Na
sua coluna, você costuma contar alguns diálogos ou
detalhes dos bastidores que, às vezes, são hilários,
mas revelam coisas que a fonte nem sempre gostaria que fossem
publicadas...
Mônica Bergamo- O quê, por exemplo?
A
Juliana Paes pediu para não contar que a unha dela é
postiça porque é garota-propaganda de uma marca
de esmalte, a Colorama...
O jornalista é como padre. Se a pessoa pede off, eu respeito.
Agora, se você vê que a Mônica é uma
colunista que se veste mal, por que não colocaria isso
na matéria? Não tem sentido que eu peça para
você escrever que eu me visto bem.
Você publicaria a foto de uma personalidade casada
na praia com uma amante? Ou o furo de uma briga conjugal?
Não. Vou dar um exemplo. Eu sempre soube que Caetano Veloso
e Paula Lavigne estavam brigando e se separando, mas não
falei nada na coluna. É uma regra daFolha. No dia em que
se separaram de vez, ele me mandou um e-mail contando. Foi um
puta furo. Agora, veja bem, isso não significa que eu não
adoreee publicar esse tipo de nota... (risos).
Em
1994, quando você trabalhava na Veja, foi escalada para
ir a Portugal entrevistar a jornalista Miriam Dutra, da Globo,
que teria um filho com o Fernando Henrique. Por que essa matéria
não saiu? Por que, na sua opinião, o filho dele
fora do casamento nunca foi notícia?
Existe uma tremenda falsa polêmica nessa história.
Como você sabe que ele tem [um filho fora do casamento]?
Quem te falou isso?
A
revista Caros Amigos...
E quem falou para a Caros Amigos?
Ninguém
desmentiu.
Ninguém desmentir é uma coisa. Outra coisa é
afirmar. Nunca ela falou publicamente que o filho é dele.
O FHC também nunca falou sobre isso. Quando eu trabalhava
na Veja, a revista fez o oposto do que pensam e mobilizou seus
repórteres para esclarecer a história. Fui enviada
a Portugal, onde ela morava. Sentei na frente da Miriam, liguei
um gravador e fiz perguntas que, atualmente, talvez eu não
fizesse: “Ele é o pai do seu filho? Quem é
o pai do seu filho?”. Hoje, com 40 anos e uma filha, eu
não faria da mesma forma. Fui pitbull. Ela falava: “Eu
não vou dizer. Nem o pai do meu filho pode dizer isso.
Nunca vou dizer”. Não é que a imprensa protegeu
e não foi investigar. A Vejafoi... eu fui checar a história.
Investigamos documentos, fomos atrás da família
dela. E nada autorizava a publicação da matéria.
Isso me faz lembrar de outro caso como se fosse hoje... Quando
disseram que o Maluf tinha uma filha, fui à casa da menina.
Achei que ela era a cara dele. Todo mundo achava. No final das
contas, não era.