Residencial dos
Comerciários III, o impasse

Falta de fiscalização e de respeito marcam o empreendimento e provocam mais um impasse em Taubaté que envolve 102 famílias.

Por Marcus Citti

      Embargar a construção da casa própria. Parece ironia, mas é a triste realidade da obra intitulada “Residencial dos Comerciários III”. Trata-se de empreendimento da Cooperativa Habitacional dos Comerciários do Estado de São Paulo parceria com a Caixa Econômica Federal, o Sindicato dos Empregados no Comercio de Taubaté junto à prefeitura de Taubaté. Para a realização da obra, foi contratada a construtora de São José do Rio Preto, Hugo Engenharia. Porém, os mutuários foram surpreendidos quando descobriram que as casas não correspondiam à planta apresentada na hora em que assinaram o contrato.
      Planta Oficial: O empreendimento localiza-se no Parque Residencial dos Comerciários, em frente ao Clube da Ford. Ele deveria contar com 102 unidades residenciais térreas, no valor de R$ 42.200,00 cada, com 47,09m² em um terreno de 8 X 25m, com 2 quartos, sala, cozinha, banheiro e lavanderia. O pé-direito tem 2,6 m de altura quando a prefeitura exige que s eja de no mínimo 2,7m, apenas “com autorização da vigilância sanitária”, segundo a engenheira da prefeitura, Cláudia Renata. As unidades são financiadas pela Caixa Econômica Federal.
      Não se sabe o que aconteceu com a planta oficial que nunca foi entregue aos mutuários. Em seu foi apresentado um segundo projeto.
      Segunda planta: A nova versão entregue aos mutuários apresenta unidade residencial com apenas 41,21 m² de área construída, no mesmo terreno e com a mesma distribuição de cômodos.
      Porém, quando foram conferir o que estava sendo construído, os mutuários ficaram surpresos e indignados com o que viram
      A realidade: As unidades habitacionais do residencial que está quase em fase de acabamento têm apenas 35 m².
      Uma comissão formada pelos mutuários tentou sanar o problema. Na primeira reunião, a Cooperativa pediu para que a imprensa não fosse informada. Após várias reuniões infrutíferas, os mutuários solicitaram que CONTATO acompanhasse o desfecho das negociações. Afinal, o drama dessas famílias parece não ter fim.

 

Peregrinação

      Segundo os mutuários, a Caixa Econômica Federal chamou um pretendente de cada vez – em horário comercial – para assinar o contrato. Poucos prestaram atenção no que assinara. “Eles agiram de má-fé conosco”, declaram unanimemente os mutuários. Segunda-feira, 19, cerca de 50 deles reuniram-se, pela última vez, na Av. do Povo – em frente à Câmara Municipal”– para tentar resolver o problema que se arrasta há mais de duas semanas, desde que fora descoberto.
      “Quero apenas o que me fora apresentado, pois pago por isso. Uma casa de 47 m². Este é o tamanho da planta oficial. Não quero uma de apenas 35 m²”, desbafa Erick Lisboa, integrante da comissão.
      “A casa ficou muito pequena, se colocarmos uma geladeira, um fogão e uma mesa na cozinha, a mulher não entra para cozinhar. Temos que entrar de lado no banheiro; se entrarmos de frente ficaremos presos entre as paredes”, declara Clóvis Renato, mutuário.
      “O presidente do Sindicato [dos Empregados no Comércio] diz estar do nosso lado, mas não nos atende. Ele quer marcar uma reunião com um mutuário de cada vez. Queremos que ele atenda nossa comissão, que conta com 10 pessoas”. Relata Lisboa, insatisfeito.

Desencontros?

      Até o momento os mutuários não obtiveram qualquer resposta. O representante da Cooperativa, Carlos Motta, não revela sua posição. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comercio, Carlos Dionísio, não foi encontrado porque, segundo sua secretária, encontrava-se em Brasília. Enquanto isso, embora a obra esteja parada, os mutuários continuam sem resposta e pagando as prestações do imóvel.