Apesar de uma campanha eleitoral marcada
por mistérios, atentados e acusações sem
provas, o primeiro turno das eleições para o Sindicato
dos Metalúrgicos de Taubaté deu a vitória
antecipada à situação, representada pela
Chapa 1, ligada à CUT.
A Chapa 2, ligada à Conlutas -
Coordenação Nacional de Lutas - não conseguiu
obter número de votos suficientes para participar do segundo
turno, como manda o novo Estatuto da entidade. Mesmo assim, a
oposição vai ter seu espaço no Comitê
Sindical da Volkswagen para representar os trabalhadores.
Novidades
A eleição para o Sindicato dos Metalúrgicos
de Taubaté trouxe mudanças importantes. A primeira
foi no modelo eleitoral. O novo processo implantado em Taubaté
é o mesmo utilizado nos Sindicatos do ABC, de Sorocaba
e de Salto e transforma a eleição em dois turnos.
No primeiro turno, são eleitos os representantes para os
Comitês Sindicais das Empresas. No segundo, referenda-se
a Diretoria Executiva e o Conselho Financeiro.
Além dos dois turnos, o modelo
implantado em Taubaté pode trazer mais democracia para
dentro do Sindicato, uma vez que permite que a oposição
faça parte da diretoria, proporcionalmente aos votos obtidos.
Outra mudança foi no tempo de
mandato da diretoria eleita. Quem ganhar a eleição
para o Sindicato vai permanecer menos tempo no poder. O mandato
foi reduzido de quatro para três anos.
1º
turno
O primeiro turno aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de julho e serviu
para eleger os 105 integrantes que formarão 22 Comitês
Sindicais das Empresas e um Comitê Sindical dos Aposentados.
Dos 105 representantes eleitos, 97 pertencem à situação
e somente 8 à oposição. A apuração
ocorreu no dia 14, no ginásio do Sesi. A Chapa 1 recebeu
7.213 votos e a Chapa 2, 1.760.
Com os 8 representantes eleitos, a oposição
vai fazer parte do Comitê Sindical da Volkswagen, que é
formada por 23 metalúrgicos. Ou seja, a oposição
vai constituir apenas uma parte minoritária de um Comitê
Sindical. Mas, para Luiz Antônio Di Silvestre, representante
da Chapa 2, isso representa uma vitória, pois a Chapa 1
teria usado a estrutura do Sindicato dos Metalúrgicos de
Taubaté a seu favor, além de outras irregularidades
apontadas pela oposição.
2º
turno
O segundo turno está marcado para
ocorrer nos dias 22, 23 e 24 de agosto e servirá apenas
para referendar os membros da Diretoria Executiva do Sindicato
e do Conselho Financeiro.
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LG
Eletronics
Na edição nº 310, CONTATO denunciou que Julio
César André de Souza, na época funcionário
e cipeiro da LG Eletronics, foi humilhado e ameaçado de
morte dentro da empresa pelo seu supervisor, o coreano Richard
Moon. Depois do acontecido, Souza se afastou do trabalho, procurou
um médico e, mais tarde, demitiu-se sem qualquer respaldo
do Sindicato na negociação que fez com a empresa.
Na edição nº 316,
CONTATO mostrou a insatisfação dos trabalhadores
da LG, por causa da falta de representatividade do Sindicato dos
Metalúrgicos de Taubaté. Mas, mesmo assim, segundo
os dados divulgados pelo Sindicato, a situação obteve
94% dos votos válidos na empresa. Para a oposição,
os números teriam sido manipulados. Para a situação,
isso é fruto do trabalho que foi feito.
Acusações
Membros da Chapa 2 disseram que o atual presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de Taubaté , Valmir Marques, o
Biro, é presidente da Comissão Eleitoral e candidato
da Chapa 1. Há também a acusação do
uso do jornal da entidade para a divulgação das
idéias situacionistas.
O metalúrgico Luiz Antônio
Di Silvestre, representante da oposição, disse também
que a Chapa 1 trouxe políticos influentes, “até
de Brasília”, como o senador Aloísio Mercadante,
para fortalecer a campanha eleitoral. Além disso, ainda
segundo a oposição, os números da votação
foram manipulados, pois teriam ocorrido irregularidades no processo
de votação. Nas empresas Pelzer e Comal - terceirizada
da Ford -, por exemplo, houve a coleta de votos sem que as respectivas
urnas estivessem lacradas.
No dia da votação para a escolha dos integrantes
da Comissão Eleitoral, um domingo chuvoso, CONTATO estava
presente no Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté
e constatou que o líder da oposição, Luiz
Carlos Prates, o Mancha, dirigente sindical metalúrgico
em São José dos Campos e ligado ao Conlutas, foi
barrado na porta da entidade. Enquanto, dentro do Sindicato, as
votações não apresentavam nenhum voto contrário.
Outro
Lado
Membros da Chapa 1 disseram que o acúmulo
de cargos, como é o caso do atual presidente, o Biro, está
previsto no Estatuto aprovado pelos trabalhadores. Sobre o uso
do jornal e a vinda de políticos influentes para engrossar
a campanha eleitoral, argumentaram que são questões
pequenas uma vez que a oposição usou a mesma estratégia,
quando levou sindicalistas conhecidos na porta das fábricas,
como o candidato à presidência da República,
Zé Maria, e o candidato à senador, Luiz Carlos Prates
(Mancha). Quanto a violação das urnas, a situação
nega a irregularidade e sugere que a oposição deveria
procurar seus direitos.
Sobre a proibição da entrada
da oposição no dia da votação para
eleger a Comissão Eleitoral, Isaac responde que se tratava
de uma assembléia para os associados do Sindicato e que
a oposição associada estava presente. Por não
ser associado, Luiz Carlos, o Mancha, não entrou na entidade.
Para encerrar, Issac do Carmo, recém eleito presidente
da entidade, dispara: “eu desafio que [o Sindicato de] São
José dos Campos faça, em 2009, a eleição
para os Comitê Sindicais [como fez o Sindicato de Taubaté]”

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