Sindicato dos Metalúrgicos

CUT vence eleição por antecipação

Por Marcos Limão

 


     Apesar de uma campanha eleitoral marcada por mistérios, atentados e acusações sem provas, o primeiro turno das eleições para o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté deu a vitória antecipada à situação, representada pela Chapa 1, ligada à CUT.
     A Chapa 2, ligada à Conlutas - Coordenação Nacional de Lutas - não conseguiu obter número de votos suficientes para participar do segundo turno, como manda o novo Estatuto da entidade. Mesmo assim, a oposição vai ter seu espaço no Comitê Sindical da Volkswagen para representar os trabalhadores.

Novidades

     A eleição para o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté trouxe mudanças importantes. A primeira foi no modelo eleitoral. O novo processo implantado em Taubaté é o mesmo utilizado nos Sindicatos do ABC, de Sorocaba e de Salto e transforma a eleição em dois turnos. No primeiro turno, são eleitos os representantes para os Comitês Sindicais das Empresas. No segundo, referenda-se a Diretoria Executiva e o Conselho Financeiro.
     Além dos dois turnos, o modelo implantado em Taubaté pode trazer mais democracia para dentro do Sindicato, uma vez que permite que a oposição faça parte da diretoria, proporcionalmente aos votos obtidos.
     Outra mudança foi no tempo de mandato da diretoria eleita. Quem ganhar a eleição para o Sindicato vai permanecer menos tempo no poder. O mandato foi reduzido de quatro para três anos.

1º turno

     O primeiro turno aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de julho e serviu para eleger os 105 integrantes que formarão 22 Comitês Sindicais das Empresas e um Comitê Sindical dos Aposentados. Dos 105 representantes eleitos, 97 pertencem à situação e somente 8 à oposição. A apuração ocorreu no dia 14, no ginásio do Sesi. A Chapa 1 recebeu 7.213 votos e a Chapa 2, 1.760.
     Com os 8 representantes eleitos, a oposição vai fazer parte do Comitê Sindical da Volkswagen, que é formada por 23 metalúrgicos. Ou seja, a oposição vai constituir apenas uma parte minoritária de um Comitê Sindical. Mas, para Luiz Antônio Di Silvestre, representante da Chapa 2, isso representa uma vitória, pois a Chapa 1 teria usado a estrutura do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté a seu favor, além de outras irregularidades apontadas pela oposição.

2º turno

     O segundo turno está marcado para ocorrer nos dias 22, 23 e 24 de agosto e servirá apenas para referendar os membros da Diretoria Executiva do Sindicato e do Conselho Financeiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 LG Eletronics

     Na edição nº 310, CONTATO denunciou que Julio César André de Souza, na época funcionário e cipeiro da LG Eletronics, foi humilhado e ameaçado de morte dentro da empresa pelo seu supervisor, o coreano Richard Moon. Depois do acontecido, Souza se afastou do trabalho, procurou um médico e, mais tarde, demitiu-se sem qualquer respaldo do Sindicato na negociação que fez com a empresa.
     Na edição nº 316, CONTATO mostrou a insatisfação dos trabalhadores da LG, por causa da falta de representatividade do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. Mas, mesmo assim, segundo os dados divulgados pelo Sindicato, a situação obteve 94% dos votos válidos na empresa. Para a oposição, os números teriam sido manipulados. Para a situação, isso é fruto do trabalho que foi feito.

Acusações

     Membros da Chapa 2 disseram que o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté , Valmir Marques, o Biro, é presidente da Comissão Eleitoral e candidato da Chapa 1. Há também a acusação do uso do jornal da entidade para a divulgação das idéias situacionistas.
     O metalúrgico Luiz Antônio Di Silvestre, representante da oposição, disse também que a Chapa 1 trouxe políticos influentes, “até de Brasília”, como o senador Aloísio Mercadante, para fortalecer a campanha eleitoral. Além disso, ainda segundo a oposição, os números da votação foram manipulados, pois teriam ocorrido irregularidades no processo de votação. Nas empresas Pelzer e Comal - terceirizada da Ford -, por exemplo, houve a coleta de votos sem que as respectivas urnas estivessem lacradas.
No dia da votação para a escolha dos integrantes da Comissão Eleitoral, um domingo chuvoso, CONTATO estava presente no Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e constatou que o líder da oposição, Luiz Carlos Prates, o Mancha, dirigente sindical metalúrgico em São José dos Campos e ligado ao Conlutas, foi barrado na porta da entidade. Enquanto, dentro do Sindicato, as votações não apresentavam nenhum voto contrário.

Outro Lado

     Membros da Chapa 1 disseram que o acúmulo de cargos, como é o caso do atual presidente, o Biro, está previsto no Estatuto aprovado pelos trabalhadores. Sobre o uso do jornal e a vinda de políticos influentes para engrossar a campanha eleitoral, argumentaram que são questões pequenas uma vez que a oposição usou a mesma estratégia, quando levou sindicalistas conhecidos na porta das fábricas, como o candidato à presidência da República, Zé Maria, e o candidato à senador, Luiz Carlos Prates (Mancha). Quanto a violação das urnas, a situação nega a irregularidade e sugere que a oposição deveria procurar seus direitos.
     Sobre a proibição da entrada da oposição no dia da votação para eleger a Comissão Eleitoral, Isaac responde que se tratava de uma assembléia para os associados do Sindicato e que a oposição associada estava presente. Por não ser associado, Luiz Carlos, o Mancha, não entrou na entidade. Para encerrar, Issac do Carmo, recém eleito presidente da entidade, dispara: “eu desafio que [o Sindicato de] São José dos Campos faça, em 2009, a eleição para os Comitê Sindicais [como fez o Sindicato de Taubaté]”