A
prefeitura municipal comprou um quarto de página de um
jornal regional para veicular a peça publicitária
intitulada “Isto é Taubaté” com as manchetes
“100 % dos esgotos tratados. Mais saúde para Taubaté”.
No texto publicitário que segue, consta que “Acaba
de ser assinado o contrato de participação da administração
municipal na construção da Estação
de Tratamento de Esgoto de Taubaté”, Valeparaibano,
20 de outubro, página 11. Propaganda idêntica foi
feita através da TVs regionais.
Desde então,
CONTATO procurou por todos os meios ter acesso ao referido contrato.
Contrato com quem? Apesar das evidências de que se trata
de um empreendimento da Sabesp, empresa pública do governo
estadual, a peça publicitária não faz qualquer
referência à empresa responsável. Nem tampouco
à Caixa Econômica Federal, que está financiando
a própria Sabesp.
Qual o objetivo
da prefeitura de Taubaté em omitir os nomes dos responsáveis?
Será o mesmo que a levou a trocar as cores do PSDB –
azul e amarelo – pelas cores do PMDB? O primeiro partido
elegeu o prefeito Roberto Peixoto e o PMDB é seu novo partido.
Ou será para agradar aos petistas, seus neo-aliados, que
fazem oposição do governo do estado?
Qualquer
que seja o motivo, nada justifica pagar regiamente uma agência
de publicidade e comprar espaço nobre de um jornal regional
e muito tempo das redes de TVs regionais para exibir propaganda
que pode ser classificada de enganosa.
Enganosa
por quê? poderiam questionar os paus mandados do Palácio
Bom Conselho. A resposta pode ser encontrada no espírito
da lei que impõe regras e limites para o mercado publicitário.
A propaganda, segundo a lei, é enganosa quando induz o
consumidor ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço
com qualidades que não possui. É uma propaganda
falsa. Trata-se de um crime em que o infrator (agência de
publicidade) e seu agenciador (prefeitura) estão sujeitos
a pena de detenção de três meses a um ano
e multa. E o eleitor não deixa de ser um consumidor de
informações que orientarão seu voto.
Eis um bom tema para o Ministério Público. Provas
é que não faltam. Por exemplo. A edição
do jornal aqui reproduzida. Quer mais? A resposta que a Sabesp
demorou quase um mês para enviar para nossa redação,
aqui reproduzida integralmente. Se isso não for suficiente,
quem sabe a Câmara Municipal desperta de seu estado catatônico
induzido pela maioria governista e pergunta ao prefeito qual “a
participação da administração municipal
na construção da Estação de Tratamento
de Esgoto da Taubaté” e Tremembé. Isso mesmo.
É assim que a obra foi concebida – para Taubaté
e Tremembé.
A Sabesp
informa que “A obra do sistema integrado de tratamento de
esgotos Taubaté/Tremembé está sendo realizado
com recursos da Sabesp em conjunto com financiamento da Caixa
Econômica Federal, que serão pagos pela Sabesp. A
prefeitura de Taubaté assina como anuente do financiamento”.
E para facilitar a vida desses agentes públicos –
MP e CMT -, reproduzimos o significado de anuência, segundo
o dicionário Houaiss: “Anuência, ação
ou efeito de anuir; anuição, aprovação,
consentimento”. Portanto, a grande participação
da prefeitura foi concordar com a execução da obra
que ficará para a municipalidade, se um dia resolver não
renovar o contrato de concessão do serviço hoje
executado pela Sabesp.
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E,
de quebra, a nota concluiu que não é verdade a firmação
do diretor do DOP – Departamento de Obras Públicas
- engenheiro Gerson Araújo, quando declarou e repetiu que
havia um acordo informal entre a prefeitura e a Sabesp para reparar
eventuais estragos provocados pela obra dessa Estação
de Tratamento de Esgoto. Era uma desculpa esfarrapada para justificar
o uso de funcionários municipais, máquinas e materiais
da prefeitura para consertar sua calçada que teria sido
quebrada por uma empreiteira contratada pela Sabesp.
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Resposta
da Sebesp
“A
obra do sistema integrado de tratamento de esgotos Taubaté/Tremembé
está sendo realizada com recursos da Sabesp em conjunto
com financiamento da Caixa Econômica Federal, que serão
pagos pela Sabesp. A prefeitura de Taubaté assina como
anuente do financiamento.
Todos
os empreendimentos executados pela Sabesp são transferidos
aos municípios concedentes no momento do encerramento do
contrato de concessão vigente, quando são apurados
os valores dos ativos ainda não depreciados, para equacionamento
entre municípios e estado.
A
Sabesp entende que a população dos municípios
de Taubaté e Tremembé é a maior beneficiada
pelo empreendimento e, para a sua concretização
é imprescindível a anuência dos prefeitos
em exercício.
Informamos que até a conclusão total do empreendimento,
o contrato encontra-se à disposição para
ser visto, caso haja solicitação formal do Tribunal
de Contas, Procuradoria ou do Ministério Público.
E,
por fim, quanto ao questionamento sobre parcerias da Sabesp, esclarecemos
que a Sabesp não mantém qualquer tipo de parceria
informal e sim um bom relacionamento com todas as prefeituras,
cujos municípios são operados pela Sabesp.
Atenciosamente
PATRÍCIA CAMACHO
Gestão de Comunicação
Pólo de Comunicação - RV112”
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