| Museu
de Taubaté,
enfim reaberto
Após
dois anos, na quinta-feira, 29, foram abertas as portas da Divisão
de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico e o Museu
da Imagem e do Som de Taubaté – MISTAU. A reforma do
Museu levou mais tempo que o esperado e Duda Mattos, atual gerente
do Departamento de Cultura da prefeitura de Taubaté, cumpre
sua palavra dentro prazo, apesar de certos reparos que ainda faltam
ser feitos
Por Melissa Oliveira
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Era visível a necessidade
de reforma do casarão próximo à Rodoviária
Nova, localizado na Av. Thomé Portes Del Rey, para abrigar
o acervo histórico de Taubaté, um dos mais importante
do Brasil. O teto tomado por cupins foi o principal motivo de
seu fechamento. Porém, ninguém imaginava que pudesse
ser fechado por tanto tempo.
Em julho, o vereador Carlos
Peixoto, motivado pelos apelos de munícipes, encaminhou
um requerimento pedindo a abertura do Museu, que estava fechado
há mais de um ano. A então recém nomeada
gerente da área de cultura, Duda Mattos, aceitou o desafio
e dedicou-se à reforma e revitalização do
patrimônio histórico de Taubaté. A edição
322 de CONTATO aborda essa questão e revela seu compromisso
de reabri-lo em novembro.
Com a reforma, trocou-se
o teto e foram refeitas todas as partes elétrica e hidráulica
do casarão. Os painéis fixos ao chão foram
repintados e fotografados para que fosse mantida a mesma disposição
dos objetos do Museu Histórico. “Deu-se uma cara
nova sem prejudicar a antiga”, revela Duda.
O reconhecimento da gestão
de cultura atual é consenso. Mas, dentre aqueles que já
compareceram ao Museu para conferir o resultado da reforma, fruto
de uma iniciativa considerada heróica por alguns, existem
certos olhares críticos. A disposição das
peças, principalmente nos corredores, a identificação
dos materiais expostos, a qualidade motivadora das legendas, e
a qualificação de mão de obra são
alguns exemplos questionados por especialistas no assunto.
A ausência de uma política
cultural de base e a continuidade de trabalhos iniciados em gestões
anteriores são os principais temas abordados tanto por
munícipes quanto pela gerente de Cultura.
Duda conta que se sente realizada
por ter trabalhado de perto no dia-a-dia e nos detalhes da reforma
do Museu. E desabafa: “A cultura depende da vontade política.
Elas andam juntas. Mais que isso, os novos gestores devem continuar
os trabalhos anteriores. É preciso ter humildade para dar
continuidade aos projetos que estão dando certo porque,
para ficarem bons e terem consistência, leva-se tempo”.
A maior novidade da reforma,
e talvez a que ainda dará o que falar, é o apoio
do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social – o qual será responsável pela restauração
e digitalização de documentos datados desde o século
XVII. “De 4.000 projetos de todo o Brasil, apenas quatro
foram selecionados para conseguir este incentivo, e um deles é
o de Taubaté. Eles ficaram encantados com a documentação
que temos aqui”, conta a gerente de Cultura. Desde 1986,
a paleógrafa Lia Carolina Mariotto faz a transcrição
dos inventários, testamentos e processos do arquivo histórico,
com documentos de todo o Vale do Paraíba. “A Duda
resolveu em seis meses o que estava parado há quase dois
anos”, comenta a especialista.
O conflito, segundo um historiador
da região, está nas relações burocráticas
que podem impedir a continuidade do projeto do BNDES. O dinheiro
é enviado para a prefeitura para então ser direcionado
ao Museu. Por relações nada amigáveis entre
as partes, corre-se o risco do benefício ser perdido. A
sala disponibilizada para o projeto ainda está vazia. O
prazo final do incentivo é fevereiro de 2008. Só
resta torcer para que a prefeitura não perca esse prazo.
Sala do Museu Histórico Paulo Camilher Florençano
reaberto após dois anos, depois de passar por reformas.
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