Por: Luiz Gonzaga Pinheiro - spesspei@uol.com.br

Escondidos e Cínicos

A autoridade deve ser ostensiva, surgindo às claras, diante de cidadãos do país, os que se defendem e os que são indefesos, por natureza, isto é, por pobreza. Não é por outra razão que os carros da Polícia são espalhafatosos, portando cores berrantes e desenhos bizarros. Você não pode se demorar distinguindo o veículo onde está a defesa de seus direitos ou suas fragilidades.
O corpo de bombeiros e a estridência de suas chegadas tem esse procedimento porque tem urgência na chegada aos locais de incêndios em razão da missão que os espera e para dar esperança da chegada iminente do socorro e alívio.
Não é esse o comportamento das patrulhas que comandam o punitivo e só punitivo sistema de radar que vigia rodovias estaduais, notadamente a rodovia que liga Taubaté a Campos do Jordão. Eles são civis e substituem os militares, agora com outras funções. Os novos donos da rodovia escondem-se em variadas formas de moita, indo do matinho vizinho da estrada, até touceiras de bambu, onde camuflam seus carros, geralmente carros velhos e particulares, onde ficam sentados e a espreita dos que se descuidam da velocidade, sendo imediatamente punidos, em ações silenciosas, com finalidade arrecadatória, gerando comissões participativas no bolo financeiro.
É um sistema infernal de punição-arrecadação, sem a ética da ostensividade da presença da autoridade ali ou em qualquer outra modalidade de fiscalização, pois se vale da “ética dos bandidos”, que recomenda esconder-se para não ser pilhados.
Os radares também ficam atrás das guardas das pontes, podendo estar encobertos por outras moitas, sempre escolhidos para camuflar “a autoridade-que-não-é-autoridade” e que age à semelhança dos bandidos.
Trata-se de um dever da polícia rodoviária, agora terceirizado e operado por empresas particulares que mandaram às urtigas as obrigações orientadoras da Polícia para só cuidar de punir e arrecadar. É de se desconfiar desse sistema financeiro de disciplina do trânsito, não bastando os execráveis marronzinhos, autores de antologias diárias de violência contra cidadãos temerários que se arriscam a andar pelas ruas de nossas cidades.
O Estado caminha para o desaparecimento de seus representantes, preferindo expor a face covarde de arrecadadores de multas, punidores oficiais. Já, já, tentarão fazer o mesmo com a Justiça, delegando suas funções para escritórios “de indiscutível competência e ilibada idoneidade”. É só esperar.

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