Pouco
antes de deixar o Brasil e voltar para a Venezuela em um longo
vôo da United com escala em Miami, Marcel Granier, presidente
da RCTV (Rádio Caracas de Televisão) recebeu CONTATO
no hotel onde estava hospedado, na região dos Jardins,
em São Paulo, para uma entrevista exclusiva.
Confira
os melhores momentos da entrevista
CONTATO – Quantos funcionários tem a RCTV?
Marcel Granier – São
três mil funcionários diretos e outros cinco mil
indiretos.
CONTATO
– Qual será o futuro do canal, caso não seja
possível reverter a decisão de Chávez na
Justiça?
Granier - É evidente
que qualquer formato que não seja de televisão aberta
e sinal livre, disponível gratuitamente para todo o público,
tem muitas limitações. Teremos que ser criativos.
Estamos empenhados em buscar fórmulas que nos permitam
estabelecer comunicação com as pessoas e manter
o maior número possível de empregos.
CONTATO
– Sabe-se que Chávez fez um acordo com Gustavo Cisneros,
da Venevisón. Ele também tentou fazer algum tipo
de acordo ou oferta com a RCTV?
Granier – Sim... Ele
pressiona os veículos independentes pela via da ameaça
ou do corte de publicidade. Funcionários do governo fizeram
ofertas para RCTV durante muitos anos, mas nunca aceitamos propina
do Estado. O governo venezuelano dispõe de muitos recursos.
Quem segue a linha editorial que eles (governo) querem é
premiado com publicidade oficial, dólares em taxas preferenciais
e de muitas outras formas.
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CONTATO
– A posição de Cisneros -que de uma hora para
outra parou de criticar Chávez e teve sua concessão
renovada por mais 20 anos - foi oportunista?
Granier – Eu entendo
o que aconteceu. Quando um presidente tão poderoso, que
controla todos os poderes, começa, de maneira sistemática,
a acusar uma pessoa como Cisneros de chefiar uma conspiração,
ser golpista e assassino, eu compreendo que essa pessoa se sinta
intimidada e busque uma maneira de evitar a pressão. A
impressão que se tem é que, a partir de uma reunião
secreta, cujo conteúdo nunca se teve acesso e que aconteceu
entre Chávez, Jimmy Carter (ex-presidente norte-americano)
e Cisneros começaram a produzir mudanças importantes
na linha editorial da Venevisón.
CONTATO
– Como anda sua relação com Cisneros?
Granier - Faz muitos
meses que não o vejo.
CONTATO
– Voltando no tempo, para abril de 2002, quando houve um
movimento que tirou Chávez por 48 horas do poder. Eu li
um artigo do jornalista Andrés Izarra, que na época
trabalhava com vocês e hoje é presidente da chavista
Telesur, em que ele fez acusações graves contra
a RCTV. Entre outras coisas, Izarra afirma que recebeu ordens
para “tirar o chavismo da tela” e “manipular
a cobertura” do movimento. O que o Sr. tem a dizer sobre
isso?
Granier –
Isso é falso. Ele nunca pôde provar nenhuma dessas
acusações. Durante toda aquela semana, aconteceram
muitas manifestações e o presidente cometeu uma
série de abusos. Ele obrigou todas as emissoras de rádio
e TV a transmitir em cadeia tudo que ele e seus ministros diziam.
Em um dia, as estações foram obrigadas a interromper
por 37 vezes sua programação para mostrar discursos
do presidente e de seus funcionários. Chegou um momento
em que essa situação ficou insustentável.
Isso foi provocando uma onda de protestos cada vez maior. 
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