Presidente da Câmara denúncia abandono do Museu Histórico
Sobrinho do prefeito, vereador Carlos Peixoto (PMDB) tem postura de estadista e coloca compromisso com a cidade na frente dos laços familiares e denuncia a situação caótica de um dos principais acervos históricos da cidade de Monteiro Lobato

Por Bruno Monteiro
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     Um descaso com a história da cidade. O museu histórico de Taubaté, “Professor Paulo Camilher Florençano”, administrado pela área de cultura da prefeitura, está fechado há mais de um ano. Quem denuncia não é nenhum oposicionista. É nada menos que o presidente da Câmara Municipal e sobrinho do prefeito, vereador Carlos Peixoto (PMDB).
     Na sessão legislativa de terça-feira, 19, ele foi à tribuna da Casa Legislativa e denunciou o problema. Segundo o parlamentar, seu desabafo foi provocado por munícipes que foram até ele cobrar uma solução para o impasse. Afinal, crianças que freqüentavam regularmente o Museu há mais de um ano não podem mais consultar seu acervo. Carlos Peixoto confirmou que o museu está fechado há mais de um ano e que um de seus assessores teve sua entrada barrada quando tentou entrar no Museu.
“Manter o Museu fechado é um descaso com a população. É inadmissível, pois temos documentos importantíssimos lá, que relatam a história do município. Quanto mais tempo demorar para reabrir, estaremos negligenciando. Em Taubaté, infelizmente, outros prefeitos deixaram acabar um pouco da história. Alguns casarões, no centro da cidade, viraram estacionamento”, disse revoltado, o presidente da Câmara.
     Carlão, como é conhecido o presidente da Câmara e ex-líder de seu tio na Câmara, chega a fazer um apelo ao prefeito Roberto Peixoto. “Isso é um crime com a história. Vamos respeitar o passado das pessoas que fizeram Taubaté essa grande cidade. Senhor prefeito, encarecidamente, eu peço que cuide da nossa memória. Um povo sem memória é um povo sem alma”.
 


    Na mesma sessão, Carlos Peixoto protocolou um requerimento encaminhado ao prefeito onde relata o imbróglio e cobra providências para que o museu seja reaberto para a população. No documento, Carlão conta que de acordo com o depoimento de algumas pessoas que tiveram acesso ao museu, o forro foi retirado e quando chove, existem goteiras e o local torna-se úmido, colocando em risco parte do acervo alojado, que requer cuidados especiais na sua preservação.
     “É um descaso a omissão do Poder Público pois lá temos documentos que relatam a nossa história. Com isso, a cidade perde referências fundamentais que prejudicam definitivamente a compreensão do seu passado e conseqüentemente, perde a consciência histórica do presente”

Outro lado
     A nova gerente de Cultura, Duda Matos, confirma a situação dos museus. Confira entrevista na página 6.
O ex-gerente da área de Cultura e atual diretor do Departamento de Meio Ambiente, Turismo e Cultura, Anderson Ferreira, futuro genro do prefeito, disse que não pode dar entrevista sem autorização prévia da assessoria de imprensa.