| Ruy
Castro
"Quem não gostou do livro,
que processe o autor"
O escritor e jornalista Ruy Castro, um dos
mais competentes biógrafos brasileiros, entrou de cabeça
no movimento contra a censura do livro “Roberto Carlos em
detalhes”, do jornalista Paulo César Araújo.
Ao lado de Fernando Morais e do próprio Araújo, Ruy
participou de um dos momentos mais polêmicos da FLIP. Batizada
de “A vida como ela foi”, a mesa sobre a censura acabou
com o lançamento de um abaixo assinado. Os três biógrafos
querem evitar que o caso de Roberto Carlos se transforme em uma
perigosa referência para que advogados impeçam a publicação
de biografias não autorizadas. Nosso editor Pedro Venceslau
e o fotógrafo Luciano Dinamarco estiveram com Ruy Castro
em Paraty. Confira os melhores da entrevista que será publicada
na edição de agosto da revista IMPRENSA
por
Pedro Venceslau
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Fotos de Luciano Dinamarco
CONTATO:
Você, Fernando Moraes e Paulo César de Araújo
lançaram, na FLIP, um movimento em defesa do livro e da
liberdade de expressão. Quais serão os próximos
passos?
Ruy Castro - Nós pedimos no abaixo assinado que
se resolva a contradição entre artigos que se opõem
e que se anulam entre si. Essa Constituição foi
feita em um momento de redemocratização do Brasil.
Na época, as forças políticas envolvidas
no processo (da Constituinte) eram representativas de setores
do pensamento que se opuseram durante vinte e tantos anos à
ditadura militar. Todos tinham que ser contemplados. Foi uma Constituição
feita para agradar todo mundo. A Constituição garante
liberdade de expressão, mas, ao mesmo tempo, garante o
direito à defesa do direito de imagem. São duas
coisas que se excluem completamente da maneira como foi formulada.
A advogada do Paulo César explicou a questão do
Código Civil, que complicou mais ainda. Nós reivindicamos
que quem não gostou do livro processe o autor, mas não
proíba o livro.

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CONTATO: O caso da biografia “Roberto Carlos em detalhes”,
do Paulo César de Araújo, que foi proibida de circular,
teve grande repercussão. Você acha que a editora
espanhola Planeta, que lançou o livro, foi covarde?
Ruy Castro – Eu não diria covarde, porque
não conheço a Planeta. Eu diria que ela foi excessivamente
prudente. Eu sei como é isso. Já trabalhei em empresa
estrangeira estando em outro país. Foi na Readers Digest,
que é uma empresa americana, em Portugal, durante a Revolução
dos Cravos. A revista seria um alvo natural para ser expulsa do
país. Nós não tínhamos nada com isso.
A ordem que veio de Nova York foi para que a gente não
desse palpite. Ainda assim, jogaram uma pedra no luminoso da revista.
Mandamos trocar e não reclamamos de nada. Se você
é um estrangeiro trabalhando em outro país, tem
que ficar quieto. Imagina essa situação (da biografia
do Roberto Carlos) sendo discutida na sede da Planeta, na Espanha.
Vale a pena comprar uma briga com a justiça brasileira
e com um importante artista do país? Isso só vai
criar aborrecimentos e pode comprometer o investimento de milhões
de dólares. Talvez, para eles, tenha sido mais sábio
assimilar o prejuízo menor.
CONTATO: Para escrever ficção você tem que
investigar tanto quanto para uma biografia?
Ruy Castro – No meu caso sim. Não sou um
ficcionista natural. Fui instado quase com uma faca no peito a
escrever ficção. Tenho que me valer de coisas da
vida real, porque não tenho essa capacidade toda de criar
plots (trabalhos dramáticos) originais. Minha especialidade
é descobrir histórias que já aconteceram.
Estou fazendo um romance que se passa em 1808, na chegada da corte
ao Brasil. Sai em novembro. O corte é muito restrito: entre
1808 e 1812. Será um close numa determinada época.
Quase todos os personagens existiram. Não posso falar mais
nada além disso. 

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