Reginaldo
Joaquim Brito era um funcionário atencioso do Bradesco
Previdência, uma empresa do grupo Bradesco. Pelo menos era
o que tudo parecia indicar. Ele era tão atencioso que atendia
os clientes, aposentados com mais de 60 anos, em suas próprias
residências. Era tão eficiente que aplicava suas
poupanças em títulos que mais rendiam. Um dia, porém,
esses aposentados tiveram as suas respectivas vidas tumultuadas
pelo mesmo Brito, um funcionário prestativo que se auto-intitulava
gerente, que causou um prejuízo de cerca de R$ 500 mil.
Isso mesmo, meio milhão de reais.
O golpe aconteceu durante
o ano de 2005. Oficialmente, quatro vítimas aparecem no
processo: Geni Lima Izzo, Guido de Oliveira, José Raimundo
de Souza e José Landim. CONTATO apurou ainda que outras
seis pessoas também teriam sido lesadas, o que elevaria
o golpe para cerca de R$ 1 milhão. O processo tramita na
Justiça há quase três anos.
No próximo dia 27 de
janeiro, as partes comparecerão ao Fórum Civil de
Taubaté para mais uma audiência. Enquanto isso, o
dinheiro das vítimas continua bloqueado.
O
Golpe
Utilizando-se da inocência
e da confiança dos aposentados, o falso gerente, Reginaldo
Joaquim de Brito, conseguiu persuadir cerca de 10 clientes do
banco a investirem suas economias em aplicações,
com a promessa de grandes rendimentos. Todo o esquema foi montado
e executado dentro do Bradesco Previdência com o uso de
papéis e documentos timbrados com a logomarca da empresa.
Segundo Guido de Oliveira,
uma das vitimas, Brito descontava os cheques com Henrique Soesman,
um suposto agiota, conforme CONTATO apurou. Até hoje ninguém
sabe o que foi feito com esse dinheiro.
As
Vitimas
Guido de Oliveira conheceu
Brito em 2002. Sedutor, o funcionário do Bradesco Previdência
conquistou a confiança do aposentado quando ofereceu uma
aplicação irrecusável e o dinheiro aplicado
obteve o retorno prometido. Porém, a partir dessa vantagem
inicial, os problemas começaram a aparecer. Brito levava
até a casa de Guido papéis da Previdência
alegando tratar-se de novas aplicações. Diante da
confiança conquistada, Brito assinava os papéis
sem prestar atenção. Depois de algum tempo, quando
tentou usar o dinheiro aplicado, constatou que sua conta estava
sem fundos. Porém, as operações financeiras
feitas pelo suposto gerente do Bradesco Previdência indicava
que em sua conta corrente e aplicações havia cerca
de R$ 272 mil.
Foi a partir deste momento
que Guido percebeu que estava sendo fraudado. Entrou, então,
com processo contra Brito e o Banco Bradesco. Essa iniciativa
permitiu descobrir que, além dele, outras pessoas, todas
com mais de 60 anos, também tinham sido vítimas
do mesmo golpe.
Geni Lima Izzo, 82, é
outra vítima do mesmo golpe aplicado por Brito: primeiro,
adquiriu confiança no funcionário que resolvia todos
os problemas dela com o Bradesco Previdência e só
depois ele aplicou a fraude. “Ele quase me forçou
a aceitar a aplicação, ficava falando que eu tinha
que fazer, que seria bom, que eu iria ganhar muito dinheiro, pois
a aplicação que ele oferecia era a que mais rendia.
E, quando ele (Brito) vinha a minha casa para eu assinar algum
papel da aplicação, e eu não o assinava,
ele ia embora muito nervoso, até saia queimando o pneu
do carro dele” declara a aposentada.
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Acima, dona Geni, 83 anos e abaixo Guido de Oliveira,
ambos vítimas de golpe bancário

“Isso
ocorreu há cerca de três anos. Eu descobri o esquema
do golpe após verificar que o suposto gerente (Brito) utilizou
papel falso”, relata o aposentado, José Raimundo.
José Landin, outra
suposta vítima, não quis manifestar nenhum comentário
sobre o caso: “não posso dar informação
nenhuma”.
O outro lado
O próprio Brito assinou
um depoimento, onde consta: “Declaro para os devidos fins
de direito que em relação ao Sr. Guido de Oliveira,
na época que trabalhava na agência tinha acesso à
sua conta corrente, sendo assim, sabia que o mesmo tinha aplicações
no Banco, e utilizei sua conta corrente para beneficio próprio,
pois o Sr. Guido confiava na minha pessoa e na instituição,
pois, já possuía sua conta a um bom tempo, sendo
assim, declaro que o mesmo nada tem a ver com as movimentações
em sua conta corrente e, não sabia de nada que estava acontecendo,
já que toda a movimentação da referida conta
corrente era de minha responsabilidade, declaro, ainda, que em
relação ao dinheiro que se encontra bloqueado, o
mesmo pertence ao Sr. Guido de Oliveira”.
CONTATO procurou o acusado, Reginaldo Joaquim Brito. “O
que eu posso te dizer é que Dona Geni, Sr. José
Raimundo são pessoas boas, e em relação ao
Sr. Guido de Oliveira prefiro não comentar. Tudo que eu
poderia fazer em relação a dona Geni, Sr. José
Raimundo, eu estou fazendo. E, eu não posso falar muito
disso para o CONTATO” declarou Brito. 
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