Embargar
a construção da casa própria. Parece ironia,
mas é a triste realidade da obra intitulada “Residencial
dos Comerciários III”. Trata-se de empreendimento
da Cooperativa Habitacional dos Comerciários do Estado
de São Paulo parceria com a Caixa Econômica Federal,
o Sindicato dos Empregados no Comercio de Taubaté junto
à prefeitura de Taubaté. Para a realização
da obra, foi contratada a construtora de São José
do Rio Preto, Hugo Engenharia. Porém, os mutuários
foram surpreendidos quando descobriram que as casas não
correspondiam à planta apresentada na hora em que assinaram
o contrato.
Planta Oficial:
O empreendimento localiza-se no Parque Residencial dos Comerciários,
em frente ao Clube da Ford. Ele deveria contar com 102 unidades
residenciais térreas, no valor de R$ 42.200,00 cada, com
47,09m² em um terreno de 8 X 25m, com 2 quartos, sala, cozinha,
banheiro e lavanderia. O pé-direito tem 2,6 m de altura
quando a prefeitura exige que s eja de no mínimo 2,7m,
apenas “com autorização da vigilância
sanitária”, segundo a engenheira da prefeitura, Cláudia
Renata. As unidades são financiadas pela Caixa Econômica
Federal.
Não se sabe o que aconteceu
com a planta oficial que nunca foi entregue aos mutuários.
Em seu foi apresentado um segundo projeto.
Segunda planta: A
nova versão entregue aos mutuários apresenta unidade
residencial com apenas 41,21 m² de área construída,
no mesmo terreno e com a mesma distribuição de cômodos.
Porém, quando foram
conferir o que estava sendo construído, os mutuários
ficaram surpresos e indignados com o que viram
A realidade:
As unidades habitacionais do residencial que está quase
em fase de acabamento têm apenas 35 m².
Uma comissão formada
pelos mutuários tentou sanar o problema. Na primeira reunião,
a Cooperativa pediu para que a imprensa não fosse informada.
Após várias reuniões infrutíferas,
os mutuários solicitaram que CONTATO acompanhasse o desfecho
das negociações. Afinal, o drama dessas famílias
parece não ter fim.
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Peregrinação
Segundo
os mutuários, a Caixa Econômica Federal chamou um
pretendente de cada vez – em horário comercial –
para assinar o contrato. Poucos prestaram atenção
no que assinara. “Eles agiram de má-fé conosco”,
declaram unanimemente os mutuários. Segunda-feira, 19,
cerca de 50 deles reuniram-se, pela última vez, na Av.
do Povo – em frente à Câmara Municipal”–
para tentar resolver o problema que se arrasta há mais
de duas semanas, desde que fora descoberto.
“Quero apenas o que
me fora apresentado, pois pago por isso. Uma casa de 47 m².
Este é o tamanho da planta oficial. Não quero uma
de apenas 35 m²”, desbafa Erick Lisboa, integrante
da comissão.
“A casa ficou muito
pequena, se colocarmos uma geladeira, um fogão e uma mesa
na cozinha, a mulher não entra para cozinhar. Temos que
entrar de lado no banheiro; se entrarmos de frente ficaremos presos
entre as paredes”, declara Clóvis Renato, mutuário.
“O presidente do Sindicato
[dos Empregados no Comércio] diz estar do nosso lado, mas
não nos atende. Ele quer marcar uma reunião com
um mutuário de cada vez. Queremos que ele atenda nossa
comissão, que conta com 10 pessoas”. Relata Lisboa,
insatisfeito.
Desencontros?
Até
o momento os mutuários não obtiveram qualquer resposta.
O representante da Cooperativa, Carlos Motta, não revela
sua posição. O presidente do Sindicato dos Empregados
no Comercio, Carlos Dionísio, não foi encontrado
porque, segundo sua secretária, encontrava-se em Brasília.
Enquanto isso, embora a obra esteja parada, os mutuários
continuam sem resposta e pagando as prestações do
imóvel.
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