“Taubaté não precisa de tanto assistencialismo”

Ao apagar das luzes de sua gestão como presidente da Câmara Municipal, o jovem vereador Carlos Peixoto (PMDB), o Carlão, está tranqüilo: conseguiu eleger como sucessor, por consenso, o vereador Luizinho da Farmácia (PR). Cumpriu, assim, religiosamente, acordo firmado em 2005 entre os dois e o vereador Henrique Nunes (PV). Naquela ocasião, o pacto conduziu Nunes à presidência em 2005, Carlão em 2006 e agora Luizinho. Agora anuncia um vôo solo, independente e um recado para o Palácio Bom Conselho. O próximo presidente será escolhido pelos vereadores que serão eleitos nas eleições de 2008

  

Por Paulo de Tarso Venceslau

 

       Carlão recebeu a reportagem de CONTATO em seu gabinete para uma entrevista exclusiva um ano após ter mantido conversa reservada com a direção do jornal. Naquela ocasião, a edição 302 estampava na capa uma foto do presidente então recém eleito com a manchete “Maioria será respeitada”. CONTATO é testemunha de que Carlão cumpriu rigorosamente o acordo, apesar de todas as pressões sofridas por parte do poder Executivo comandado pelo seu tio Roberto Peixoto (PMDB).
       Esse comportamento contribuiu para fazer de Carlão um presidente respeitado por todos os outros 13 vereadores e pela imprensa que acompanhou o dia-a-dia da Câmara, como é o caso do Jornal CONTATO, com quem o presidente estabeleceu um acordo cumprido integralmente por ambas as parte. “Esse tipo de acordo (de cavalheiros para estabelecer canal direto e franco e respeito recíproco) só fiz com o Jornal CONTATO, cumprido integralmente pelas duas partes”, recorda o presidente da Câmara.
       A tranqüilidade que marcou sua gestão só foi possível com o apoio decisivo e decidido de seu chefe de Gabinete, Itamar de Jesus, que “com pulso firme filtrava todas as demandas que chegavam”, conta Carlão. Itamar já foi vereador e chefe de Gabinete do então vereador Jair Gomes e, além de muito respeitado, conhece todos os meandros daquela Casa. “Procurei simplificar tudo, e cumpri rigorosamente a lei. O único problema pendente é a contratação de três funcionários – advogado da mesa diretora, assessor de comunicação e um cerimonialista – como cargos de confianças da presidência.
       Carlos Peixoto avalia positivamente seu mandato por ter enfrentado “o maior desafio para mostrar que seria um presidente independente. Pode perguntar aos outros 13 vereadores e verá que nunca usei de artimanhas para favorecer quem quer que seja, mesmo quando cobrado pelo Executivo. Eu poderia ter me afastado da presidência para votar favoravelmente e não o fiz”. Além disso, “investi pesado na comunicação para que a população conheça os vereadores”, relata Carlão.
       Registra uma única frustração quando relata que “não consegui construir o anexo previsto onde hoje funciona o estacionamento. Mas o projeto está pronto e poderá ser executado pelo Luizinho, porque a área já está desafetada (legalizada). Foi tudo um aprendizado. Cresci como político, com caráter e do ponto de vista humano. Mas não pretendo voltar à presidência tão cedo”.
       A prometida transparência também foi cumprida à risca. “Tudo que foi feito foi decidido através de muita conversa com todos os vereadores; e todos os contratos foram feitos através de licitação. Nenhum vereador entrou na minha sala para fazer qualquer proposta duvidosa. Além disso, respeitei a decisão da maioria”.

       Sobre os problemas ocorridos em duas ocasiões – invasão do plenário por estudantes da Unitau e a agressão do economista Felipe Malta – Carlão lembra que estava de licença no episódio dos universitários. Já o segundo episódio é analisado de forma ambígua. “Se o Felipe estava cometendo um abuso [ao acusar os vereadores de estarem recebendo mensalão] e tumultuar o ambiente, a Polícia Militar deveria ser chamada, como o foi, para pôr ordem na Casa. Creio que faltou calma. Mas não justifica a atitude dos vereadores [Rodson Lima deu uma gravata em Malta e Henrique Nunes o agrediu verbalmente]. Mas isso só aconteceu porque nossa comunicação foi massificada com a transmissão da sessão pela TV Câmara”.
       Carlos Peixoto é grato ao vereador Luizinho. “Sou presidente graças a ele. Em 2006 a oposição poderia ter vencido a disputa com o voto dele. Mas ele cumpriu o acordo firmado em 2005 comigo e com Henrique Nunes. E eu fui eleito presidente. Atitudes como essas fizeram com que Luizinho despontasse como consenso natural. Quando, há um mês atrás, Jéferson [Campos (PV)] declarou que seu voto iria para Luizinho eu tive a certeza que ele [Luizinho] seria eleito.
       Quando solicitado a estabelecer uma relação entre o período que foi líder do Governo com o de presidente, foi categórico “Prefiro a segunda parte. Não sou como o Chico Saad que nasceu para ser líder de governo. Me sinto mais à vontade sendo eu mesmo”.
       Sobre a criação de um Conselho Editorial pluralista para gerir a TV Câmara, Carlão tem certeza que “esse sonho será transformado em realidade em 2008. Pedro Rubim (diretor da TV Câmara) está recolhendo experiências que já existem e conta com o apoio de professores da Unitau – Fábio Ricci e Eliane Freire – que se prontificaram a ajudar nessa empreitada”.
       Carlão também não economiza elogios para o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Joffre Neto que “teve a coragem de criar a TV Câmara. Ele deve ter apanhado muito na época e nós devemos muito ao Joffre que foi um grande presidente dessa Casa”.
       Sobre sua relação com seu tio e prefeito Roberto Peixoto, Carlão revela que “já fui um pouco conduzido por ele. Hoje, [estou] com Deus e minha equipe. Acredito nele [Peixoto]. É uma pessoa de bem, bom caráter, mas prefiro andar com minhas próprias pernas. Tenho muito a agradecer aos vereadores e minha equipe. Mas quero também responder àqueles que julgavam que a Câmara, sob minha gestão, seria o quintal do Executivo, assim como àqueles que torceram contra. A todos deixo meu abraço e saio com a certeza que Taubaté não precisa de tanto assistencialismo”.