TV Câmara, 3 anos de bons serviços

O trabalho silencioso de uma competente equipe e o vigoroso apoio dos vereadores, especialmente os últimos presidentes da Câmara Municipal, consolidaram uma TV que é considerada um paradigma de profissionalismo, democracia e participação. É com esse cacife que Taubaté entrará no debate nacional que se inicia

      O aniversário de 3 anos da TV Câmara Taubaté, a primeira emissora legislativa do Vale, coincidiu com a realização do 1º fórum Nacional de TVs Públicas, evento que trouxe novidades para o segmento das TVs Legislativas.
      A primeira é a notícia da criação da Rede Legislativa de Televisão que englobará as Televisões do Congresso Nacional (TV Câmara e TV Senado), as TVs Assembléias e as TVs Câmaras Municipais. A linha editorial das TVs promete uma reviravolta. Por iniciativa do presidente da Câmara Federal Arlindo Chinaglia(PT), o sistema de comunicação da casa (agência, TV e Rádio) constituirá um conselho editorial formado por representantes da sociedade, experiência que deverá ser reproduzida pelas outras emissoras do segmento. O controle da TV pela sociedade e sua influência na linha editorial e nas fontes de receita merecem imediata e especial atenção.
      Neste quesito, a TV Câmara de Taubaté tem saldo positivo. A transmissão ao vivo das sessões plenárias e das Audiências Públicas abriu à cidade uma realidade conhecida por poucos.
      Desde que iniciou seus trabalhos, a direção dada à TV tem operado sob a lógica do serviço público. Ao transmitir ao vivo e sem interrupções os trabalhos da casa, coloca a nu tudo o que foi dito pelos parlamentares. Sem os cortes e as edições utilizados pelos telejornais das redes comerciais, o sensacional se alterna com o banal, com intervenções destituídas de sentidos, debates sobre normas regimentais e outros assuntos que escapam à lógica da espetacularização ou da edulcoração dos releases. Ali na telinha está a verdade nua e crua do desempenho dos parlamentares em plenário, para o bem e para o mal.

     
     
E, ao não privilegiarem o espetáculo, essas transmissões favorecem a reflexão e contribuem para uma aproximação maior entre o cidadão e a política parlamentar.
      E por que não estimular a realização de programas onde se debate a realidade local, inclusive abrindo microfones para críticos da própria Câmara? As parcerias estabelecidas com instituições públicas para a produção de programas, como o Redação ACIT é outro sinal de um significativo avanço. Abre-se espaço para a pluralidade de opiniões e cria-se uma co-responsabilidade com os rumos da TV. Reside aí a força e a fragilidade da TV Câmara
      Será o calcanhar de Aquiles desse projeto se a sua independência editorial subordinar-se ao governo de plantão, independente de quem seja. Não há como conciliar uma televisão constituída com recursos públicos com a isenção apregoada pelos governos. Um Conselho Gestor pluralista, representativo e autônomo poderá ser um caminho a ser trilhado para consolidar e fortalecer um ambicioso projeto democrático de comunicação social.
      A palavra final caberá aos edis taubateanos. Abrir mão do controle editorial em nome da transparência e da democracia seria um gol de placa. Principalmente quando a TV Câmara em sinal aberto e gratuito estiver disponível aos telespectadores do andar de baixo.