A Engenharia
Nacional

A Engenharia é uma ciência que surgiu há cerca de dez mil anos quando o homem abandonou as frias e úmidas cavernas. O “ingenarius” dos romanos mudou a face do mundo e terminou por se transformar no que hoje conhecemos por engenheiro

       A engenharia brasileira é bastante jovem. Teve origem na área militar. A vinda de D. João VI para o Brasil, fugindo das Tropas de Napoleão, impôs a necessidade de se reforçarem as fortificações, ainda hoje existentes em pontos estratégicos do nosso litoral e nas mais distantes fronteiras terrestres. Para isso, os melhores nomes da Engenharia Portuguesa foram convocados, formando-se sob a orientação desses homens o embrião da Engenharia em solo brasileiro.
       A necessidade do apoio de Engenharia às operações militares nasceu na Insurreição Pernambucana (1645-1654), através da construção e operação de uma portada de circunstância (balsa) que transportou todo o Exército Brasileiro de uma margem para a outra do Rio Tapacurá, em cheia, durante todo o dia 9 de julho de 1645. Isto colocou o Exército Brasileiro a salvo do Exército Holandês que foi detido pela cheia do histórico rio. Esta memorável e oportuna travessia militar contribuiu para vencer, logo a seguir, os holandeses em Monte das Tabocas e Casa Forte, abrindo caminho para a Batalha dos Guararapes.
       Ligada desde seu nascedouro,às travessias de rios, a Engenharia destacou-se, durante a Guerra da Tríplice Aliança, por memoráveis operações de transposição de cursos de água e de regiões pantanosas, dignas de figurarem na História Militar Mundial.
       Em 1792, o vice-rei D. Luiz de Castro, “Conde de Rezende”, assinou os estatutos aprovando a criação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho. Começou aí o ensino de disciplinas que seriam a base da engenharia no Brasil.
       Mais tarde, em 4 de Dezembro de 1810, o Príncipe Regente - futuro Rei D. João VI - assinou uma lei criando a Academia Real Militar, que veio suceder e substituir a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, e de onde descendem, em linha direta, a famosa Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, posteriormente chamada de Escola Nacional de Engenharia, alterada em seguida para Escola de Engenharia da UFRJ e, hoje, voltando a ser a Escola Politécnica, agora da UFRJ.

       A Academia Real Militar passou denominar-se Escola Militar e, em 1858, Escola Central. O ensino nessa Escola abrangia três cursos distintos: um curso teórico de Ciências Matemáticas, Físicas e Naturais, um curso de Engenharia e Ciências Militares, e um curso de Engenharia Civil voltado para as técnicas de construção de estradas, pontes, canais e edifícios, ministrado aos não-militares, ou seja, aos civis que freqüentavam as aulas. O nome civil ainda não tinha sido empregado, nem fora mencionado na Carta Régia que instituiu a Academia.
       Em 1880, a Lei Federal n° 2.911, de 21 de setembro, previa o emprego da engenharia “na construção de estradas de ferro, de linhas telegráficas estratégicas e outros trabalhos de pertencentes ao Estado...”

Estendendo a profissão aos civis
       A necessidade de desenvolvimento, principalmente nos setores de saneamento, ferroviário e de portos marítimos, motivou a fundação da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1874, estendendo a profissão também aos civis.
       A revolução de 1930 ampliou o espaço da modernização industrial e das instituições do estado - mais ativo e estruturado - e as profissões e as próprias relações de trabalho foram profundamente impactadas.
       Em dezembro de 1933, Getúlio Vargas promulga o Decreto Federal n.º 23.569 para regulamentar as profissões liberais de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores e instituir os Conselhos Federal e Regionais de Engenharia e Arquitetura.