| Eleições
Municipais 2008
Por Bruno Monteiro
Texto e fotos
Começa jogo de xadrez da sucessão
Todos
os prefeituráveis se cruzaram no Hospital Regional durante
a visita do governador José Serra: os Ortiz, pai e filho,
o deputado Padre Afonso e o ex-prefeito Mário Ortiz são
os detentores dos maiores cacifes políticos para enfrentar,
em 2008, o atual inquilino do Palácio do Bom Conselho. Só
o prefeito Roberto Peixoto não conseguiu ficar até
o fim das conversas e conchavos políticos que marcaram a
visita de Serra, que ficou em segundo plano, e ao mesmo tempo o
pré-lançamento da campanha eleitoral do próximo
ano.
A
primeira visita de José Serra à Taubaté depois
de ter tomado posse como governador de São Paulo marcou definitivamente
o início da disputa pela prefeitura no ano que vem. A mais
de um ano e meio ainda do pleito, as alianças já começam
a ser costuradas e os prefeituráveis já fazem o lobby
pelas suas candidaturas.
Na sexta-feira, 16 de fevereiro, o governador de São Paulo
esteve na cidade para visitar o resultado das reformas do Hospital
Regional. No entanto, a presença de Serra ficou em segundo
plano diante da disputa explícita de lideranças políticas
de Taubaté, que só falam e pensam na eleição
municipal de 2008.
Candidato assumido à reeleição, o prefeito
Roberto Peixoto recebeu Serra no campo de futebol do Bom Conselho,
onde pousou o helicóptero do governador. Após cumprimentá-lo,
Peixoto seguiu com o governador a pé até o Hospital
Regional. Essa foi sua única atividade. Visivelmente constrangido
com a presença de várias lideranças do PSDB,
inclusive a do ex-prefeito e seu ex-padrinho político José
Bernardo Ortiz, Peixoto limitou-se a acompanhar o governador até
o elevador que dá acesso aos demais andares do hospital,
antes de pronunciar suas únicas palavras: “Bem, agora
vou embora”.
Antes de regressar ao Palácio do Bom Conselho, o prefeito
atendeu CONTATO. Questionado se irá mesmo para o PMDB, o
prefeito desconversou:
“Provavelmente em março, no mais tardar em abril, definirei
meu futuro. Mas devo conversar com a direção estadual
e nacional do partido antes de tomar qualquer decisão, pois
aqui na cidade não tem como, já que o PSDB tem dono.
[se referindo à família Ortiz, que domina o partido
em Taubaté e iniciou processo de expulsão do prefeito
da legenda].” Na quarta-feira, 28, Peixoto desfiliou-se oficialmente
do PSDB e, de quebra, levou junto seu vice, também tucano,
Alexandre Danelli.
Já o ex-prefeito José Bernardo Ortiz não poupou
críticas a Peixoto. Bem mais a vontade do que o atual chefe
do Executivo, o “Velho” disparou contra seu ex-pupilo:
“É um governo medíocre. Se ele sair do partido,
vai ser uma grande alegria pra nós. O PSDB não tem
donos não, tem gente de bem.”
Indagado sobre sua possível quarta candidatura a prefeito,
Bernardo Ortiz, com 70 anos, disse que o candidato “certamente
será meu filho”, presidente do PSDB em Taubaté,
José Bernardo Ortiz Júnior, com apenas 31 anos. “Vou
ajudá-lo trabalhando principalmente na área da saúde
e da educação”, disse.
Ortiz (pai ou filho) e Peixoto, por enquanto, são as únicas
candidaturas mais visíveis no cenário político
da terra de Lobato. Porém, outras lideranças políticas
são apontadas como possíveis candidatos. É
o caso do ex-prefeito e também ex-pupilo de Bernardo, Antonio
Mário Ortiz, que na última eleição para
deputado conseguiu 40 mil votos somente em Taubaté. Com jeito
discreto, Mário, que é o principal nome do PD (ex-PFL)
na cidade, foi respaldado na visita de Serra pelo deputado estadual
eleito Marco Aurélio Bertaiolli, cacique da legenda na Região.
“Estamos aqui pra prestigiar nosso governador e também
para marcar presença”, disse Mário, antes de
ser efusivamente abraçado por outro prefeiturável,
o deputado estadual Padre Afonso Lobato (PV).
“Peixoto
me vê como adversário desde o primeiro dia em que assumiu”
(Deputado padre Afonso)
Padre
Afonso era o mais “faceiro” no evento. Ele conversou
com todas as lideranças, menos o prefeito Roberto Peixoto.
“Com ele [Peixoto] parece que não há jeito mesmo,
pois o diálogo se tornou muito difícil”. Perguntado
se o prefeito o vê como adversário e, por conta disso,
o distanciamento, Padre Afonso foi enfático: “O Peixoto
me vê como adversário desde o primeiro dia em que ele
assumiu”, disse.
Além de abraçar fortemente Mário Ortiz, o deputado
fez questão de cumprimentar José Bernardo Ortiz e
seu filho Júnior. Os dois conversaram sobre possível
encontro para discutir política.
Já Mário Ortiz não ficou atrás. Conversou
com Júnior Ortiz na saída do HR juntamente com Bertaiolli,
que não descarta uma aliança de Mário Ortiz
com Júnior. “Tudo pode acontecer. Vamos ver se os interesses
são os mesmos, mas sempre digo que não custa nada
uma boa conversa”, disse o dirigente do PD.

Prefeito Roberto Peixoto apenas cumpriu a parte formal de introduzir
o governador José Serra no Hospital Regional
Os prefeituráveis
dep. Pe. Afonso e Bernardo Ortiz trocam figurinhas nos corredores
do HR.

Rolou
o maior clima entre Pe. Afonso e o ex-prefeito Mário Ortiz
revelado pelos alegres e descontraídos sorrisos.

Coalizão: o "cacique" BErtaioli
e seu fiel escudeiro Mário Ortiz batem longo papo com Junior
Ortiz. Aliança?
Blindado
Quem
estava acostumado com o fácil acesso ao ex-governador Geraldo
Alckmin em suas visitas a Taubaté estranhou a forte blindagem
que assessores fizeram para José Serra. Durante entrevista
coletiva em sala apertada, repleta de repórteres e cinegrafistas,
Serra só se prestou a responder o que lhe convinha. Fugiu
das perguntas de praxe sobre o Hospital Regional e até sobre
o movimento nas estradas. CONTATO quis saber o que ele achava da
disputa pela prefeitura de Taubaté. “Só vim
aqui pra falar de Saúde”.
Mas, nos bastidores, Serra recomendou que seria mais prudente que
o prefeito Roberto Peixoto migrasse para um partido de sua base
aliada na Assembléia, caso do PD, por exemplo, em detrimento
do PMDB, que não faz parte do bloco serrista.
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