Ainda não li as 198 páginas de “O poder que
Seduz”, mas o aperitivo publicado em primeira mão
por outra Mônica, a Bergamo, na Folha de S.Paulo, é
desanimador. “Amei Renan loucamente, como jamais pensei.
Amei com a alma, com tudo que há de mais puro no meu ser”.
“Carregava no ventre o resultado do meu amor.” “No
mundo pode haver milhões de rosas, mas para o Renan eu
era uma única rosa”.
A jornalista Mônica
Veloso (sim, FENAJ, ela tem diploma) podia ter feito uma pós-graduação
em jornalismo literário na ABJL (Academia Brasileira de
Jornalismo Literário), com o professor Sérgio Vilas
Boas, antes de lançar sua obra definitiva. Mas isso não
vem ao caso. O que vale mesmo no livro da editora “Novo
Conceito”, que lançado quarta-feira, 28, são
as revelações de coxia. Entre outras, a autora conta
que amava tanto o senador que gravou, “por precaução”,
algumas conversas durante a gravidez.
O circo que Mônica
Veloso promoveu em torno do romance que teve com o presidente
do Senado contrasta com outra história de amor e poder
que agitou Brasília em 1994. Na semana retrasada, eu estava
entrevistando a colunista Mônica Bergamo (confira na edição
de dezembro da revista IMPRENSA) quando o caso Miriam Dutra veio
à tona. Assim como Mônica Veloso, Miriam Dutra é
jornalista e fez carreira na Rede Globo. Atualmente, ela trabalha
na sucursal de Londres, considerado o escritório mais concorrido
da emissora da família Marinho.
Para quem não se lembra,
Miriam Dutra foi apontada como amante e mãe de um filho
do ex–presidente Fernando Henrique Cardoso quando ele ainda
estava no poder. Na ocasião, Mônica Bergamo, então
repórter da revista Veja, foi escalada para ir a Portugal
para entrevistar Miriam Dutra sobre os rumores de que ela tinha
um filho com FHC. “Sentei na frente da Miriam, liguei um
gravador e fiz perguntas que, atualmente, talvez eu não
fizesse: ‘Ele é o pai do seu filho? Quem é
o pai do seu filho?´ Fui pitbull. Ela falava: ‘Eu
não vou dizer. Nem o pai do meu filho pode dizer isso.
Nunca vou dizer’”.
Veja investigou documentos,
foi atrás da família e entrevistou conhecidos. Embora
tudo indicasse que, de fato, o presidente fora amante da jornalista
e tinha um filho com ela, a reportagem foi acabar na gaveta. “Não
é que a imprensa protegeu e não foi investigar.
Nada autorizava a publicação da matéria”,
lembra Mônica Bergamo.
|

A única revista que
publicou matéria afirmando categoricamente que o presidente
FHC tinha um filho fora do casamento foi a Caros Amigos. Mas,
a chamada grande imprensa ignorou solenemente o “furo”.
Como ainda não existia “blogosfera”, o caso
foi enterrado. Em 1998, FHC se reelegeu sem que ninguém
tocasse nessa ferida. O candidato Lula, que perdeu as eleições
de 1989, quando a imprensa descobriu Lurian, sua filha devidamente
registrada desde o nascimento, nem cogitou usar a reportagem da
Caros Amigos como munição de campanha.
Ambas são lindas e
jornalistas, mas um abismo separa Miriam Dutra de Mônica
Veloso. Enquanto a primeira saiu do país para evitar constrangimentos
para o presidente da República e criar seu filho longe
dos holofotes, a segunda posou na PlayBoy e lançou um livro
versando, com doses cavalares de clichês, sobre seu amor
pelo presidente do Senado.
|