Fundação Casa

Representantes do
Governo do Estado desmontam versão de Peixoto

Em audiência pública na Câmara Municipal, o vice-presidente da Fundação Casa, Mansueto Henrique Lunardi e o secretário-adjunto de Justiça, Isaias Santana, reafirmam que partiu da prefeitura sugestão da área localizada ao lado da Casa de Custódia para a construção de uma unidade para abrigar menores infratores da cidade. Já o prefeito Roberto Peixoto, além de ameaçar fisicamente nosso repórter, continua a negar o fato.

Por Bruno Monteiro
Fotos Marcos Limão


Vicente Morgado (Conselho Tutelar), Mansueto Lunardi (Fundação Casa), Carlos Peixoto (Presidente da Câmara) e o prefeito Roberto Peixoto na mesa que dirigiu a Audiência Pública
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    A Fundação Casa (ex-Febem) foi o assunto principal da quinta-feira, 21, em Taubaté, em razão da realização da audiência pública na Câmara Municipal para se debater a instalação da uma unidade dessa entidade para abrigar menores infratores da cidade. Na ocasião, ficaram cara a cara o prefeito municipal Roberto Peixoto (PMDB) e o vice-presidente da Fundação Casa, Mansueto Henrique Lunardi, que revelara, com exclusividade para CONTATO, que partiu do prefeito a indicação da área destinada para a obra.
Antes do início da audiência, foi realizado um pequeno protesto organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté contra a instalação da unidade.
     O primeiro a falar foi o vice-presidente da Fundação Casa, Mansueto Henrique Lunardi, que explanou mais sobre a parte técnica da fundação, mostrando as estatísticas e números sobre o desempenho da nova concepção empregada pelo estado para atender menores infratores.
     Em entrevista a CONTATO, antes de se pronunciar, Mansueto foi mais uma vez bem claro: “Na conversa que tivemos na prefeitura, a sugestão foi esta área ao lado da Casa de Custódia. Com a sugestão, nós solicitamos junto ao governador José Serra 4.500 metros quadrados e ela foi concedida. Agora, a questão está aberta. Se o prefeito entender que esta área não é tão adequada e quiser nos fornecer outra área, tudo bem. Desde que seja autorizada pela Câmara. Estamos abertos à conversa desde o começo, como sempre tivemos”, reafirmou.
     Perguntado o que achava da mudança de opinião do prefeito, Mansueto foi enfático: “Veja, isso é uma coisa que você tem que perguntar para ele. Eu não mudei minha opinião e nem estou entrando pela portas dos fundos em Taubaté”.
     O secretário-adjunto de Justiça do Estado de São Paulo, Isaias Santana, foi à tribuna da Câmara para, como ele mesmo disse, “esclarecer alguns fatos.” Desmentiu o prefeito e confirmou a versão publicada por CONTATO na edição 320, de 08 a 15 de junho, na qual é relatado que foi o próprio prefeito quem sugeriu o local para abrigar a unidade destinada a menores infratores.
     “Estive, em fevereiro, no gabinete do prefeito, onde fui muito bem recebido. Ganhei até um mimo. Desde aquela data ficou definido que esta área do estado abrigaria nossa unidade. Liguei 7 vezes para o prefeito, para marcar uma outra audiência e verificar se ele havia arrumado um outro local. Já se passaram três meses e treze dias. Os adolescentes de Taubaté não podem mais esperar.”
     O secretário-adjunto da Justiça ainda acrescentou. “O governo do estado não vem trazer problema para Taubaté. Há 14 adolescentes tão taubateanos quanto aqueles que usaram essa tribuna. Será que, em pleno século 21, vamos aplicar a pena de banimento a estes jovens?”.
  


     Quem também endossou o coro a favor da legalidade da instalação da Fundação Casa em Taubaté foi o presidente do Conselho Tutelar, Vicente Morgado. “Quero ler o Estatuto da Criança e do Adolescente. Diz aqui, é lei, que o adolescente tem que cumprir sua internação na cidade de seu domicílio”.
        Morgado falou sobre o abaixo-assinado realizado por algumas lideranças políticas da cidade contra a instalação da unidade. “Temos aqui 30 mil assinaturas de um abaixo assinado que foi conduzido de uma maneira exaltando a caos. E o que vamos fazer com estes jovens taubateanos? Vamos botar num pacote e mandar pra São Paulo como animais?”, questiona o presidente do Conselho Tutela.

Ameaça e truculência
     O prefeito Roberto Peixoto chegou a Câmara acompanhado por uma verdadeira tropa palaciana. CONTATO tentou entrevistá-lo. Nosso repórter o questionou se ele desmentiria o vice-presidente da Fundação Casa, Mansueto Henrique Lunardi. Peixoto se calou. Na insistência da entrevista, o prefeito fez o seguinte comentário para o diretor do Departamento de Segurança, o delegado Luis Simões Berthoud: “Vou meter porrada neste cara [repórter Bruno Monteiro]”. Mais calmo e sensato, o diretor de segurança, Simões contemporizou os ânimos.
     A truculência não parou por ai. Na entrevista coletiva, Peixoto mandou seu segurança particular ficar ao lado de nosso repórter para intimidá-lo e barra-lo com os braços. Não é de hoje que o jornal CONTATO sofre violência orquestrada pelo Palácio Bom Conselho da atual administração. Em março de 2005, nosso diretor de redação, Paulo de Tarso Venceslau, foi covardemente agredido por agentes da Ronda Especial quando realizava uma reportagem sobre o aterro sanitário.
     Quando usou a tribuna, Peixoto reafirmou ser contra a instalação da Fundação Casa. “Taubaté já deu sua contribuição, com CDP (Centro de Detenção Provisória) e Presídios. Com todo o respeito, quando recebi os representantes do governo estadual, disse que era contra”, pontificou o prefeito. Sua versão, porém, conflita com a apresentada pelos representantes do Governo do Estado.

Vereadores
     Doze do quatorze dos quatorze vereadores compareceram à audiência pública. Somente a vereadora Maria Tereza Paolicchi (PSC) e o pastor Valdomiro Silva (PTB) não estiveram na Câmara. O depoimento dos vereadores não foi contemplado nessa edição porque seu fechamento ocorreu com a audiência ainda sendo realizada.