A
disputa eleitoral em Taubaté poderá sofrer profundas
transformações caso o número de eleitores
superar a marca dos 200 mil. Hoje, segundo o TSE – Tribunal
Superior Eleitoral, o município já contabiliza 184.426
eleitores e ocupa a 80ª posição no ranking
nacional. Se 15.575 novos eleitores tirarem seus títulos
no município ou transferirem para cá os de outras
cidades, Taubaté entrará para o seleto clube de
municípios onde as eleições locais são
realizadas em dois turnos.
Essa contabilidade traz embutida novas variáveis que interferem
diretamente nas conversas ainda travadas a portas fechadas. Além
de ser uma experiência nova para a cidade, ela poderá
induzir campanhas a favor ou contra o registro de novos eleitores
até a data limite estabelecida pelo TSE.
Os fatos
Na segunda-feira, 9,
o TSE divulgou a relação dos 100 municípios
brasileiros onde poderá haver dois turnos nas eleições
municipais de 2008. Se as eleições fossem realizadas
em julho deste ano, 74 cidades poderiam escolher os seus prefeitos
somente no segundo turno do pleito. Levantamento do TSE, divulgado
na segunda-feira, 9, mostra que essas cidades têm mais de
200 mil eleitores, condição imposta pelo inciso
II, do artigo 29 da Constituição Federal, para que
o eleitor retorne às urnas no último domingo de
outubro, caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos no
primeiro turno.
Em 2004, ocorreu segundo
turno em 44 dos 68 municípios aptos a realizá-lo.
Portanto, em relação à eleição
passada, houve um aumento de oito municípios com essa possibilidade.
De acordo com a estatística
do TSE, essas 74 cidades estão distribuídas em 23
estados. Não haveria segundo turno no Acre, Roraima nem
no Tocantins, pois nenhum município desses estados possui,
hoje, mais de 200 mil eleitores. Não há eleição
para prefeito no Distrito Federal.
No estado de São
Paulo, há 20 municípios onde pode ocorrer segundo
turno - Taubaté é um deles, e pode aumentar a lista
dos que devem realizar segundo turno em 2008. Isso porque a Justiça
Eleitoral recebe, até meados de maio do próximo
ano, pedidos de novas inscrições e transferência
de domicílio eleitoral. Pelo mesmo motivo, municípios
que possuem mais de 200 mil eleitores hoje podem ter esse quantitativo
reduzido, o que os impede de realizar uma segunda eleição.
O número definitivo de eleitores que votarão nas
eleições municipais será divulgado em julho
de 2008.
Breve
Histórico
As eleições
em dois turnos para cargos eletivos do Poder Executivo foram introduzidas
pela Constituição de 1988 (presidente, governadores
e prefeitos). Nela ficou instituída que, quando da realização
do primeiro pleito nenhum candidato obtiver a maioria dos votos
válidos – isto é, excluídos os votos
brancos e nulos –, haverá segundo turno.
Em 2004, 68 cidades
estavam aptas a ter segundo turno nas eleições municipais,
mas apenas os eleitores de 44 cidades, de 19 estados, voltaram
às urnas. Naquela ocasião, não houve nova
votação em quatro Estados - Acre, Amapá,
Roraima e Tocantins -, pois nem mesmo suas capitais contavam com
200 mil eleitores.
Do total de cidades,
15 eram capitais: São Paulo (SP), Maceió (AL), Manaus
(AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Vitória (ES), Goiânia
(GO), Cuiabá (MT), Belém (PA), Teresina (PI), Curitiba
(PR), Natal (RN), Porto Velho (RO), Porto Alegre (RS) e Florianópolis
(SC).
Obrigatoriedade
Todos os eleitores,
tendo votado ou não no primeiro turno, são obrigados
a votar quando houver segundo turno. Cada turno é interpretado
como uma nova eleição.
Em 2008 haverá disputa para prefeitos e vereadores. A Constituição
Federal determina que as eleições ocorram no primeiro
e no último domingo de outubro – caso haja segundo
turno - do ano anterior ao término dos mandatos em vigor.
No ano que vem, esses dias serão 5 e 26, respectivamente.
|
Implicações
políticas em Taubaté
As atuais manobras realizadas
tanto pela situação como pela oposição
visa aglutinar o maior número possível de apoios
políticos. Essa pode ser a única semelhança
entre as estratégias postas em campo.
Para o Palácio
Bom Conselho interessa que a oposição lance o maior
número possível de candidatos. Essa divisão
é fundamental para assegurar competitividade para a reeleição
do prefeito Roberto Peixoto (PMDB). Apesar de todo desgaste pelo
qual passa a administração municipal, é evidente
que o poder da máquina municipal poderá lhe assegurar
em torno de 30 % dos votos válidos. Essa cifra poderá
ser o suficiente para reelege-lo caso os votos oposicionistas
sejam pulverizados entre três ou quatro nomes competitivos
como Mário Ortiz (DEM), o tucano Júnior Ortiz, o
verde padre Afonso Lobato, Joffre Neto (PDT) e Alexandre Danelli
(PSB).
Caso o número
de eleitores não atinja a casa dos 200 mil, esses candidatos
procuram, por todos os meios, atrair para seu campo os outros
candidatos. A candidatura de Mário Ortiz, por exemplo,
pode ser analisada como uma das mais competitivas. Afinal, com
exceção de Joffre Neto, todos os demais estavam
reunidos em volta de Roberto Peixoto, em 2004. Se a oposição
ao Palácio Bom Conselho crescer enquanto palavra de ordem,
Mário Ortiz tem enormes chances de atrair esse tipo de
voto, apesar do carisma de da força política de
Bernardo Ortiz, que nessa eleição estará
envolvido de corpo e alma na campanha do filho Júnior.
Quem
tem medo do segundo turno?
Se ocorrer o segundo
turno em Taubaté, serão remotíssimas as possibilidades
de uma reeleição do prefeito Roberto Peixoto. Nesse
caso, todas as mazelas e denúncias conhecidas pelos cidadãos
de todos os estratos sociais, culturais e econômicos expostas
e debatidas no primeiro turnos poderão unificar as forças
oposicionistas num provável segundo turno. Caso isso ocorra,
ultrapassar a barreira dos 200 mil eleitores poderá ser
fatal para os planos continuistas dos inquilinos do Palácio
Bom Conselho.
Não está descartada a hipótese de haver um
grande confronto entre situação e oposição
caso alguém venha promover uma campanha para atrair os
novos eleitores. Afinal, existe mais de 20 mil jovens que poderão
ou não retirar seu título de eleitor. Acrescentando-se
os novos moradores e o crescimento vegetativo daqueles que completarão
18 anos e serão obrigados a votar, a barreira dos 200 mil
poderá ser alcançada.
CONTATO apresentou os
dados oficiais do TCE e perguntou: “O prefeito Roberto Peixoto
considera que eleição em 2 turnos é melhor
ou pior para uma possível reeleição? Por
que?” A resposta foi: “A eleição em
dois turnos é um processo que poderá vir ocorrer
em nosso município e trata-se das regras e avanço
no processo democrático”. Não há qualquer
vestígio de interesse em se pronunciar.
Repercussão
Além
do prefeito, CONTATO fez a mesma pergunta para o presidente da
Câmara, vereador Carlos Peixoto, alinhadíssimo com
o Palácio Bom Conselho, e para o vereador petista Jéferson
Campo, ferrenho opositor.
Carlos
Peixoto: “Acho importantíssimo [eleição
em dois turnos] porque haverá mais tempo para o eleitor
analisar e decidir a respeito dos planos de governo de cada candidato.
Falo pela democracia. Não importa a quem favoreça.
O melhor terá que vencer todas etapas com as melhores propostas”.
Jéferson
Campos: “Acho ótimo [que ocorra o segundo turno].
Será uma grande evolução. A população
poderá entender melhor as propostas dos candidatos”.
-------------------------------------------------------
Municípios embolados na linha de corte:
Classificação UF MUNICIPIO ELEITORES
70
AP MACAPÁ
210.462
71 GO ANÁPOLIS
207.212
72 PR PONTA
GROSSA 204.508
73 SC BLUMENAU
202.783
74 SP FRANCA
202.700
75 RJ VOLTA
REDONDA 202.283
76 MG
UBERABA
197.489
77 SP
GUARUJÁ
197.401
78 AC
RIO BRANCO 191.683
79 BA
VIT. DA CONQUISTA 184.795
80 SP TAUBATÉ
184.426
81 RS
SANTA MARIA 184.016
82 SP BARUERI
181.327
83 SP LIMEIRA
181.003
84 PA
SANTARÉM 180.872
Fonte: TSE

|