Previdência Enganosa

Acompanhe como foi montado um golpe contra um grupo de aposentados que confiaram seus recursos a um funcionário do Bradesco Previdência


Por Marcus Citti, colaborou Marcos Limão e Melissa Oliveira

      Reginaldo Joaquim Brito era um funcionário atencioso do Bradesco Previdência, uma empresa do grupo Bradesco. Pelo menos era o que tudo parecia indicar. Ele era tão atencioso que atendia os clientes, aposentados com mais de 60 anos, em suas próprias residências. Era tão eficiente que aplicava suas poupanças em títulos que mais rendiam. Um dia, porém, esses aposentados tiveram as suas respectivas vidas tumultuadas pelo mesmo Brito, um funcionário prestativo que se auto-intitulava gerente, que causou um prejuízo de cerca de R$ 500 mil. Isso mesmo, meio milhão de reais.
      O golpe aconteceu durante o ano de 2005. Oficialmente, quatro vítimas aparecem no processo: Geni Lima Izzo, Guido de Oliveira, José Raimundo de Souza e José Landim. CONTATO apurou ainda que outras seis pessoas também teriam sido lesadas, o que elevaria o golpe para cerca de R$ 1 milhão. O processo tramita na Justiça há quase três anos.
      No próximo dia 27 de janeiro, as partes comparecerão ao Fórum Civil de Taubaté para mais uma audiência. Enquanto isso, o dinheiro das vítimas continua bloqueado.

O Golpe
      Utilizando-se da inocência e da confiança dos aposentados, o falso gerente, Reginaldo Joaquim de Brito, conseguiu persuadir cerca de 10 clientes do banco a investirem suas economias em aplicações, com a promessa de grandes rendimentos. Todo o esquema foi montado e executado dentro do Bradesco Previdência com o uso de papéis e documentos timbrados com a logomarca da empresa.
      Segundo Guido de Oliveira, uma das vitimas, Brito descontava os cheques com Henrique Soesman, um suposto agiota, conforme CONTATO apurou. Até hoje ninguém sabe o que foi feito com esse dinheiro.

As Vitimas
      Guido de Oliveira conheceu Brito em 2002. Sedutor, o funcionário do Bradesco Previdência conquistou a confiança do aposentado quando ofereceu uma aplicação irrecusável e o dinheiro aplicado obteve o retorno prometido. Porém, a partir dessa vantagem inicial, os problemas começaram a aparecer. Brito levava até a casa de Guido papéis da Previdência alegando tratar-se de novas aplicações. Diante da confiança conquistada, Brito assinava os papéis sem prestar atenção. Depois de algum tempo, quando tentou usar o dinheiro aplicado, constatou que sua conta estava sem fundos. Porém, as operações financeiras feitas pelo suposto gerente do Bradesco Previdência indicava que em sua conta corrente e aplicações havia cerca de R$ 272 mil.
      Foi a partir deste momento que Guido percebeu que estava sendo fraudado. Entrou, então, com processo contra Brito e o Banco Bradesco. Essa iniciativa permitiu descobrir que, além dele, outras pessoas, todas com mais de 60 anos, também tinham sido vítimas do mesmo golpe.
      Geni Lima Izzo, 82, é outra vítima do mesmo golpe aplicado por Brito: primeiro, adquiriu confiança no funcionário que resolvia todos os problemas dela com o Bradesco Previdência e só depois ele aplicou a fraude. “Ele quase me forçou a aceitar a aplicação, ficava falando que eu tinha que fazer, que seria bom, que eu iria ganhar muito dinheiro, pois a aplicação que ele oferecia era a que mais rendia. E, quando ele (Brito) vinha a minha casa para eu assinar algum papel da aplicação, e eu não o assinava, ele ia embora muito nervoso, até saia queimando o pneu do carro dele” declara a aposentada.


Acima, dona Geni, 83 anos e abaixo Guido de Oliveira, ambos vítimas de golpe bancário

      “Isso ocorreu há cerca de três anos. Eu descobri o esquema do golpe após verificar que o suposto gerente (Brito) utilizou papel falso”, relata o aposentado, José Raimundo.
      José Landin, outra suposta vítima, não quis manifestar nenhum comentário sobre o caso: “não posso dar informação nenhuma”.

O outro lado
      O próprio Brito assinou um depoimento, onde consta: “Declaro para os devidos fins de direito que em relação ao Sr. Guido de Oliveira, na época que trabalhava na agência tinha acesso à sua conta corrente, sendo assim, sabia que o mesmo tinha aplicações no Banco, e utilizei sua conta corrente para beneficio próprio, pois o Sr. Guido confiava na minha pessoa e na instituição, pois, já possuía sua conta a um bom tempo, sendo assim, declaro que o mesmo nada tem a ver com as movimentações em sua conta corrente e, não sabia de nada que estava acontecendo, já que toda a movimentação da referida conta corrente era de minha responsabilidade, declaro, ainda, que em relação ao dinheiro que se encontra bloqueado, o mesmo pertence ao Sr. Guido de Oliveira”.
CONTATO procurou o acusado, Reginaldo Joaquim Brito. “O que eu posso te dizer é que Dona Geni, Sr. José Raimundo são pessoas boas, e em relação ao Sr. Guido de Oliveira prefiro não comentar. Tudo que eu poderia fazer em relação a dona Geni, Sr. José Raimundo, eu estou fazendo. E, eu não posso falar muito disso para o CONTATO” declarou Brito.