A
carta de Pero Vaz de Caminha, descreve os habitantes da nova terra
como pessoas com “bons rostos”. Crânios encontrados
em Lagoa Santa (MG), regiões litorâneas de São
Paulo, Paraná e as observações dos primeiros
colonizadores indicam que os índios tinham dentes bem implantados
e com pouquíssimas cáries.
A tribo Kuikuro, do norte do Mato Grosso,
preenchia cavidades dentárias com resina de jatobá
aquecida que, além de cauterizar o “nervo”,
funcionava como obturação depois de fria e endurecida.
Com a criação das capitanias
hereditárias (1534 e 1536) e a chegada das expedições
colonizadoras para formação dos primeiro núcleos
povoadores, chegaram ao Brasil mestres de ofício em diversas
profissões. Eram artesãos, entre os quais se incluíam
os barbeiros, que eram as pessoas que tiravam dentes.
O primeiro documento do reino a citar
a palavra dentista foi o Plano de Exames da Real Junta do Protomedicato,
de 23 de maio de 1800, assinado pelo príncipe regente D.
João. O plano exigia que o candidato à profissão
de Dentista passasse por exame para avaliação de
conhecimento parcial de anatomia, métodos operatórios
e terapêuticos. Nessa época, Joaquim José
da Silva Xavier, o Tiradentes, exercia seu ofício aprendido
com o padrinho Sebastião Ferreira Leitão. Em maio
de 1789, quando foi preso por sua participação na
Inconfidência Mineira, Tiradentes disse que conhecia muita
gente do Rio de Janeiro, em razão da prenda
de por tirar dentes. Seu último confessor,
frei Raimundo Pennaforte relata que Tiradentes tirava
dentes com muito jeito e a mais sutil ligeireza.
Talvez esse seja um lado bom do jeitinho
brasileiro.