O Aquecimento Global

O relatório do IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima realizado em Paris - produzido por centenas de pesquisadores e delegados de dezenas de países, sob a bandeira da ONU, afirma que o aquecimento global é uma realidade cuja responsabilidade cabe à espécie humana.

Aquecimento e elevação do nível dos oceanos e marés, variações climáticas, produção agrícola afetada, danos a obras costeiras e portuárias, mudança no uso das áreas afetadas, prejuízos aos sistemas de abastecimento de água, são algumas das terríveis mudanças que já estão ocorrendo em nosso ambiente.


É fácil entender o que acontecerá quando o nosso planeta se tornar aquecido demais. A Terra é um corpo do sistema planetário e, assim, podemos imaginar que ela seja como um corpo humano, e um corpo humano tomado por uma febre. Nessa situação, diante da febre muito alta, isto é, quando a temperatura do corpo aumenta em nível acima do normal, todos os integrantes de nosso corpo se põem a correr daqui para lá, tentando se reorganizar e sobreviver.


A quantidade de água no corpo, tão importante para o nosso equilíbrio, se modifica. Quando ficamos desidratados, o oxigênio diminui e o sangue enfraquece. A vida ativa de um glóbulo vermelho, que em situação normal é de 120 dias, quando então ele é substituído, pode estar comprometida no momento em que a temperatura do corpo saltar de 36ºC para 40ºC ou mais.


Na Terra, os gases da atmosfera, como dióxido de carbono, oxigênio e hidrogênio, além de vapor de água, formam uma espécie de redoma, que impede que o calor absorvido através dos raios de sol, escape para o espaço exterior, mantendo por um longo período, o equilíbrio térmico no planeta. Se não fosse por isso, a superfície da Terra seria coberta de gelo. Essa característica benéfica da camada de ar em volta do planeta recebe o nome de "efeito estufa. Na verdade, a Terra é uma exceção à regra das condições existentes nos outros planetas, por isso é habitável.


O efeito estufa é representado pela elevação da temperatura na superfície do globo. Em condições normais, ele é então, de certo modo, nossa camada de proteção e tem um lado positivo a considerar. Na atmosfera, como ele dificulta que os raios solares se dissipem no espaço externo, ele mantem a Terra aquecida, o que é benéfico para as plantações. Desse modo, a temperatura se mantém constante e não oscila tanto como acontece na Lua.


Mas, se esse aquecimento aumenta, as coisas mudam de figura. A partir de certo ponto, o efeito estufa pode se tornar prejudicial quando o calor na Terra torna impraticável a vida como ela é agora.


O efeito estufa pode provocar tufões, enchentes e desequilíbrios climáticos em geral. Esse efeito é provocado, principalmente, pelo aumento das concentrações de dióxido de carbono (CO2) e outros gases na atmosfera, quando a Terra acaba se aquecendo além do normal. Desde que tiveram início, as medições da temperatura da Terra tem aumentado pouco a pouco ao longo dos anos, elevando-se em um grau Celsius entre 1880 a 1980.


Inequivocamente, aquecimento global provocou mudanças climáticas. Caiu na boca do povo, como se diz. Muita gente fala, por exemplo, como o verão está quente "por causa do buraco do ozônio"... quando o coitado não tem nada a ver com a história. Até o diligente Senado Federal brasileiro estuda criar uma subcomissão sobre aquecimento global (que pode ser entregue ao ex-presidente Fernando Collor) e uma Comissão Permanente de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática.


Na Câmara dos Deputados também ocorreram, na semana passada, vários movimentos em torno da constelação ciência-ambiente. E nada indica que esses movimentos tenham sido só para honrar faturas políticas emitidas durante a eleição para as presidências das duas Casas, quer dizer, para acomodar correligionários e eleitores.


Depois de ter silenciado sobre temas ambientais no pacote PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o presidente Lula se pôs a falar sobre mudança climática. O chanceler Celso Amorim, igualmente, descobriu a Amazônia. Ambos sob o prisma gasto do conflito Norte-Sul. Tudo isso tem alguma coisa a ver com a divulgação em Paris, há alguns dias, do conteúdo científico do quarto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima). A súmula produzida por centenas de pesquisadores e delegados de dezenas de países, sob a bandeira da ONU, afirma que o aquecimento global é inequívoco. E que a responsabilidade cabe à espécie humana, com mais de 90% de certeza.




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