Aglomerados de galáxias são as maiores estruturas
em equilíbrio do Universo, com diâmetro típico
de 15 milhões de anos-luz. Os aglomerados contêm
milhares de galáxias, em geral elípticas e lenticulares,
com uma pequena fração de galáxias espirais
como a nossa.
A maior contribuição
para a massa dos aglomerados, no entanto, não vem das galáxias,
mas sim da chamada matéria escura. A presença desta
matéria, ainda desconhecida, é detectada de forma
indireta através de três métodos independentes.
Primeiro, pelo movimento das galáxias - quanto mais rápido
as galáxias se movem, maior é a massa inferida para
o aglomerado. Segundo, pelo efeito de lentes gravitacionais -
a luz de galáxias longínquas sofre um desvio devido
ao campo gravitacional do aglomerado e, com esta observação,
podemos deduzir a massa do aglomerado. Finalmente, por observações
em raios-X.
Tipicamente, cerca de 80%
da massa de um aglomerado está na forma de matéria
escura e 5% na forma de galáxias. Os restantes 15% estão
na forma de um gás difuso que permeia todo o aglomerado.
Este gás é muito mais rarefeito do que os melhores
vácuos produzidos na Terra: no centro de um aglomerado
a sua densidade é de cerca de apenas 10 prótons
por litro, ou seja, 10 miligramas em mil quilômetros cúbicos
e é, também, extremamente quente, com temperatura
da ordem de 50 milhões de graus. Nestas condições,
o gás está completamente ionizado e os elétrons,
que estão separados dos átomos, são atraídos
continuamente pelos núcleos (de carga positiva) produzindo
desta forma uma emissão de radiação eletromagnética.
Esta radiação de alta energia, mil vezes mais energética
que a luz visível, é observada como raios-X e este
processo de emissão é conhecido como radiação
de freamento.
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Devido à atmosfera da Terra, os raios-X são absorvidos
a dezenas de quilômetros acima da superfície e, na
prática, sua observação só é
possível por satélites artificiais. Os estudos sistemáticos
da emissão em raios-X de aglomerados de galáxias só
começaram por volta de 1980. Um salto na qualidade das observações
em raios-X ocorreu com os lançamentos do satélites
norte-americano Chandra, lançado em 23 de julho de 1999.
Desde as primeiras observações
em raios-X, foi possível medir a densidade e temperatura
do gás intra-aglomerado. Supondo que este gás esteja
em equilíbrio no campo gravitacional do aglomerado, é
possível deduzir não apenas a massa do gás,
mas também a massa total do aglomerado de galáxias.
Com os satélites mais
recentes, no entanto, aprendemos muito mais sobre os aglomerados
e o gás intra-aglomerado. A composição química
deste gás é semelhante a de estrelas como o Sol, mas
com cerca de um terço da abundância solar de elementos
químicos.
As teorias cosmológicas
atuais prevêem colisões e fusões sucessivas
entre aglomerados de galáxias, sendo este talvez o mecanismo
mais importante na sua formação. Isto afeta pouco
as galáxias, individualmente, mas tem conseqüências
dramáticas para o gás.
A energia cinética envolvida
em uma colisão entre o gás de dois aglomerados é
comparável à energia emitida por 10 bilhões
de estrelas como o Sol durante toda a vida destas estrelas.
O choque entre os aglomerados
provoca ondas de compressão no gás, causando a propagação
de frentes de alta temperatura. O estudo deste fenômeno nos
dará em breve indicações importantes para entendermos
o processo de formação de aglomerados de galáxias.
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