Hoje
em dia, o modelo cosmológico mais em moda é o da
grande expansão inicial: a teoria do “big bang”.
Como teoria, ela resultou da observação de que quase
todas as galáxias distantes parecem estar se afastando
da Terra com velocidades que aumentam com a sua distância
até nós. Estudos astrométricos dos membros
mais brilhantes dos grupamentos de galáxias permitiram
a construção de uma escala de distâncias cósmicas.
Esta escala envolveu bilhões de anos-luz e permitiu traçar
uma relação mais ou menos linear entre o desvio
para o vermelho observado na luz emitida pelas galáxias
(uma medida da velocidade da galáxia na direção
da sua linha de visada) e a distância delas até nós.
A inclinação
da reta resultante dessa relação corresponde à
constante de Hubble, e o seu inverso, que tem a dimensão
de tempo, é considerado como a medida da idade do universo.
Tal interpretação dessa relação implica
que todo o universo, com tudo que nele existe, esteve uma vez
compactado em num ponto ou numa esfera pequena. A interpretação
do efeito Hubble é que a matéria que constitui o
universo está atualmente em expansão centrífuga
a partir daquele ponto. Assim, os cientistas especulam que toda
a matéria expandiu a partir do mesmo ponto. Esta grande
expansão inicial recebeu o nome de “big bang”.
Talvez o maior dos problemas, em associação com
o “big bang”, é a sua origem finalística.
De onde teria vindo todo o material que constitui o universo?
Qualquer teoria sobre as origens, quaisquer que tenham sido elas,
necessariamente envolverá termos matemáticos que
por sua vez dependerão de coordenadas. Tais termos acabarão
sendo indeterminados na origem do sistema de coordenadas, ou,
em outras palavras, o matemático ou o físico acabará
dividindo por zero os termos na origem.
Tomemos a densidade do universo
como um exemplo. A densidade nada mais é do que a massa
total dividida pelo volume. Ora, se a massa do universo for constante
e o volume do universo tender a zero, teremos que a densidade
será igual a algum número finito dividido por zero,
o que leva a um valor infinito.
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Para
evitar soluções dessa natureza, os astrofísicos
realmente não consideram o início do universo no instante
zero, mas sim numa fração de segundos (10-34 segundos)
imediatamente após o instante zero. Da mesma forma, não
partem do tamanho zero, mas sim de uma esfera com raio igual a velocidade
da luz multiplicada por aquele intervalo de tempo, que vem a ser
10-34 cm.
O modelo do “big bang”
prediz que deveria haver quantidades iguais de matéria normal,
e de antimatéria - que surgiram a partir dos estágios
iniciais da formação do universo. Não obstante,
o universo aparenta ser constituído primariamente de matéria
normal; pelo menos são essas as evidências a partir
das observações da radioastronomia.
Provavelmente, a natureza, de
algum modo, favoreceu a criação de matéria
em detrimento da antimatéria no Big Bang, indicando que ela
trata a matéria e antimatéria diferentemente. Com
isto, seria possível que uma pequena fração
de matéria criada inicialmente tenha sobrevivido e formado
o Universo que conhecemos.
Se uma onda de rádio
percorre um campo magnético, então seu plano de polarização
sofre uma rotação provocada pelo campo. Este efeito
é chamado de “rotação de Faraday”
e ocorre de tal maneira que o plano de polarização
gira num sentido se o campo for devido à matéria normal,
e no sentido oposto se o campo magnético for devido à
antimatéria. Observou-se que a rotação do plano
de polarização de ondas de rádio provenientes
de fontes astronômicas era preponderantemente no mesmo sentido.
Isso indica que o universo é preponderantemente formado de
um só tipo de matéria, presumivelmente matéria
normal.

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