Polêmica
festa rave faria parte do XVII Economíadas – um encontro
de universidades do estado de SP, que aconteceu em Taubaté
entre os dias 15 e 18 de novembro. Moradores do Jardim Maria Augusta
que residem próximos ao “Campo do Garça”,
local da festa, se mobilizaram e conseguiram cancelá-lo
na véspera.
Tudo começou
quando caminhões descarregaram estruturas metálicas.
Logo, surgiu uma enorme tenda acompanhada de outras menores. Assustados,
os moradores dispararam ligações para o Departamento
de Turismo da Prefeitura, DOP (Departamento de Obras Públicas),
e DSU (Departamento de Serviços Urbanos). Fracasso total.
Não obtiveram qualquer explicação. E, para
piorar, os moradores foram informados que a área do evento
é particular e, por isso, nada poderia ser feito para evitá-lo.
O Conselho
de Segurança Municipal – Conseg – também
não retornou as ligações dos munícipes.
O Corpo de Bombeiros informou que não havia emitido licença
alguma. Finalmente, um dos moradores protocolou uma reclamação
no Departamento de Ouvidoria, na segunda-feira, 12.
Segundo assessores
da Câmara Municipal e da Prefeitura, a estrutura armada
seria destinada a uma “festa sem som”, a um “ponto
de encontro de estudantes”, ou ainda “para um alojamento
estudantil”. Foi dito também que a partir das 22h,
poderiam acionar a Polícia caso o barulho incomodasse a
vizinhança.
De acordo
com Gilson Billard, presidente da Associação de
Moradores do Bairro Jardim Maria Augusta e assessor do prefeito,
a “Associação não foi comunicada do
evento e ninguém sabia de nada”. Por outro lado,
os moradores receberam a informação feita por um
assessor do prefeito, de nome Fernando, de que Gilson estaria
a par de tudo.
Na quarta-feira,
14, quatro caminhões com cervejas e caixas de som foram
o estopim para que os moradores marcassem uma audiência
no Fórum Cível de Taubaté. Era a última
esperança para garantir o sossego do bairro. O promotor
de Justiça Cível, Darlan Dalton Marques recebeu-os
e tomou as medidas necessárias para cancelar o evento,
alegando irregularidades quanto a alvarás e organização.
A festa foi
cancelada por volta das 17h, quando seus portões foram
lacrados. Na porta, o gerente de Segurança da Prefeitura,
Nelson de Jesus, confirmava a decisão da Justiça.
Jesus é o autor de covarde agressão sofrida por
Paulo de Tarso Venceslau, diretor de redação de
CONTATO, em março de 2005, no aterro sanitário.
Campo
do Garça
O
campo de futebol, onde seria realizada a festa, pertence ao time
do Garça. Quem administra o local é o Zé,
dono de um pequeno bar na Av. Bandeirantes. Zé contou que
o local foi alugado por ele para um jogo de futebol, como sempre
ocorre. “A gente só viu que era mentira depois que
armaram a estrutura toda”.
“Estamos
inconformados com a falta de responsabilidade e com esse amadorismo.
A população deve saber de qualquer evento, porque
é um bairro residencial”, desabafa uma moradora do
bairro.
Organização
A
empresa que organizou os eventos durante o “Economíadas”
foi a Arena Produções, que terceirizou serviços
para outras empresas. Daniel Becker, um dos organizadores da festa
rave, quando localizado por CONTATO às vésperas
de uma viagem ao Nordeste brasileiro, falou: “Você
acabou com meu dia!”. E bateu o telefone.
Mais conhecido
por Peruca, Becker disse que havia um contrato entre o time de
futebol do Garça e a organização do evento.
Além disso, haveria uma autorização da prefeitura
para que a festa fosse realizada. Alegou também que o evento
estava programado para acontecer das 13h às 20h apenas,
e que nada tinha a ver com festa rave. “Era um ponto de
encontro de alunos, como teve em outros lugares de Taubaté.
Tudo foi embargado porque não tinha alvará. Não
existiu nenhuma acusação de morador”, defende-se.