Falta de segurança

Entulho, entra e sai de drogaditos e desmatamento geram insegurança entre pacatos moradores

Por Marcus Citti

      Não é de hoje que os moradores da rua Décio Leite, no bairro Esplanada Santa Terezinha, reclamam da falta de segurança na área provocada por um loteamento abandonado. Pequenos furtos e o entra e sai de usuários de drogas podem ser observados a qualquer hora do dia e da noite, sem contar os casais que se utilizam do loteamento para encontros amorosos. Nenhum morador anda tranqüilamente por ali. Tudo isso acontece por que uma moradora não deixa o loteamento ser fechado, ou sequer que um portão seja colocado na entrada do terreno.
      O perigo é tanto que, na área, moradores e trabalhadores do bairro temem se identificar. Acreditam que poderão sofrer represálias. Fotos, então, nem pensar. Poucos ousam se identificar como morador. Uma moradora, porém, jura fazer tudo para que o terreno não seja fechado. Essa mesma pessoa costuma passar dirigindo um carro em alta velocidade pelo local, “passa a milhão”, segundo os vizinhos, uma ameaça à segurança de crianças e adultos.
      Para os moradores, o ponto mais perigoso é o entra e sai dos intitulados “malandrinhos”. As ocorrências são mais freqüente à noite. Porém, nos finais de semana, acontecem de manhã bem cedo. Para tentar sanar o problema, foi formada uma comissão para entrar com um pedido de fechamento do terreno pela prefeitura. Segundo a comissão, a diretora de Planejamento, arquiteta Silvia Ramiro, teria autorizado o fechamento do lote. Mas, sem qualquer explicação, a prefeitura voltou atrás, e desautorizou esse fechamento.
      O acúmulo de lixo contribui para agravar ainda mais a situação. O terreno abandonado atrai os carroceiros que vão até lá para descarregar o entulho recolhido durante o dia. Além disso, a vegetação foi quase totalmente queimada, devastada, e isso faz com aconteça um aumento de bichos peçonhentos como escorpião, aranha e até mesmo cobra. Segundo a moradora Lílian Cabral, “o gato da minha vizinha foi mordido por uma cobra e acabou morrendo”.

Indignação

      Os moradores se uniram para fechar o terreno. Eles mesmos compraram todo o material a ser utilizado na obra. Sem vínculo com a prefeitura, eles precisam apenas de um alvará para realizar a obra. O mesmo alvará que já foi dado e em seguida retirado pela arquiteta Silvia Ramiro.
      “Não queremos criar caso com ninguém, muito menos com a moradora lá de baixo. Queremos apenas a segurança de nossas famílias, de nossas crianças, pois esse entra e sai de “maconherinhos” nos preocupa”, declara uma representante da comissão de moradores.
A violência é outro problema a ser enfrentado porque a polícia não atende as denúncias feitas pelos moradores. Muitos casos de pequenos furtos foram presenciados pelos moradores e a não presença da polícia naquela localidade é uma queixa unânime entre os moradores. Eles contam que a polícia militar teria argumentado que colocar policiais, viatura ou cabine de segurança não resolveria o problema. Poderia no máximo amenizar naquele ponto, mas faria com que os assaltantes migrassem para outros lugares.
      Enquanto a solução não chega, esses munícipes torcem para que o prefeito honre o que prometeu. “O que ele tem que fazer é apenas cumprir a promessa feita a nós. Ele tem que fazer valer a palavra dele”, quando prometeu fechar o loteamento.