Há
50 anos, no dia 3 de novembro de 1957, a cadela Laika tornou-se
o primeiro ser vivo a entrar em órbita ao ser enviada ao
espaço a bordo da cápsula soviética, o Sputinik-2.
Ela abriu simbolicamente, pagando com a vida, o caminho das estrelas
para os seres humanos. O objetivo era duplo: confirmar, no momento
em que se aproximava o 40º aniversário da Revolução
de 1917, a superioridade da tecnologia da então União
Soviética em relação à de seus adversários
norte-americanos, e verificar se um organismo vivo poderia suportar
as condições espaciais.
A cadela se chamava Kudriavka, mas se
tornou famosa sob o nome de Laika. Conta-se hoje que a pequena
vira-lata com ares de fox-terrier foi capturada nas ruas de Moscou,
antes de ser enviada ao espaço. No dia 3 de novembro de
1957, Kudriavka-Laika, deixou a Terra para uma viagem sem volta.
Foi preciso esperar 45 anos e um congresso sobre o espaço
nos Estados Unidos, em 2002, até que um dos organizadores
da missão, Dmitri Malashenkov, revelasse que Laika havia
falecido após algumas horas de sofrimento logo depois da
decolagem do foguete.
Assustada com os barulhos e as vibrações
do foguete na hora do lançamento, a cadela entrou em estado
de choque. O isolamento térmico da cabine fora danificado
na hora do lançamento e, após 4 horas, a temperatura
a bordo atingiu 41°C e continuou subindo. Passadas cinco horas,
Laika não deu mais sinal de vida.
Seu túmulo celeste girou em cima da Terra até o
dia 14 de agosto de 1958, quando se consumiu na atmosfera. A missão
foi um fracasso parcial, mas acumulou conhecimento que permitiram
enviar outros cães ao espaço e, sobretudo, trazê-los
de volta a Terra, sãos e salvos. O acesso do homem ao espaço
se tornou realidade com o vôo de Yuri Gagarin, no dia 12
de abril de 1961.