Mônica Bergamo:
"Já me chamaram de tucana e de petista"

A jornalista Mônica Bergamo fala como pensa e trabalha: rápido e muito. Para manter vibrante a sua coluna na "Ilustrada", da Folha de S.Paulo, onde é titular desde 2000, quando substituiu Joyce Pascowitch, ela nunca fica fora do ar. Antes do colunismo, Mônica foi repórter da Folha, Veja, PlayBoy e diretora da Band em Brasília. A entrevista completa está na edição de dezembro da revista IMPRENSA. Aqui você confere um aperitivo da conversa.

Por Pedro Venceslau. Foto Adolfo vargas

Na sua coluna, você costuma contar alguns diálogos ou detalhes dos bastidores que, às vezes, são hilários, mas revelam coisas que a fonte nem sempre gostaria que fossem publicadas...
Mônica Bergamo-
O quê, por exemplo?

A Juliana Paes pediu para não contar que a unha dela é postiça porque é garota-propaganda de uma marca de esmalte, a Colorama...
O jornalista é como padre. Se a pessoa pede off, eu respeito. Agora, se você vê que a Mônica é uma colunista que se veste mal, por que não colocaria isso na matéria? Não tem sentido que eu peça para você escrever que eu me visto bem.


Você publicaria a foto de uma personalidade casada na praia com uma amante? Ou o furo de uma briga conjugal?
Não. Vou dar um exemplo. Eu sempre soube que Caetano Veloso e Paula Lavigne estavam brigando e se separando, mas não falei nada na coluna. É uma regra daFolha. No dia em que se separaram de vez, ele me mandou um e-mail contando. Foi um puta furo. Agora, veja bem, isso não significa que eu não adoreee publicar esse tipo de nota... (risos).

Em 1994, quando você trabalhava na Veja, foi escalada para ir a Portugal entrevistar a jornalista Miriam Dutra, da Globo, que teria um filho com o Fernando Henrique. Por que essa matéria não saiu? Por que, na sua opinião, o filho dele fora do casamento nunca foi notícia?
Existe uma tremenda falsa polêmica nessa história. Como você sabe que ele tem [um filho fora do casamento]? Quem te falou isso?

A revista Caros Amigos...
E quem falou para a Caros Amigos?

Ninguém desmentiu.
Ninguém desmentir é uma coisa. Outra coisa é afirmar. Nunca ela falou publicamente que o filho é dele. O FHC também nunca falou sobre isso. Quando eu trabalhava na Veja, a revista fez o oposto do que pensam e mobilizou seus repórteres para esclarecer a história. Fui enviada a Portugal, onde ela morava. Sentei na frente da Miriam, liguei um gravador e fiz perguntas que, atualmente, talvez eu não fizesse: “Ele é o pai do seu filho? Quem é o pai do seu filho?”. Hoje, com 40 anos e uma filha, eu não faria da mesma forma. Fui pitbull. Ela falava: “Eu não vou dizer. Nem o pai do meu filho pode dizer isso. Nunca vou dizer”. Não é que a imprensa protegeu e não foi investigar. A Vejafoi... eu fui checar a história. Investigamos documentos, fomos atrás da família dela. E nada autorizava a publicação da matéria. Isso me faz lembrar de outro caso como se fosse hoje... Quando disseram que o Maluf tinha uma filha, fui à casa da menina. Achei que ela era a cara dele. Todo mundo achava. No final das contas, não era.




   Mas a Lurian, filha do Lula, rendeu várias matérias em 1989...
Espera aí... A Lurian foi registrada desde o dia que nasceu como filha do Lula. Ela e a mãe falaram com o repórter que fez a matéria. Depois virou uma baixaria de campanha, mas não é certo dizer que a imprensa publicou a filha de um, mas não a de outro.

Você já foi chamada de petista?
Já me chamaram de tucana e de petista. Em época de campanha as coisas ficam muito burras. Ou você é petista ou é tucana.