A
autoridade deve ser ostensiva, surgindo às claras,
diante de cidadãos do país, os que se
defendem e os que são indefesos, por natureza,
isto é, por pobreza. Não é por
outra razão que os carros da Polícia são
espalhafatosos, portando cores berrantes e desenhos
bizarros. Você não pode se demorar distinguindo
o veículo onde está a defesa de seus direitos
ou suas fragilidades.
O corpo de bombeiros e a estridência de suas chegadas
tem esse procedimento porque tem urgência na chegada
aos locais de incêndios em razão da missão
que os espera e para dar esperança da chegada
iminente do socorro e alívio.
Não é esse o comportamento das patrulhas
que comandam o punitivo e só punitivo sistema
de radar que vigia rodovias estaduais, notadamente a
rodovia que liga Taubaté a Campos do Jordão.
Eles são civis e substituem os militares, agora
com outras funções. Os novos donos da
rodovia escondem-se em variadas formas de moita, indo
do matinho vizinho da estrada, até touceiras
de bambu, onde camuflam seus carros, geralmente carros
velhos e particulares, onde ficam sentados e a espreita
dos que se descuidam da velocidade, sendo imediatamente
punidos, em ações silenciosas, com finalidade
arrecadatória, gerando comissões participativas
no bolo financeiro.
É um sistema infernal de punição-arrecadação,
sem a ética da ostensividade da presença
da autoridade ali ou em qualquer outra modalidade de
fiscalização, pois se vale da “ética
dos bandidos”, que recomenda esconder-se para
não ser pilhados.
Os radares também ficam atrás das guardas
das pontes, podendo estar encobertos por outras moitas,
sempre escolhidos para camuflar “a autoridade-que-não-é-autoridade”
e que age à semelhança dos bandidos.
Trata-se de um dever da polícia rodoviária,
agora terceirizado e operado por empresas particulares
que mandaram às urtigas as obrigações
orientadoras da Polícia para só cuidar
de punir e arrecadar. É de se desconfiar desse
sistema financeiro de disciplina do trânsito,
não bastando os execráveis marronzinhos,
autores de antologias diárias de violência
contra cidadãos temerários que se arriscam
a andar pelas ruas de nossas cidades.
O Estado caminha para o desaparecimento de seus representantes,
preferindo expor a face covarde de arrecadadores de
multas, punidores oficiais. Já, já, tentarão
fazer o mesmo com a Justiça, delegando suas funções
para escritórios “de indiscutível
competência e ilibada idoneidade”. É
só esperar.
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