Duda Matos,
recém-nomeada gerente de cultura de Taubaté


A mangueirense, artista, professora e ex-gerente da cultura retorna para o cargo que até recentemente era ocupado pelo primeiro genro que por lá passou e ninguém soube ou viu. Duda está cheia de idéias e planos. Tomara que tenha sucesso e consiga realizar alguma coisa neste fim de governo.

por Paulo de Tarso Venceslau


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CONTATO: A gerência de cultura é subordinada ao departamento de Turismo, comandada pelo Anderson Ferreira, ex-gerente?
Duda Matos:
Exatamente. A Cultura sempre foi vinculada à Educação. Recentemente, ela passou para o departamento de Meio Ambiente Turismo e Cultura.

CONTATO: Os museus estão ligados à Cultura ou a Educação?
Duda Matos:
Cultura, diretamente.

CONTATO: Qual é a situação do museu histórico?
Duda Matos:
Me surpreendi que ele ainda estivesse fechado. Mas não questionei como gerente de Cultura. Lamentei porque faz tempo que está assim. Tinha uma placa lá que estava em reforma. Estou simplesmente pedindo a todos os diretores das divisões subordinadas à Cultura que me façam um relatório daquilo que está acontecendo em todo lugar.

CONTATO: Você soube do discurso do vereador Carlos Peixoto na Câmara, na terça-feira, 19, sobre o museu que está fechado há mais de um ano?
Duda Matos:
Soube. Não só ele, como todo mundo, eu mesma assumo uma gerência de Cultura, lamentamos não poder utilizar daqueles museus. Eu tenho um projeto de fotografia e filme programado para novembro no Mistau.

CONTATO: Você corre um alto risco. No estado em que o Museu se encontra, obras importantíssimas como as da professora Maria Morgado poderão ser destruídas por desleixo total à memória histórica de Taubaté.
Duda Matos:
Eu acho que eu corro risco bom. Pretendo colocar aquilo em ordem. Se eu conseguir levantar e correr, e aquilo ficar pronto rápido, que é o que eu desejo, acho que daí eu não corro risco não.

CONTATO: O risco é revelar na sua gestão que as obras estão irrecuperáveis.
Duda Matos:
Eu acho que não. Pela data que estou entrando e pelo tempo que está em reforma, eu posso recolher aquilo que for bom.

CONTATO: Quais são seus grandes projetos?
Duda Matos:
Em julho, a gente faz a mostra teatral com mais de vinte grupos da cidade. Terá um apelo popular porque o ingresso custará apenas R$ 1,99 por bom teatro. Em agosto haverá folclore. A cidade terá de presente a rua Imaculada, cantada pelo nosso amigo Renato Teixeira. Hoje mesmo (quinta-feira, 21) eu tenho uma reunião com os figureiros, o pessoal da festa. E a festa volta pra rua. [Há] alguns anos ela desceu para o Campos Elíseos e isso não é o desejo dos folcloristas. Então ela deve voltar para rua imaculada. Em setembro, com a chegada da primavera, eu devo realizar um projeto que deverá envolver música, dança e artes plásticas, na [praça] Santa Teresinha. A idéia é realizá-la ao ar livre, para abrir a primavera com orquestra, música clássica de boa qualidade.

CONTATO: Na praça Santa Teresinha com quiosque ou sem quiosque?
Duda Matos:
Sem quiosque (risos).


 

CONTATO: Você vai bater de frente com o presidente da Câmara?
Duda Matos:
Aquela praça não tem que ter quiosque. Eu acho que ela tem de ser preservada, da maneira que está, e a minha primavera, a minha ecologia acontecer em setembro, para mostrar todo o potencial daquela praça.

CONTATO: E outubro?
Duda Matos:
[Nesse mês acontecerá] tudo que se relaciona para criança. A idéia é montar uma grande tenda, naquele espaço ao lado da avenida do povo, onde hoje está um circo. Durante uma semana ou mais haverá teatros infantis gratuitos nos parques da cidade, no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Pretendemos premiar as crianças com arte. Em novembro, e ai o meu interesse no museu, seria um projeto para premiar o pessoal que trabalha com fotografia e cinema. É o projeto Taubaté no foco e na fita. Haverá um concurso de fotografias para o artista fotografar a Taubaté que ele quiser, enfocar o que ele quiser. Na parte de cinema, filmes de curtinha duração. De um minuto a cinco minutos. E depois, em dezembro, uma coisa que eu não vejo a hora de acontecer: telão em praça pública, para que a gente assista o cinema como vem acontecendo com as grandes estréias dos filmes brasileiros.

CONTATO: Vai ter dinheiro para tudo isso?
Duda Matos:
Eu acho que sim. Veja bem, não são projetos caros.

CONTATO: Quando o Anderson era gerente ele foi premiado com um orçamento de R$ 12 milhões, salvo algum engano.
Duda Matos:
Eu não sei o que eu vou ter. Estou pedindo um relatório de tudo, para saber como é que eu posso agir. A intenção é trabalhar. Mas claro que você tem de ter condições. Mas eu sempre trabalhei com parcerias.

CONTATO: De quanto é o seu orçamento?
Duda Matos:
Ainda não sei. Estou tomando ciência, já que estou no cargo há duas semanas, mas para estes projetos eu tenho os recursos necessários.

CONTATO: E 2008?
Duda Matos:
São novos projetos. Por exemplo, um que eu gostaria de fazer de novo a Ciranda da Cultura, que é implantar cultura na periferia da cidade. Esse projeto foi a menina dos meus olhos quando eu fui gerente de Cultura.

CONTATO: O que foi a Ciranda Cultural?
Duda Matos:
Todas as noites, os centros culturais funcionavam nas creches, que são ociosas à noite. Então, eu tinha teatro, música, dança, artes plásticas e literatura inclusive, porque na terra de Monteiro Lobato pode surgir mais algum. Eram cinco núcleos em bairros distantes, todas as noites. Dois monitores, dois professores para cada área, porque a gente fazia com criança, adolescente e adulto.

CONTATO: Duda Matos vai levar isso até o fim em 2008 ou será candidata a vereadora?
Duda Matos:
Eu não tenho mais pretensões políticas. Até porque há muito tempo eu não posso fazer campanha. As campanhas se tornaram inviáveis. As campanhas mudaram muito. Eu pretendo levar isso até o fim sim, até o fim de 2008.