Entrevista com Judith Mazella Moura

“Vou apoiar Antônio Mário”

A primeira mulher eleita vereadora na história de Taubaté é jornalista, advogada, tem muita garra e é uma verdadeira caixinha de surpresas. Ninguém imagina que aquela força toda esconde uma mineira, apesar de taubateana, que não critica ninguém e só fala do lado positivo de quem quer que seja. Chega ao extremo de não revelar de jeito nenhum os nomes dos cinco vereadores que teriam denunciado o então prefeito Jaurés Guisard aos militares que tinham dado o golpe em 1964. Apesar de acamada, o raciocínio lúcido e rápido e o seu bom humor continuam marcantes. Confira nesse jogo rápido com CONTATO

Por Paulo de Tarso Venceslau e Melissa Oliveira

 

E o prefeito Roberto Peixoto? “É um amigo, como sempre foi. Certa vez, quando ainda era vereador, ele me disse ‘Se eu for candidato você será minha vice’. Respondi apenas com vago ‘vamos esperar’. Quando foi candidato, nem me consultou.”

E se tivesse consultado? “Não sei o que poderia ter acontecido. Nem mesmo se tivesse havido alguma conversa, que não houve. Não gosto daquele PSDB.”

E como prefeito? “Sempre acreditei que seria um bom prefeito. Tenho certeza que o balanço final será favorável a ele. Fiz um city tour com ele, em 2005 [primeiro ano de mandato], fiquei impressionada com a quantidade de obras – pontes canalização etc - e perguntei-lhe como tinha conseguido fazer tanta coisa em tão pouco tempo. Ouvi que era porque ele não ficava sentado em uma cadeira.

E as críticas que são feitas ao prefeito? “Ele se esqueceu de montar uma boa assessoria. Sua assessoria é péssima. Será sua desgraça. Como pode trazer uma pessoa de São José dos Campos para assumir o Trânsito, em Taubaté? Monteclaro fez um bom trabalho no tempo do [prefeito] Antônio Mário. A rua Humaitá ficou ótima. Só as rotatórias que estão muito estreitas”.

E a primeira dama Luciana Peixoto, diretora do DAS? “Quero descobrir porque ela tem tanta influência na prefeitura. Se pelo menos tivesse alguma formação intelectual, quem sabe. Mas ela não tem. Ninguém sabe onde ela é formada professora. Eu também não sei”.

E as duas CEIs com provas de irregularidades que foram engavetadas? “Escrevi que não acreditava que fossem aprovadas. A Câmara tem que apurar, mas os vereadores têm medo porque o prefeito pode cortar tudo. Fui presidente de uma CEI na gestão do Salvador Khuhriyeh. Dei dez dias para que os vereadores apurassem tudo porque eles eram os acusadores. Como não apresentaram provas, mandei encerrar. Era tudo politicagem”.

Lembranças da Câmara? “Passei 13 anos de minha vida como vereadora. Dei o melhor de mim para Taubaté.”


Bernardo Ortiz? “Apoiei-o no primeiro mandato. Mas ao analisar seu comportamento pessoal não dá para aplaudir esse seu espírito de ditador. Não dá. Prefeito tem que ter assessoria”.

Voltou a visitar Roberto Peixoto? “Fui convidada apenas uma vez, apesar de ter escrito artigo elogiando suas obras”.

Reeleição? “Sou contra! Quatro anos bastam. Temos que fazer rodízio na presidência, no governo do estado e nas prefeituras. Esse pessoal tem a máquina [administrativa] na mão.

Porque não gosta do PSDB? “Esse pessoal perdeu a oportunidade fazer oposição ao presidente Lula e não fez. Nunca apreciei esse partido”.

CPMF? “Não poderia ter sido prorrogada. O dinheiro deveria ir para a saúde e não vai. Foi por isso que o [Adib] Jatene abandonou o governo de Fernando Henrique Cardoso. Gostaria que a reeleição e a CPMF fossem derrubadas. Se o brasileiro fosse mais inteligente não trocaria seu voto por uma Bolsa Família. Ele precisa de educação e trabalho”.

Eleições 2008? “Vou apoiar Antônio Mário Ortiz (DEM). Se tiver padre Afonso (PV) como vice, ele terá muita chance. E o padre Afonso seria eleito prefeito em 2012”.
E Pepe Del Vecchio (PT) como vice de Peixoto? “Não sei qual o prestígio dele e nem o que Roberto Peixoto viu nele”.

E o Júnior Ortiz? “É um rapaz inteligente, preparado, mas não tem qualquer experiência administrativa, apesar dos diplomas anunciados por seu pai. Ele não me convence, assim como a primeira dama também não me convence. Pedagoga?”