Por Paulo Venceslau
Colaborou Bruno Monteiro

“Saio do PSDB para ter paz”


Entrevista exclusiva com o vice-prefeito e diretor do Departamento Econômico de Taubaté (antigo GEIN), Alexandre Danelli, sobre sua saída do PSDB



Alexandre Danelli

 

Prestigiado empresário no ramo imobiliário, Alexandre Danelli foi escolhido pela cúpula tucana para dar maior credibilidade à frágil candidatura de Roberto Peixoto ao Palácio do Bom Conselho. Vitoriosos, os embates entre o ex-prefeito José Bernardo Ortiz Danelli e seu sucessor fizeram muitas vítimas. Uma delas foi Danelli, até então identificado como membro da tropa bernardista, abruptamente excluído do departamento de Planejamento e escanteado para uma gerência que virou departamento, o antigo GEIN (Grupo de Expansão Industrial).


Criticado por amigos e empresários pelo seu silêncio diante dos desvios perpetrados pela administração municipal, Danelli manteve-se impassível. Na quarta-feira, 28, seu desligamento do PSDB juntamente com Roberto Peixoto pegou de surpresa até mesmo seus amigos mais próximos. Nessa entrevista, o vice-prefeito abre o jogo sobre sua saída do ninho tucano e não descarta seguir carreira solo na política. Mas, em quase todas as perguntas, ele afirma: “Quero paz para trabalhar, por isso saí do PSDB.”

 

CONTATO: Quais as razões que fizeram você deixar o partido, juntamente com o prefeito Roberto Peixoto?
Alexandre Danelli: A razão é simples. O prefeito me comunicou na segunda-feira, 26, ainda em São Paulo, que ele tinha ido ao partido, havia conversado com os dirigentes [e] que saiu do partido. Ontem [terça-feira, 27] eu fiz uma carta me afastando do partido também. Não teve pressão nenhuma, não teve pedido nenhum por parte do prefeito. Simplesmente eu faço parte da administração e estou com um trabalho em andamento e quero paz para terminar este trabalho. Sei que vai haver especulação, pelo fato de estar saindo ligado a ele, como haveria especulação se eu ficasse no partido, sabendo que o ex-prefeito [José Bernardo Ortiz] e o Júnior [Ortiz, presidente da legenda em Taubaté] estão lá há bastante tempo e continuam no partido. Se eu fico, parece que eu estou grudado em um, seu saio, estou grudado em outro. Eu tenho independência, entrei independente na política, e saí simplesmente por achar interessante até para ter mais espaço para trabalhar.

 

CONTATO: Isto significa uma frustração com as propostas tucanas?
Danelli:
Não. Não tenho nada contra o partido, [ao qual] me filiei por ser o mais próximo do que eu acredito que seja verdadeiro e melhor. Tudo na vida tem desgaste. Simplesmente por questão pessoal e pontual para buscar uma paz, e na política a gente sabe que geralmente é mais turbulenta, por isso essa foi a alternativa que vi para que eu tenha paz para continuar trabalhando para Taubaté.

 

CONTATO: Essa saída significa uma ruptura com o ex-prefeito José Bernardo Ortiz?
Danelli:
Volto a falar. Não tenho problema nenhum. Não saio com mágoa do partido. Foi uma questão pessoal por achar que desta forma eu vou ter mais tranqüilidade para trabalhar.

 

CONTATO: Você acha que será apontado com uma identidade muito grande com o prefeito Roberto Peixoto?
Danelli:
Não, pelo seguinte. Primeiro, não [houve] pressão feita por ele. Segundo, saio por uma vontade própria e momentânea, pois estou deixando todas as portas abertas dentro do PSDB e tenho vontade de um dia voltar, ou me filiar a um partido que tenha semelhança com a proposta de melhoria de crescimento que o PSDB tem e já até teve mais. Mas eu não tenho problema nenhum com o PSDB. Não tenho o compromisso de ir para o partido no qual o prefeito deve ir, pois eu nem sei pra qual ele vai. Repito que não tenho nenhum compromisso de acompanha-lo.

 

CONTATO: Todo esse cenário representa um projeto de carreira solo?
Danelli:
Não. No momento não penso nisso. Sempre falo que a vida é dinâmica e tudo é possível, principalmente em política. Carreira solo pode ser agora, mas também pode ser no futuro. Uma vez estando na política, pretendo continuar trabalhando na política por mais algum tempo. Essa atitude de sair hoje não está vinculada a carreira solo.

 

CONTATO: Se eventualmente for convidado para ser candidato a prefeito, você aceitaria?
Danelli:
Volto a falar: pra essa eleição não penso, mesmo sabendo que tudo pode acontecer. A gente não sabe o que vai acontecer. Se as coisas aparecerem de maneira aberta e extremamente propicia, você não pode se privar de aceitar um desafio. Eu já aceitei um desafio quando me convidaram para entrar. Dentro da política, não vou deixar de aceitar um desafio que for bom para mim e para cidade. Volta a falar que tudo é possível. Mas repito: a posição tomada não tem nada haver com a eleição do ano que vem.

 

CONTATO: Até outubro, quando é o prazo final para filiações partidárias, você já terá definido seu futuro político-partidário?
Danelli:
Eu pretendo ficar parado uns dois ou três meses. Quando chegar a época próxima da eleição, é lógico que eu vou verificar como é que a poeira baixou e provavelmente eu vá me filiar a outro partido. Se eu pretendo continuar na política, tenho que estar filiado a um partido.

 

CONTATO: A política é vista por muita gente como cachaça. O Alexandre Danelli foi mordido pela mosca azul da política?
Danelli:
Eu não sei se a mosca da política me pegou, mas que a cachaça é gostosa, [isso ela] é.


 

| home |

© Jornal Contato 2006