Sombra e água fresca

“Plantar um jardim é fácil. Basta que uma pessoa queira. Mas para plantar um jardim-cidade é preciso um povo unido pelo mesmo sonho” Rubens Alves, escritor.

Por Ana Lucia Vianna

       Rio de Janeiro, Buenos Aires, Montreal, Washington ou Paris, o que estas cidades têm em comum? São lindas! Mas o que as fazem tão belas? Penso que são suas praças, seus jardins e a arborização das ruas. São jardins-cidades.
       Imagine o Rio de Janeiro sem a Floresta da Tijuca, o aterro do Flamengo, o Jardim Botânico ou os jacarandás nas ruas de Ipanema e Leblon. Sobraria o mar que também, por sinal, é verde!
       Retire os plátanos das ruas de Paris. Feche os Jardim de Luxemburgo e de Versailles. Só sobrariam os edifícios centenários e a torre Eifel que ficariam feios sem a moldura do verde.
       Aqui em nossa cidade, por que todos preferem caminhar na praça Santa Teresinha ou na avenida JK? A resposta está na procura pela sombra das árvores, no cheiro gostoso das flores e na visão do verde em nossa frente. Como é difícil andar nas outras ruas sem árvores, sob o sol escaldante, com uma luminosidade que fere os olhos e queima a pele. Qualquer caminhada torna-se um suplício. Pena que há tanto tempo deixamos de usar chapéus.
       O poder público tem aberto novas avenidas, praças, criando novos bairros, trazendo para Taubaté grandes lojas. Contudo, tem deixado de lado o mais simples e puro: o cuidado com o meio ambiente. Todos já sentem os efeitos do aquecimento global provocado principalmente pelo desmatamento pontual ou geral.
Nossas escolas ou nossos cidadãos não dão bons exemplos. Na frente da praça Santa Terezinha, uma escola podou ou solicitou a poda mutiladora de uma bela sibipiruna que atrapalhava a visão de sua fachada. O que estão ensinando a seus alunos?
       Por outro lado, os alunos de uma escola próxima à praça do relógio plantaram na Semana do Meio Ambiente, mais de cem mudas de árvores nas calçadas ao redor da escola. Ao voltarem, depois do final de semana prolongado, viram que nenhuma das mudas havia sobrevivido à falta de educação dos transeuntes: todas haviam sido arrancadas. Como educá-los sem exemplos verdadeiros?
       Queremos que nossa cidade torne-se também um jardim-cidade? Plantemos árvores. Elas enfeitam, purificam o ar, diminuem a poluição sonora, dão sombra, amenizam a temperatura, muitas têm inestimável valor afetivo ou histórico. Além disto tudo, acredito que não haja nada mais barato nas despesas de um município, uma razão custo-benefício inigualável, diriam os técnicos “cabeças de planilha”.




      Ainda há tempo de nos unirmos no sonho de aqui formarmos um real grande jardim com muita sombra e água fresca. Uma cidade onde possamos contar com o Éden que herdamos de nossos ancestrais e que possamos transferir a nossos descendentes.