A festa que não aconteceu

Estrutura armada para uma festa rave com autorização da Prefeitura, em bairro residencial, revolta moradores que apelam para a Justiça e proíbe o evento. CONTATO apurou diferentes versões da história e mostra algumas complicações ainda mal resolvidas...

Por Melissa Oliveira

      Polêmica festa rave faria parte do XVII Economíadas – um encontro de universidades do estado de SP, que aconteceu em Taubaté entre os dias 15 e 18 de novembro. Moradores do Jardim Maria Augusta que residem próximos ao “Campo do Garça”, local da festa, se mobilizaram e conseguiram cancelá-lo na véspera.
      Tudo começou quando caminhões descarregaram estruturas metálicas. Logo, surgiu uma enorme tenda acompanhada de outras menores. Assustados, os moradores dispararam ligações para o Departamento de Turismo da Prefeitura, DOP (Departamento de Obras Públicas), e DSU (Departamento de Serviços Urbanos). Fracasso total. Não obtiveram qualquer explicação. E, para piorar, os moradores foram informados que a área do evento é particular e, por isso, nada poderia ser feito para evitá-lo.
      O Conselho de Segurança Municipal – Conseg – também não retornou as ligações dos munícipes. O Corpo de Bombeiros informou que não havia emitido licença alguma. Finalmente, um dos moradores protocolou uma reclamação no Departamento de Ouvidoria, na segunda-feira, 12.
      Segundo assessores da Câmara Municipal e da Prefeitura, a estrutura armada seria destinada a uma “festa sem som”, a um “ponto de encontro de estudantes”, ou ainda “para um alojamento estudantil”. Foi dito também que a partir das 22h, poderiam acionar a Polícia caso o barulho incomodasse a vizinhança.
      De acordo com Gilson Billard, presidente da Associação de Moradores do Bairro Jardim Maria Augusta e assessor do prefeito, a “Associação não foi comunicada do evento e ninguém sabia de nada”. Por outro lado, os moradores receberam a informação feita por um assessor do prefeito, de nome Fernando, de que Gilson estaria a par de tudo.
      Na quarta-feira, 14, quatro caminhões com cervejas e caixas de som foram o estopim para que os moradores marcassem uma audiência no Fórum Cível de Taubaté. Era a última esperança para garantir o sossego do bairro. O promotor de Justiça Cível, Darlan Dalton Marques recebeu-os e tomou as medidas necessárias para cancelar o evento, alegando irregularidades quanto a alvarás e organização.
      A festa foi cancelada por volta das 17h, quando seus portões foram lacrados. Na porta, o gerente de Segurança da Prefeitura, Nelson de Jesus, confirmava a decisão da Justiça. Jesus é o autor de covarde agressão sofrida por Paulo de Tarso Venceslau, diretor de redação de CONTATO, em março de 2005, no aterro sanitário.

Campo do Garça

      O campo de futebol, onde seria realizada a festa, pertence ao time do Garça. Quem administra o local é o Zé, dono de um pequeno bar na Av. Bandeirantes. Zé contou que o local foi alugado por ele para um jogo de futebol, como sempre ocorre. “A gente só viu que era mentira depois que armaram a estrutura toda”.
      “Estamos inconformados com a falta de responsabilidade e com esse amadorismo. A população deve saber de qualquer evento, porque é um bairro residencial”, desabafa uma moradora do bairro.

Organização

      A empresa que organizou os eventos durante o “Economíadas” foi a Arena Produções, que terceirizou serviços para outras empresas. Daniel Becker, um dos organizadores da festa rave, quando localizado por CONTATO às vésperas de uma viagem ao Nordeste brasileiro, falou: “Você acabou com meu dia!”. E bateu o telefone.
      Mais conhecido por Peruca, Becker disse que havia um contrato entre o time de futebol do Garça e a organização do evento. Além disso, haveria uma autorização da prefeitura para que a festa fosse realizada. Alegou também que o evento estava programado para acontecer das 13h às 20h apenas, e que nada tinha a ver com festa rave. “Era um ponto de encontro de alunos, como teve em outros lugares de Taubaté. Tudo foi embargado porque não tinha alvará. Não existiu nenhuma acusação de morador”, defende-se.

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      A parte mais polêmica desta história mal contada também tem versões distintas. CONTATO apurou que a empresa contratante estaria pedindo o reembolso de R$ 9 mil porque a festa não fora realizada.
      Segundo uma moradora, R$130 mil seria a quantia gasta na estrutura armada no “campo do Garça”. Um investimento considerável para uma festa.
Nenhum destes valores, porém, foi confirmado por qualquer das partes contatadas. Mesmo porque ninguém, por enquanto, se identificou como responsável por alguma coisa.
      Ainda cabe a ironia nessa história... O Zé do bar, que aluga o campo do Garça, cobra 20 reais por dia, valor que receberia pelo uso do campo. Nada relevante perto do que se passa por detrás dos panos...