros o início da cobrança de taxa.
Eles foram convocados para discutir a forma contratual. Tobiezi
justificou que a medida é necessária para cobrir
gastos com mão-de-obra, monitoramento da qualidade do resíduo,
análise de água subterrânea e drenagem de
águas pluviais.
A cobrança pelo despejo
de entulho que deveria ter sido iniciada no dia 1º de agosto,
passará a vigorar no dia 15 de agosto. A mudança
foi provocada pela presença da reportagem de CONTATO no
local. A empresa pretende cobrar R$ 5,00 por metro cúbico
ali despejado. Tobiezi argumenta que o valor é inferior
ao praticado pelos aterros sanitários, que cobram cerca
de R$ 45,00 o metro cúbico de lixo. Cerca de 50 metros
cúbicos do material são depositados no local diariamente
– a estimativa é de que sejam arrecadados, em média,
R$ 7.500 mensais pelo despejo do entulho.
A
medida gerou insatisfação entre os caçambeiros
que depositavam o entulho no local gratuitamente (veja texto nesta
página). Segundo Tobiezi, antes de ser destinado ao aterro,
o lixo era deposito em pontos de descarga clandestinos. Cerca
de 120 foram localizados em Taubaté. “O propósito
é solucionar o problema e não gerar outros. Quem
coloca entulho em área irregular não sou eu”,
argumenta.
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Dia
da cobrança
Clima tenso. Essa é
a melhor forma de descrever o ambiente na porta da área
de propriedade da empresa Resitec, no Distrito do Una, na manhã
do dia primeiro de agosto.
CONTATO esteve no local e
observou a dúvida que assolou dois caçambeiros que,
por volta das 9h 30, pararam seus caminhões na porta da
área e não sabiam se estavam autorizados ou não
a entrar na área para despejar o entulho. Tudo disso devido
ao comunicado destinado “Aos Usuários do Aterro de
Resíduos Sólidos da Construção Civil
Distrito do Una”, com data de 2 de julho, assinado pelo
proprietário da empresa, Paulo Tobiezi. Mas os caçambeiros
foram salvos pela única imprensa que estava presente e
inibiu a cobrança.
Diante da presença
do repórter de CONTATO, idas e vindas de automóveis
de funcionários da Resitec culminaram com a liberação
da cobrança anunciada através de uma circular no
início de julho, assinada por Tobiese.
O fato foi confirmado por
um quarto caçambeiro que despejou o entulho e, na hora
de ir embora, foi abordado pela reportagem. Sem saber que estava
falando com CONTATO, ele afirmou: “eles [Resitec] queriam
cobrar, mas parece que um jornal veio aí e deu uma prensa
nos caras.”
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