Resitec irá taxar
despejo de entulho

Medida gerou insatisfação dos caçambeiros, que depositavam o material gratuitamente no terreno. Cerca de 50 metros cúbicos eram despejados por dia. O diretor da empresa justifica que cobrança é para cobrir gastos com mão de obra e monitoramento da qualidade do resíduo

Por Roberta de Medeiros


Caminhões despejam entulhos na manhã do dia 1º de agosto, trata-se de um terreno inclinado
que está se tornando plano devido aos entulhos ali depositados

      A empresa de engenharia ambiental Resitec passará a cobrar pelo despejo de entulho em sua planta. Há seis meses o resíduo é depositado no local para nivelamento do terreno onde serão construídas as instalações da unidade. O negócio irá funcionar em uma área de 24 mil metros quadrados Distrito Industrial do bairro do Una. O terreno foi doado pela Prefeitura de Taubaté, em 2003, pelo então prefeito Bernardo Ortiz (PSDB), com a aprovação da Câmara.
      Na semana passada, o diretor da Resitec, Paulo Tobiezi, despachou uma circular comunicando aos caçambeiros o início da cobrança de taxa. Eles foram convocados para discutir a forma contratual. Tobiezi justificou que a medida é necessária para cobrir gastos com mão-de-obra, monitoramento da qualidade do resíduo, análise de água subterrânea e drenagem de águas pluviais.
      A cobrança pelo despejo de entulho que deveria ter sido iniciada no dia 1º de agosto, passará a vigorar no dia 15 de agosto. A mudança foi provocada pela presença da reportagem de CONTATO no local. A empresa pretende cobrar R$ 5,00 por metro cúbico ali despejado. Tobiezi argumenta que o valor é inferior ao praticado pelos aterros sanitários, que cobram cerca de R$ 45,00 o metro cúbico de lixo. Cerca de 50 metros cúbicos do material são depositados no local diariamente – a estimativa é de que sejam arrecadados, em média, R$ 7.500 mensais pelo despejo do entulho.
      A medida gerou insatisfação entre os caçambeiros que depositavam o entulho no local gratuitamente (veja texto nesta página). Segundo Tobiezi, antes de ser destinado ao aterro, o lixo era deposito em pontos de descarga clandestinos. Cerca de 120 foram localizados em Taubaté. “O propósito é solucionar o problema e não gerar outros. Quem coloca entulho em área irregular não sou eu”, argumenta.

 

Dia da cobrança
      Clima tenso. Essa é a melhor forma de descrever o ambiente na porta da área de propriedade da empresa Resitec, no Distrito do Una, na manhã do dia primeiro de agosto.
      CONTATO esteve no local e observou a dúvida que assolou dois caçambeiros que, por volta das 9h 30, pararam seus caminhões na porta da área e não sabiam se estavam autorizados ou não a entrar na área para despejar o entulho. Tudo disso devido ao comunicado destinado “Aos Usuários do Aterro de Resíduos Sólidos da Construção Civil Distrito do Una”, com data de 2 de julho, assinado pelo proprietário da empresa, Paulo Tobiezi. Mas os caçambeiros foram salvos pela única imprensa que estava presente e inibiu a cobrança.
      Diante da presença do repórter de CONTATO, idas e vindas de automóveis de funcionários da Resitec culminaram com a liberação da cobrança anunciada através de uma circular no início de julho, assinada por Tobiese.
      O fato foi confirmado por um quarto caçambeiro que despejou o entulho e, na hora de ir embora, foi abordado pela reportagem. Sem saber que estava falando com CONTATO, ele afirmou: “eles [Resitec] queriam cobrar, mas parece que um jornal veio aí e deu uma prensa nos caras.”