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Pelzer. Quem conhecia esse nome, antes do escândalo que envolveu
os maiores executivos da multinacional instalada em Taubaté?
Talvez nem a polícia, que hoje investiga o plano arquitetado
para matar o gerente industrial, Toshio Nakamoto. O que nenhum dos
executivos poderia imaginar é que o empresário, Tosca
Almeida, contratado para efetuar ou terceirizar o serviço,
procuraria a polícia para delatar o episódio.
CONTATO conversou com o delegado
responsável pelo caso, Dr. Marcelo Duarte Ribeiro. Confira
os melhores momentos
Marcelo Duarte
“Primeiramente, o sr Tosca Almeida, que é a pessoa
denunciante. Ele nos apresentou como prova, um documento junto a
uma gravação, feita por ele mesmo, e também
uma cópia do cheque no valor de R$ 250 mil, dado a ele em
nome da empresa Pelzer Systen. O cheque foi depositado na conta
do denunciante e ele inclusive apresentou o extrato com o cheque
compensado. Na denuncia dele constava justamente esses fatos, onde
os diretores da empresa Pelzer o teriam o contratado para que ele
fizesse fim à vida do gerente industrial da empresa, o Sr.
Toshio Nakamoto.
Então, a partir deste
ponto, Tosca disse aos executivos, num primeiro momento, que iria
pensar e que não queria [executar a tarefa]. Na realidade,
o Sr. Tosca é dono de uma empresa de cobranças, que
vem cobrando valores, em tese, que a Pelzer deveria à empresa
Indaru, que é a proprietária do imóvel onde,
hoje, é estabelecida a empresa. [Por] Várias vezes,
Tosca esteve em contato com os executivos. E numa dessas oportunidades,
foi convidado pelos diretores, para que ele deixasse essa cobrança,
assim ele receberia R$450 mil, para efetuar a morte de Toshio.
Ele [Tosca], no intuito de
receber os valores devidos pela Pelzer a Indaru, alimentou os diretores
dizendo que realmente poderia fazer aquele serviço. Então,
os diretores, prontamente, efetuaram o pagamento de R$250 mil, na
promessa de dar o restante assim que ele fizesse fim a vida do Sr.
Toshio. Só que, na realidade, Tosca percebeu, em contato
posteriores com os diretores, que eles realmente estavam com o intuito
de pôr fim à vida do gerente.
A partir desse momento, Tosca
passou a gravar as conversas porque, em momento algum, ele manifestou
realmente o interesse de matar Toshio. Então, ele denunciou,
primeiramente, ao dono da Indaru. E essa pessoa imediatamente fez
com que ele comunicasse à polícia. Por esse motivo,
houve a denúncia.
A partir do que nós
(Policia Civil) tínhamos, os atos preparatórios de
um crime, crime esse que não ocorreu e não viria a
ocorrer, porque já era do conhecimento da policia, nós
convidamos a vitima para vir até a delegacia. O Sr. Toshio
ouviu a gravação e viu a cópia do cheque. Assim
[ele] tomou ciência dos fatos e quis que nós processássemos
e investigássemos esses diretores pelo crime de ameaça.
Mas, perguntando a Toshio qual o motivo que ele acreditava que poderia
a Pelzer estar querendo mata-lo, a única coisa que ele vislumbrou
foi: a Pelzer vem utilizando uma matéria-prima inferior e
não homologada pela Volkswagen. Toshio só imaginou
essa situação.
Quando nós deparamos
com essa situação, também vislumbramos um crime
de estelionato e formação de quadrilha porque todos
os diretores, em tese, estão relacionados e sabendo dos fatos.
Então, nós representamos ao poder Judiciário,
foi aceito pelo juiz com a participação do Ministério
Público, e com isso conseguimos a expedição
do mandato de prisão temporária e o mandato de busca
para que nós pudéssemos dar o comprimento lá
na Pelzer.
Pedimos a prisão de
5 diretores. Um deles é o representante do Banco Goldman
Sachs, detentor das ações da Pelzer no mundo; o presidente
da empresa no mundo; do presidente da empresa Brasil; do vice-presidente
do Brasil; e do diretor financeiro, que foi a pessoa que assinou
o cheque de R$250 mil. Na sexta-feira, 7, nós, a Polícia,
fizemos o cumprimento das prisões dos três diretores
daqui de Taubaté. Eles foram interrogados, não se
manifestaram, disseram que só iriam falar em juízo.
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Para prosseguir, arrecadamos
todas as provas necessárias, as notas fiscais, todos os
controles que comprovam a compra da mercadoria e apreendemos também,
para a perícia, a matéria-prima e o produto final
acabado. Para que a matéria-prima pudesse ser analisada,
[saber qual é sua] a composição química,
mandamos também ao IPT os pára-choques já
confeccionados, para a verificação da resistência,
eficiência e durabilidade desses produtos. Agora, vamos
aguardar a resposta que está prevista para sair dentro
de 30 dias, para que o inquérito possa ser concluído.
Quanto aos 2 diretores que não foram presos, eles se encontram
fora do Brasil. Mas, nós (Policia Civil) já comunicamos
a Polícia Federal que já tem cópia do mandato
de prisão. Se por ventura os diretores chegarem ao Brasil,
eles poderão ser presos. [Se ocorrer] Será uma prisão
temporária, de 5 dias, como foi a dos outros diretores.
Então, por que os
outros diretores saíram da prisão? Eles saíram
no final da tarde da sexta, 7, porque os advogados entraram com
uma representação para a revogação
da prisão temporária [e a Justiça acatou].
E, com referencia às
demais investigações, na quarta-feira o Sr. Tosca
apresentou os R$ 250 mil para depósito em conta judicial,
que ficará à disposição do juiz até
a conclusão do processo. No mesmo dia, também foi
ouvido o dono da empresa Indaru, ele é a pessoa contratante
do serviço do Sr. Tosca para a cobrança dos valores
que, em tese, a Pelzer devia a Indaru.
Outro
lado
CONTATO procurou o homem
marcado para morrer, Sr. Toshio Nakamoto. Instruído por
seus advogados, apenas declarou: “Esse negócio já
deu muita coisa, então melhor não mexer mais nisso”.
Da mesma forma, o advogado
dos diretores da Pelzer, Daniel da Freita, não atendeu
as ligações de nossa reportagem.
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