UNITAU X ALUNOS (POBRES)
Universidade
restringe bolsas de estudos e cria uma situação conflituosa
com os alunos mais carentes. Lideranças estudantis classificam
a medida de excludente.

Com
a volta às aulas, nos deparamos com uma nova condição
no edital da bolsa SIMUBE/UNITAU: as inscrições são
SOMENTE PARA AS PENÚLTIMAS E ÚLTIMAS SÉRIES.
Ou seja, apenas os alunos no final do curso estão aptos a almejar
a bolsa mais conhecida e importante da Universidade.
Isto é um disparate da instituição, sob a responsabilidade
do Pró-Reitor Estudantil, Prof. Armando Monteiro de Castro.
Revela uma incompreensão por parte da Unitau a respeito da
situação de diversos alunos que, mesmo com bolsas, encontram
muitas dificuldades financeiras para completar seus estudos. Além
disso, é uma medida que exclui a possibilidade dos alunos recém
chegados à Universidade de pleitear esta bolsa caso sejam privados
de boas condições sócio-econômicas.
Prejudicados, os alunos dos primeiros anos com necessidades de um
suporte para as bolsas de estudos SIMUBE fatalmente abandonarão
seus cursos ou abrirão processo de transferência para
outra instituição de ensino superior, uma vez que não
poderão esperar chegar aos últimos anos do curso para
conseguir esta bolsa. Na Medicina, a medida do Pró-Reitor Estudantil
é tida como um ultraje à dignidade dos colegas que agora
choram, literalmente, e pedem um auxílio ou solução
para não abandonar o curso de maneira abrupta. Esses colegas
foram pegos de surpresa por esta medida burocrática autoritária
e excludente.
As dificuldades da UNITAU com a concorrente Anhangüera podem
estar na raiz dos problemas. Fica evidente que tudo isso é
conseqüência da política da Universidade para atrair
alunos através de bolsas-convênio, tais como os firmados
com o colégio IDESA e o Sindicato dos Metalúrgicos.
Como? Simples, a demanda pelas bolsas-convênio provavelmente
excedeu os limites estabelecidos e a compensação viria
através da bolsa SIMUBE.
A medida da Pró-Reitoria Estudantil, portanto, é encarada
como um fator de exclusão dos alunos de classe econômica
mais baixa da Universidade, que não dispõem do Programa
FIES e o Bolsa Família para eles. Em outras linhas, determina-se
uma espécie de eugenia econômica na UNITAU. Como a taxa
de inadimplência altíssima incomoda muito a Administração
Superior, correlaciona-se estas ações frias e indecentes
com uma nova e definitiva era do “só fica quem pode pagar”.
Sabemos que a UNITAU está em dificuldades extremas com a evasão
de seus alunos, baixas no vestibular e matrículas. Assim, não
devemos questionar negativamente a abertura de bolsas-convênio
como alternativa para um problema que também é nosso
enquanto estudantes. Contudo, não podemos permitir que colegas
em situação financeira desfavorável sejam lesados
com tal compensação. Ainda que no princípio a
abertura de bolsas-convênio não tivesse a intenção
de culminar com esta medida sobre a bolsa SIMUBE, o que presenciamos
hoje é o desespero de causa crescente da Administração
Superior da Universidade. Esperamos que esta administração
comece a pensar melhor sobre suas medidas prejudiciais aos alunos
ao invés de se preocupar em perseguir aqueles que a criticam.
Mas isso é um assunto para o próximo Ponta de Faca.
Por
Harold Maluf
Presidente do DABM - Medicina