A
Prefeitura assinou novamente seu próprio atestado de incompetência.
Dessa vez, teve que desfazer uma obra pública realizada
por ela mesma. O centro das reclamações de moradores
são as “ilhas” construídas na Av. São
Pedro, no bairro Alto São Pedro.
A insatisfação gerada pela construção
destas “ilhas” obrigou a prefeitura a retira-las,
na terça-feira, 13. A obra que visava melhoria para os
moradores e motoristas acabou por ser prejudicial. A pista de
rolagem que antes era suficiente para a passagem de dois autos
em cada sentido, ficou reduzida à metade.
Se a intenção
da obra era duplicar a pista, visto que a calçada foi diminuída
em 1 metro de cada lado, o resultado foi inverso: as “ilhas”
diminuíram o espaço para o tráfego de veículos.
“Ilhas”
A obra foi
realizada sem qualquer planejamento, como muitas outras, e custou
muito dinheiro dos cofres públicos. Só nesse episódio,
a Prefeitura gastou cerca de R$ 450 mil e a obra ainda não
foi concluída. Esse valor não leva em consideração
o dinheiro que foi gasto para desfazer a obra.
Prefeito
Roberto Peixoto, o diretor do DOP, engenheiro Gerson Araújo,
o diretor de Finanças, João Carlos da Silveira,
o líder do prefeito na Câmara, vereador Chico Saad,
e mais tarde até o criador dessa obra, Monteclaro César,
rebaixado a gerente de trânsito para dar espaço para
o Partido dos Trabalhadores, foram algumas das autoridades que
acompanharam pessoalmente a demolição da obra.
“Minha
indignação com o prefeito está na malversação
do dinheiro publico, gasta-se muito com obras desnecessárias”,
declara a vereadora Maria Gorete (PMN), que reside na região
e também presente no momento em que as máquinas
demoliam um dos símbolos dessa administração:
ilhas inúteis e prejudiciais ao já caótico
trânsito da cidade.
Uma das “ilhas”
foi construída na altura de um ponto de ônibus, outra
em frente ao estacionamento da igreja. Quando o coletivo está
parado no ponto, os motoristas são obrigados a aguardar
até que o ônibus saia. Com isso, alguns motoristas
mais abusados, que não são poucos, acabam por passar
pela contramão, provocando muitos acidentes.
“Quando
as crianças saem do colégio para ir embora, elas
atravessam a avenida fora da faixa de pedestre porque muitos motoristas
passam na contramão, visto que a ”ilha” impede
o fluxo continuo dos autos e acaba por colocar em risco a vida
delas. Algo tem que ser feito para melhorar esse caos”,
diz indignado Cilo Marçal de Souza, comerciante e morador
do bairro.
Insatisfação
Pesquisa
feita pela vereadora Maria Gorete mostra a insatisfação
dos moradores para com as “ilhas” construídas.
Foram entrevistados 88 moradores, dos quais 70 votaram contra
a permanência das “ilhas” e apenas 18 a favor.
“Quando
teve inicio a obra, ninguém aqui do bairro foi consultado,
não sabíamos o que seria feito. Ninguém da
prefeitura veio nos perguntar se esse canteiro seria bom para
nosso bairro. Nós, que vivemos aqui, portanto, deveríamos
ser ouvidos, assim a prefeitura evitaria gastos desnecessários
com o nosso dinheiro”. Relata insatisfeita Marlene Maria
Arruda Santos, comerciante e moradora.
“Agora
que a prefeitura resolveu retirar as “ilhas” que foram
construídas na avenida terá que instalar lombadas,
se não [isso] aqui vai virar uma pista de “racha”
e com certeza vai ocorrer mais acidentes ainda”. Comenta
Joaquim Cristóvão Mendes, morador do bairro.
Prefeitura
O assessor
de comunicação da prefeitura declarou para CONTATO
“que o pedido do relatório oficial da obra foi encaminhado
para o engenheiro responsável e estamos à espera
do relatório para divulgarmos para a imprensa”.