O dia em que a
Polícia Civil parou

Há 14 anos sem reajuste salarial, a Polícia Civil paulista cumpriu o prometido e cruzou os braços por 24 horas como advertência à insensibilidade do governo do estado de São Paulo.

Por Paulo de Tarso Venceslau



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     Indignados com a falta de respeito de como são tratados pelo governo do Estado de São Paulo, os policiais civis cruzaram os braços exatamente às 8 horas de quinta-feira, 12. Usando nariz de palhaço, batendo bumbo, exibindo faixas com denúncias e com apito na boca, dezenas de policiais se concentraram no pátio da Delegacia Seccional, localizada à rua Benedito Cursino dos Santos, 168, ao lado do Pronto Socorro Municipal.
     Saíram em passeata por volta das 10 horas. Pouco antes, CONTATO conversou com Jéferson Fernando Cabral, presidente da Associação dos Servidores Públicos, Fundações e Autarquias, da Taubaté, ASERP. Cabral garantiu que naquele momento, quase 10 horas, a adesão era de 100 % no Vale do Paraíba.
     “Essa manifestação é uma resposta à declaração do Secretário de Segurança [Ronaldo Marzagão] que duvidou que houvesse greve porque a polícia não tem condições de mobilização. Não somos baderneiros. Nossa manifestação é pacífica e ordeira. Todos os serviços de plantão estão funcionando. Estamos fazendo uma advertência. Estamos há 14 anos sem qualquer reajuste salarial. E nossa data-base é 1º de março. São Paulo é único estado da Federação que não deu qualquer reajuste. Recentemente, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais tiveram reajuste. Por que não ocorre o mesmo em São Paulo, um estado rico e até maio arrecadou mais IPVA do que todo o ano de 2006?”, desabafa Cabral.

 

 

 


     E complementa: “Esse descalabro só pode por uma das duas razões: ou o estado está mal administrado ou o dinheiro está escondido. É inadmissível que o salário inicial de um investigador seja de apenas R$ 1.200,00 por mês”.
     Logo após a Seccional, os manifestantes passaram em frente da Câmara Municipal e se concentraram defronte ao 1º Distrito. Durante todo esse tempo, apenas o vereador petista Jéferson Campo apareceu para prestar solidariedade aos policiais. Na avenida Juscelino Kubitschek, distribuíram um panfleto assinado pela Representação Coletiva da Polícia Paulista e pela ASERP.
     O panfleto denuncia o “descaso que o governo do Estado está tratando nossa campanha salarial” e que em São Paulo “é o pior salário do país, são 14 anos de desprezo. Não podemos admitir esta situação!!”
Por volta da 11 horas, os manifestantes seguiram até a praça Dom Epaminondas onde distribuíram mais panfletos. A única certeza disso tudo é que no dia 12 o GARRA não sai às ruas de Taubaté. Todos agentes estavam prestigiando a manifestação “ordeira e pacífica” de uma categoria que merece mais respeito por parte de nossos governantes.

Repercussão

     Única autoridade policial local que podia se manifestar a respeito da manifestação, Dr Roberto Martins, delegado seccional, declarou: “Não é a primeira vez que isso [paralisação] acontece. É uma coisa normal, desde que os serviços essenciais não sejam afetados. A população não pode ser prejudicada.”