 |
Apagão
de Professores
Sem
qualquer catastrofismo, professor Marmo faz uma grave constatação:
a crise anunciada é muito mais grave porque o país
não terá condições de repor mão
de obra no curto e médio prazos quando afirma que “não
haverá professores em número suficiente para atender
à demanda, pois os índices de evasão nos cursos
de licenciatura, desde 1997, se mantêm em 65%, em física,
e em 75%, em química" |
"Se não chover,
o país vai parar." A frase dita pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso, que então popularizou o termo “Apagão”.
A partir daí, vivemos vários apagões: apagão
aéreo, apagão político... etc
Agora em 03 de julho de 2007, a Câmara da Educação
Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE)
divulgou relatório que prevê um possível apagão
no ensino fundamental (da 5ª à 8ª série)
e no ensino médio. Causa: déficit de 246 mil professores
com licenciatura em física, química, biologia e
matemática. Mesmo que o governo liberasse verbas extraordinárias
em caráter emergencial para contratar docentes para essas
disciplinas, não conseguiria resolver o problema, dada
à falta de mão-de-obra qualificada no mercado.
A escassez maior é
nas disciplinas de química e física. Para atender
à demanda das escolas públicas, o Ministério
da Educação (MEC) deveria ter garantido a formação
de pelo menos 55,2 mil professores de química, na década
de 90. No entanto, foram licenciados só 13,5 mil. Em física,
a situação é pior. A demanda é a mesma,
mas o número de licenciados ficou em apenas 7,2 mil, o
equivalente a 13% do necessário. Atualmente, só
9% dos professores de física que atuam na rede pública
têm formação nessa disciplina. Ou seja, 91%
dos docentes têm formação em outra área
do conhecimento.
No caso específico
do ensino médio, o número de alunos vem aumentando
e tão cedo não haverá professores qualificados
em número suficiente para atender à demanda, pois
os índices de evasão nos cursos de licenciatura,
desde 1997, se mantêm em 65%, em física, e em 75%,
em química. Por isso, diz o relatório do CNE, o
governo não tem outra saída a não ser adotar
medidas emergenciais para os próximos anos (costume brasileiro
de dar um jeitinho na hora).
|
Entre outras recomendações,
o órgão sugere a criação imediata
de um piso salarial nacional para os docentes do ensino médio
e o aproveitamento dos atuais estudantes de licenciatura. Também
propõe a adoção de bônus para os professores
que retardarem a aposentadoria, a concessão de incentivos
financeiros para os aposentados que quiserem voltar a lecionar
nas disciplinas com maior déficit de professores, a expansão
do Programa Universidade Aberta, que oferece ensino superior a
distância, e a criação de bolsas de estudo
nos moldes do ProUni, para que os alunos egressos da rede pública
de ensino fundamental possam cursar o ensino médio em colégios
particulares (aqui o relatório admite implicitamente a
precariedade das escolas públicas).
O déficit de 246 mil
professores nas escolas públicas de todo o País
decorre, basicamente, de falhas de planejamento por parte do MEC
e da falta de prioridades em matéria de política
educacional. A educação como direito fundamental
só existe mesmo no papel.
Um questionamento da real
situação do país nestes últimos anos
pode remeter que o Governo Federal apenas tapou buraco, ou seja,
só fez ações de plano imediato. Talvez, se
tivesse pensado a longo prazo, muitas coisas poderiam ser diferentes.
A dificuldade em pensar a
longo prazo dá-se do costume brasileiro de dar um jeitinho
imediato, de apenas sanar o problema e não analisar como
será no futuro. Esse jeitinho está enraizado nas
famílias e no Governo onde cada um pensa apenas em si próprio.
|
|