O apelido de vice
Façam suas apostas enquanto a roleta não pára, enquanto o tabuleiro do xadrez político registra movimentos cautelosos de uma abertura de jogo, mas não transformem o Velho Ortiz em vice do filho Júnior, é o recado de professor Luiz Gonzaga

Por Luiz Gonzaga Pinheiro

       Padre Afonso ganha importância à medida que as eleições se aproximam. Cresce seu “cacife” e ganha sentido, todo sentido tê-lo como companhia em chapa que vá disputar a prefeitura. Não parece, contudo, que seu eleitorado tenha identificação com os seguidores do atual prefeito Peixoto, cujo perfil não deixa qualquer relevo de encaixe com ninguém. Os parceiros do eleitorado de Peixoto já o seguem e não se mostram satisfeitos com o governo que mostra uma multicolorida colcha sem formas harmônicas.
       Trata-se de uma legítima obra de artesão que mistura aleatoriamente cores berrantes e formas sem rumo. Não tem ligação com nada, não mostra harmonia e suas cores combinam tanto quanto não se combinam as cores do Carnaval, com cores sóbrias, cores do Natal. Parece que o padre Afonso tem pouco a ver com essa bizarria e seus eleitores seguem padrões diferentes.É bem mais lógico o encontro de afinidades de parentesco eleitoral com Júnior Ortiz. Júnior tem espaço para permitir que se aproxime um parceiro com votos e idéias próprias, porque não é carente dessas qualidades; ele tem idéias e votos.
       A hipótese do pai de Júnior vir a ser seu vice, como este jornal já especulou, é redundante, pois o pai é aliado incondicional. Seria como pedir a Bernardo que jurasse por Deus em nome de sua lealdade ao filho.Não é preciso jurar nada. Pais e filhos não precisam dessas provas de fanáticos. Isso não seria uma atitude política, caberia mais no Amor ou em formas de Religião. A postura elegante do padre Afonso está mais próxima de Júnior do que do desgovernado espalhafato de Peixoto, tão administrável quanto a dirigibilidade de um “busca-pé”.
       Estamos ainda longe do ato de votar, mas as eleições começam a mostrar faces antes guardadas para uso em tempo próprio. Considero que ainda falta definir o papel que Antônio Mário desempenhará. Ele não é um político desprezível, nem se atribua a ele um caso de político com carreira finda, menos, ainda, se diga que não tem voto. Essas afirmações não se casam com ele.nem se deve ter como absurda uma parceria. .
       O jogo eleitoral, o xadrez político, muda suas peças que refletem a realidade do jogo. Acabou a hora de treino; agora é hora de jogo. . .
       Ainda sobre José Bernardo como vice de seu filho, cabe dizer que é uma figura abundante, pois sua relação com o filho é de natureza mais sólida do que o mero mundo político onde, agora, as peças se movem de modo mais objetivo. Na verdade, estou me perguntando se o eleitor votaria em Júnior só porque Ortiz-pai é seu vice ou também votaria em Júnior por sabê-lo filho do ex-prefeito. O vice, nesse caso, tem semelhança com o “se” do verbo suicidar, que está representando pelo sui. Assim, dizer que alguém suicidou-se é como que fazê-lo morrer duas vezes.




      Ortiz é pai, Júnior é filho. De quê mais eles precisam para mostrar identificação e lealdade? Nada, a meu ver.
       Os caminhos parecem indicar um rumo na direção do favoritismo de Júnior Ortiz. Todo o cuidado é pouco, nessa hora. Cumpre conservar a seriedade e fazer as arrumações serenas, como andavam, até agora. O grande Ortiz (falo do ex-prefeito) já mostrou tudo a seu respeito. O quê o vice que nunca existiu nele passaria a ser essencial, agora? Parece um exagero!