Na
sexta-feira, 13, uma data cabalística, Lula descobriu que
a multidão pode ter sentimentos próprios. Ele foi
vaiado por seis vezes seguidas por cerca de 90 mil pessoas que
lotavam o Maracanã na abertura do Pan 2007. Lula nunca
leu Nelson Rodrigues, o escritor maldito que provocou insônia
em guerrilheiros e militares durante a ditadura, em padres carolas
e padres de passeata, em mulheres bem e mal casadas, em sindicalistas
autênticos e pelegos. Mas, depois daquele fim de tarde ele
começou a entendê-lo.
No dia seguinte, por exemplo, o jornal
O Globo foi buscar no mesmo Nelson Rodrigues uma explicação
para o fato. “O Maracanã vaia até um minuto
de silêncio” estampou em uma de suas manchetes, uma
frase do escritor. Outros veículos e analistas de plantão
saíram na mesma linha e desenterraram do mesmo autor que
“o Maracanã vaia até mulher nua”.
Num descabido ato de desagravo, o Comitê
Olímpico Brasileiro publicou na terça-feira, 17,
nos principais jornais do país um quarto de página
agradecendo Lula pela realização do Pan 2007. Quanto
será que custou esse ato explícito de puxa-saquismo
que poderia ter sido solucionado por um bom e velho estafeta,
ou um jovem moto boy? Que pena que Nelson Rodrigues não
esteja entre nós!!
E o que Nelson escreveria quando soubesse
que no Partido dos Trabalhadores prevalece a versão conspiratória
de que não passou de uma grande armação patrocinada
por César Maia, prefeito do Rio de Janeiro e dirigente
do DEM, ex-PFL. E as canetas alugadas pelo PT?
Deputado Dr Rosinha (PT-PR), segundo Tales
de Faria, um desses escribas a serviço do petismo desvirtuado,
no dia seguinte distribuiu email no qual afirma que “Vaia
a Lula foi ‘ensaiada’ na véspera da abertura
do Pan”. E como prova, cita um vídeo que ninguém
viu de um ensaio de voluntários na quarta-feira, 11, onde
apareceria a vaia sendo ensaiada. E para reforçar sua tese,
o deputado “lista indícios de que César Maia
(DEM) tenha produzido um ‘factóide grave’ contra
Lula”. Um deles seria um “decreto do prefeito do Rio
[que] abona falta de servidores que são voluntários
do Pan-2007”.
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Outra
grande prova: “conforme matéria publicada na última
sexta-feira, 13, pelo jornal “O Dia”, a Prefeitura
do Rio de Janeiro estaria “distribuindo” nada menos
que 100 mil ingressos para os jogos do Pan”. Alguém
é capaz de imaginar a confusão que dezenas de milhares
de pessoas com ingresso na mão provocariam na porta do
Maracanã lotado? Mais impossível imaginar que todos
os presentes na abertura do Pan 2007, sem exceção,
tivessem sido convidados pelo prefeito César Maia. Me poupem!!
Mauro Carrara, outro misterioso escriba
petista, relata que “saiu tudo conforme o planejado. O operário
Luiz Inácio Lula da Silva foi vaiado e passou pelo maior
constrangimento público de seus quatro anos e meio na presidência.
A solenidade de abertura dos jogos Panamericanos seguiu à
risca o roteiro definido pelo “comando central”, o
mesmo que controla toda a campanha de mídia contra o Governo
Federal”. Carrara elenca 14 indícios que comprovariam
a armação promovida por César Maia.
Esses cidadãos, que provavelmente
nunca leram Nelson Rodrigues, apesar da belíssima homenagem
a ele prestada na 5ª FLIP, em Paraty, poderiam ao mesmo copiar
a sutileza servil de O Globo. E utilizar o escritor maldito para
colocar o público que lotava o Maracanã abaixo de
pó-de-traque, para não falar daquilo da cobra.
Imaginem quantas conspirações esses imbecis descobrirão
para explicar o apagão aéreo que provocou a maior
tragédia aérea na história do Brasil. Infelizmente,
não se fazem mais escritores malditos como antigamente.
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