Novamente:
Brasília é aqui!
Por
Bruno Monteiro
Texto e fotos
Peixotistas
conseguem engavetar mais um CEI
Mesmo com seis votos a favor, CEI para apurar irregularidades
apontadas pela CGU é rejeitada. A oposição
deverá recorrer à Justiça enquanto o líder
do prefeito, vereador Chico Saad, vira alvo de colegas
Vereadores
Luizinho da Farmácia e Jeferson Campos batem boca no meio
do plenário. Essa briga é antiga.
Mesmo
diante de um grupo maior de oposicionistas, os vereadores comandados
pelo Palácio do Bom Conselho conseguiram mais uma vez engavetar
o pedido de CEI (Comissão Especial de Inquérito) contra
o prefeito Roberto Peixoto. A CEI era para apurar as inúmeras
irregularidades apontadas pela CGU (Controladoria Geral da União)
em fiscalização feita no ano passado em relação
as verbas e convênios federais existentes na cidade em parceria
com a prefeitura. As irregularidades mais graves que a CGU estão
concentradas naá gestão do programa social Bolsa-Família
por parte do Executivo municipal.
Ainda com a ressaca do carnaval, os vereadores fizeram a sessão
ordinária que debateu, votou e engavetou a CEI na quinta-feira
após os festejos carnavalescos. Como era de se esperar, o
plenário da Câmara ficou praticamente vazio e até
uma vereadora faltou à sessão, Maria Tereza Paolicchi
(PSC), alegando problemas de saúde.
Os dois blocos de vereadores da Câmara (Oposição
e Governo) se digladiaram em seus argumentos. Dos peixotistas, o
mais efusivo era o líder do governo da Câmara, vereador
Chico Saad (PMDB), que a cada brecha arrumava um jeito de subir
à tribuna. Na palavra inicial dos vereadores, por exemplo,
Saad falou por cerca de 40 minutos, com um calhamaço de documentos
que, segundo ele, atestavam a idoneidade da prefeitura.
O líder do governo chegou a dizer que os indícios
apontados pela CGU eram “bobagens” e que, em outras
cidades, irregularidades muito mais graves foram descobertas. “Teve
cidade que até vereador recebia o benefício. Agora
ficam criando caso por coisinhas bobas. Tudo agora é motivo
de CEI.”
Outra estratégia de Chico Saad foi a intimidação.
“Temo que o governo federal possa cancelar o Bolsa-Família
para Taubaté.”
Mas nem tudo eram flores para Saad. Ele foi o principal alvo dos
vereadores de oposição, que não gostaram nada
de Saad ter, segundo eles, declarado à imprensa que alguns
vereadores ficavam como urubus em cima do prefeito.
“Acho que o vereador deve ter cuidado com o que fala, principalmente
de nós colegas. Li no jornal que ele insinuou que somos urubus.
Urubu é quem fica dependente do Poder Executivo”, disse
o vereador Orestes Vanone (PSDB), visivelmente transtornado.

Vanone enquadrou Chico Saad: "Não sou urubu. Urubu é
quem depende da prefeitura".
Chico Saad respondeu que não falou em urubus para os vereadores,
mas disparou. “Se a carapuça serviu, o que eu posso
fazer. O vereador Vanone não é urubu, mas é
muito grosseiro, pois fica fazendo joguinho de palavras.”
Outro embate na sessão se deu entre os vereadores Jeferson
Campos (PT) e Luizinho da Farmácia (PDT), quando, cada um
defendendo seu ponto de vista sobre a questão, chegaram até
a bater boca no plenário.
Delegacia
A
parte cômica da sessão ficou por conta do vereador
Pastor Valdomiro (PR). Da tribuna, disse que não era a favor
da CEI: “Se querem investigar, vão para a delegacia”.
A discussão da abertura de Comissão Especial de Inquérito
começou às 19h30 e só foi votada por volta
da 23h30. Doze vereadores votaram. O placar registrou empate. Seis
vereadores votaram a favor da CEI: (o petista Jeferson Campos, os
tucanos Orestes Vanone, Maria Gorete e Angelo Filippini, Maria das
Graças do PD (ex-PFL) e a Professora Pollyana Gama do PPS.
Votaram contra a CEI: Chico Saad, Luizinho da Farmácia, Henrique
Nunes, do PPS, Rodson Lima, do PSC, Ary Filho, do PTB e Pastor Valdomiro.
O vereador Carlos Peixoto (PMDB) não vota por ser o presidente.
Já a vereadora Maria Tereza não estava presente. Um
problema de saúde impediu-a de comparecer.
A Comissão não foi instalada em razão de uma
interpretação sobre o Regimento Interno da Câmara.
A criação de uma CEI exigiria maioria simples dos
vereadores no plenário. Como a Câmara em Taubaté
possui 14 vereadores, seriam necessárias oito adesões.
Porém, a Lei Orgânica do Município, correspondente
à Constituição no município, é
muito clara quando afirma, no seu artigo 9 que “compete à
Câmara (...) criara comissões especiais de inquérito
(...) sempre que o requerer, pelo menos, um terço dos seus
membros.”
ADIN
Diante
da evidente contradição, um dos vereadores oposicionistas
encabeçou a iniciativa de abrir a CEI na Justiça.
Jeferson Campos disse que seu partido, o PT, entrará com
uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) contra
o regimento interno da Câmara.
“Continuo com meu ponto de vista. A CEI já está
instalada, pois a Lei Orgânica do Município fala em
apenas um terço dos vereadores. Vamos sim entrar na Justiça
para nos valer esse direito”, afirmou o petista Jéferson
Campos.
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