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Recursos
Públicos
Quem banca essa segurança privada?
Nossa reportagem flagra seguranças
de uma empresa que presta serviços à prefeitura trabalhando
na residência do diretor do DOP – Departamento de Obras
Públicas – que passava os feriados de Carnaval em Ubatuba.
Detalhe: os dois funcionários foram escalados oficialmente
pelo Departamento de Segurança da Prefeitura.

Flagrante: troca de turno dos seguranças da
prefeitura que garantiram sossego do diretor do DOP em Ubatuba.

Toca
o telefone da redação. Na outra ponta, uma voz nervosa
diz que tem informações a respeito de um diretor de
departamento da prefeitura. Que tipo de informação?
Só pessoalmente responde. Definido o local, para lá
seguem nossos repórteres. Bastaram dois dedos de prosa e
uma caminhada de 200 metros para comprovar do que se tratava: o
uso indevido de quatro funcionários de uma empresa de segurança
contratada pela prefeitura para fazer a segurança durante
24 horas dos dias 17 a 20 de fevereiro, ou seja, de sábado
a terça-feira de Carnaval. A casa situada à rua Rafael
Braga 200 pertence ao engenheiro Gerson do Araújo, diretor
do departamento de Obras Públicas do município, que
passava os feriados em Ubatuba.
Precavido, nosso repórter quis saber se algum dos funcionários
assumiria a denúncia. Diante da negativa motivada pelo temor
de uma demissão sumária, foi solicitado que apresentassem
alguma prova concreta. Poucas horas depois, foi entregue ao nosso
repórter uma cópia da “ESCALA DE SERVIÇO
– CARNAVAL DE 17 A 20/02/02”, reproduzida abaixo, devidamente
assinada por Nelson de Jesus Filho, gerente da área de segurança,
e Luis Carlos do Prado, coordenador da área de segurança
responsável pela fiscalização das escalas.
O motivo da denúncia é o descontentamento generalizado
na área de segurança municipal comandada pelo delegado
Simões Berthoud.
Segundo a escala de serviço, às 18 horas daquele sábado,
17, haveria a troca de funcionários. O funcionário
Barbosa, que nossa reportagem não conseguiu identificar seria
rendido por Marcos Luiz da Silva, proprietário da moto Honda/C100
BIZ, chapa DEP 1586 conforme registros obtidos junto ao Ciretran.
Barbosa e Silva seriam funcionários da empresa Vanguarda
Segurança e Vigilância Limitada, uma empresa contratada
pela prefeitura de Taubaté, que está no ramo desde
1975, de acordo com sua página na web.
Por volta das 17h 30 desse mesmo sábado, nossa reportagem
registrou as fotos que ilustram essa matéria. Gerson Araújo
estava tranqüilo em Ubatuba porque sua casa estava sendo protegida
por seguranças pagos com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.
Quem
é quem
Gerson Araújo é engenheiro e está como diretor
do DOP – Departamento de Obras Públicas. Em abril de
2005, ele esteve no olho do furacão provocado por licitação
eivada de falhas que a dirigiam para um único fornecedor
de usina de asfalto a quente móvel. Na edição
219 CONTATO afirmava na abertura da matéria: “Afinal,
um contrato de R$4,8 milhões para fornecer asfalto durante
30 meses com insumos fornecidos pela prefeitura não acontece
todos os dias”. Sua grande e confortável residência
onde nossa reportagem flagrou a troca de seguranças foi totalmente
reformada, no início de 2005, pelo amigo Benedito (Dito)
Lagoinha para quem Araújo assinava como responsável
técnico da empresa Companhia Valeparaibana de Obras Públicas
– CVPO. Até pouco tempo, Gerson era tido como o interlocutor
mais influente do prefeito Roberto Peixoto. Foi desbancado pelo
amigo e delegado de polícia Simões Berthoud apresentado
pessoalmente por ele, Gerson, ao prefeito e à primeira-dama
Luciana Flores Peixoto, diretora do DAS – Departamento de
Ação Social. Desde então, vive sob intenso
fogo amigo dos amigos mais amigos de Peixoto.
Nelson de Jesus Filho é um velho conhecido do jornal CONTATO.
Em 2005, ele comandava um grupo de ex-policiais militares da famigerada
Ronda Especial, que reprimia de forma truculenta pessoas e famílias
depauperadas que buscavam algum tipo de serviço em Taubaté.
Além disso, eles faziam segurança pessoal e patrimonial
do prefeito. No dia 15 de março, juntamente com outros cinco
membros da Ronda, Nelson comandou e agrediu pessoal e covardemente
Paulo de Tarso Venceslau, diretor de redação de CONTATO,
e o jovem repórter Alan Brito que fazia sua primeira reportagem
de rua. A agressão foi comemorada com champanhe no Palácio
Bom Conselho por Fernando Gigli Torres, chefe de Gabinete do Prefeito.
Foi feito exame de corpo de delito em Paulo de Tarso que comprovou
escoriações provocadas por Nelson. Na 1ª Delegacia
foi registrado um BO – Boletim de Ocorrências. A Prefeitura
nunca se pronunciou. E a Justiça ainda não julgou.
Nelson assina a Escala de Serviço como Gerente de Área
de Segurança da prefeitura. CONTATO apurou que há
pouco tempo ele recebia mais de R$ 5.000,00 por mês.
Luiz
Carlos do Prado é o Coordenador da Área de Segurança
da prefeitura, que fiscaliza o trabalho das escalas de serviço.
CONTATO apurou que Prado é contratado como autônomo
uma vez que recebe através de RPA – Recibo de Pagamento
de Autônomo – seu salário que é da ordem
de R$ 2.500,00.
Barbosa
e Marcos Luiz da Silva eram funcionários da antiga Ronda.
Consta que de desde que a prefeitura assinou contrato com a empresa
Vanguarda Segurança e Vigilância os dois passaram a
ser pagos por ela. Prado é proprietário da moto Honda/C100
BIZ, chapa DEP 1586, flagrada entrando na residência do diretor
do DOP. A outra moto de chapa CBY 1306 (?), pilotada provavelmente
por Barbosa, não foi devidamente identificada. Caso a placa
seja mesmo aquela, será mais problema a ser resolvido pelos
inquilinos do Palácio Bom Conselho. A placa seria fria porque
pertenceria a um velho Passat já desmontado e vendido como
ferro velho.
Delegado Simões Berthoud
é delegado de polícia de carreira. Foi apresentado
ao prefeito pelo diretor do DOP, engenheiro Gerson de Araújo,
para ocupar o cargo de diretor do Departamento de Segurança
Pública da prefeitura. Hoje, ele é o principal interlocutor
de Roberto Peixoto e de sua esposa Luciana Flores Peixoto. A ascendente
influência junto ao casal titular do Palácio Bom Conselho
desperta ciúmes indescritíveis por parte de assessores
palacianos de vários níveis. Procurado por nossa reportagem,
Simões, que sempre atendeu prontamente nossas chamadas, dessa
vez fechou-se em copas. Um comportamento bastante diferente do seu
amigo e padrinho Gerson do Araújo.

Gerson disse que não é problema dele a escala de segurança
da prefeitura.
A empresa Vanguarda Segurança Vigilância
Ltda foi contratada em caráter emergencial, sem licitação,
em novembro de 2006, para fazer toda a guarda patrimonial do município
pelo valor de R$ 614.415,56, por um período de até
seis meses. Na época, a prefeitura disse que contrato emergencial
era necessário porque PMs reformados que faziam parte da
Ronda Especial, tiveram que ser afastados em razão de uma
pessoa não poder receber rendimentos de mais de uma instituição
pública ao mesmo tempo. Por causa disso, a prefeitura foi
obrigada a fazer um TAC - Termo de Ajustamento de Conduta - com
o Ministério Público. Naquela mesma ocasião,
o delegado Simões, segundo o jornal Valeparaibano, “informou
ainda que os atuais policiais militares reformados que fazem a guarda
não ficarão sem empregos [porque] a empresa [Vanguarda]
contratará todos os 62 policiais reformados que temos hoje."
O Ministério Público, naquela ocasião,
ainda segundo o Valeparaibano, através do promotor José
Carlos de Oliveira Sampaio, não quis comentar o assunto,
pois segundo ele, [o MP] “não recebeu nenhum esclarecimento
oficial”.
Outro
lado
Sem medo de mostrar a cara, Gérson Araújo recebeu
novamente CONTATO em seu gabinete, no DOP. Inteirado de toda a denúncia
mostrada em nossa reportagem, o diretor de Obras deu sua versão
sobre a “segurança oficial” em sua casa.
Araújo confirmou que os seguranças são sim
funcionários da empresa que presta serviço para a
prefeitura. Mas alegou que faz o pagamento do serviço de
seu próprio bolso. Questionado sobre a escala oficial da
segurança da prefeitura, o diretor do DOP disse não
saber se os seguranças que trabalham em sua casa estão
ou não no horário de expediente da prefeitura. O engenheiro
alegou que isso não é o problema dele e que ele só
pede para um guarda, que namora sua irmã, “arrumar
uns caras (sic)” para tomar conta de sua casa.
Procurado ostensivamente pela reportagem, o diretor do departamento
de Segurança Pública do município, o delegado
Luiz Simões Berthoud, não foi encontrado para dar
explicações, desligando a todo o momento seu celular.
A Prefeitura Municipal de Taubaté não retornou para
responder as questões feitas ao jornalista Carlos Alberto
da Silva, gerente de Comunicação.
A empresa Vanguarda Segurança e Vigilância Ltda não
respondeu os quesitos formulados por nossa reportagem até
o fechamento dessa edição.
Jurisprudência
Em
2004, o então secretário-adjunto da Secretaria Estadual
de Relações do Trabalho, Dorival Braga, foi exonerado
cargo pelo governador Geraldo Alckmin por usar carro oficial para
se divertir em Caraguatatuba, depois do flagra feito pelo jornal
Valeparaibano, Não restava outra escolha ao então
governador perante a opinião pública senão
exonerar Braga.
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