Há
cerca de uma semana, Mário Celso Moreira de Barros, 50,
precisou de um leito de UTI. Vítima de Acidente Vascular
Cerebral (AVC) Hemorrágico, popularmente conhecido por
derrame cerebral, ele foi internado no Pronto-Socorro Municipal
no sábado, 3, às 16h, onde aguardou a transferência
para uma Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional - HR,
até a tarde de segunda-feira, 5, quando veio a falecer.
A família acreditou
que influências da imprensa, da Câmara Municipal ou
de autoridades pudessem surtir efeitos ao garantir uma vaga na
UTI. Porém, apesar do esforço em procurar ajuda,
nenhuma vaga foi disponibilizada para Barros, mesmo sendo este
um caso “muito grave”, segundo Drª. Aldinéia
Martins, diretora técnica/clínica do HR. “O
paciente é tio de uma funcionária do Hospital e
ela sabe como isso funciona. Não tem vaga mesmo. Inclusive,
foram suspensas duas cirurgias hoje por falta de vaga”,
esclarece a diretora na segunda-feira, 5, antes do falecimento
de Mário Barros.
Segundo declarações
da família ao jornal Valeparaibano, Barros contraiu uma
infecção no pronto-socorro. Drª. Aldinéia
explica que é preciso cinco ou seis dias para que uma infecção
seja diagnosticada no paciente. E que, portanto, essa informação
não é válida.
HR
se explica
Quando
um paciente é indicado para internação em
UTI, a equipe médica responsável envia uma solicitação
ao DRS – Direção Regional de Saúde.
O Plantão Controlador do DRS é quem verifica a disponibilidade
de vagas, médicos e estrutura necessária para cada
caso. “Buscamos de unidade em unidade uma vaga que seja
compatível com o paciente em questão, ou seja, aquele
leito que tenha capacidade de atender o paciente no momento”,
explica a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde.
Os 31 leitos disponíveis
no Hospital Regional de Taubaté (que em 2004, eram apenas
8 com aparelhagens completas) fazem parte de um atendimento focado
em 39 cidades da região, organizado pela Central de Vagas
do DRS. Não existem privilégios na escolha de um
determinado leito para um paciente. “A gravidade é
critério de seleção”, garante Drª.
Aldinéia Martins.
Tanto a diretoria técnica
do HR quanto a assessoria da Secretaria da Saúde de SP
alegam que a ausência de leito na UTI não foi a causa
do falecimento de Mário Barros, e tampouco prejudicou a
situação do paciente. “Ele foi devidamente
assistido, e teve o mesmo atendimento que teria na UTI. A única
diferença seria o espaço físico”, garante
o assessor Rubens, que responde também pelo Plantão
Controlador.
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Indagações
A confiança no tratamento
médico é sempre alvo de discussão. Como mencionado
na edição 340 de CONTATO, na reportagem Lazer Perigoso,
a adequação da conduta médica também
envolve o diálogo – claro e objetivo – com
os pacientes e seus familiares.
Quando um caso é considerado
gravíssimo, espera-se imediatamente, a sua transferência
para um leito de UTI. É simples compreender a aflição
da família Barros na espera do tratamento adequado.
Por mais que os vinte médicos
de corpo presente, os chamados plantonistas de urgência,
do Hospital Regional estejam aptos a atender um paciente com todos
os recursos disponíveis na sala de Terapia Intensiva, fica
a dúvida sobre o “algo mais” que poderia ser
feito, o “dia a mais” que a vítima poderia
ter vivido, e a certeza de que todas as chances foram dadas à
vida.
Medicina
pública X Medicina privada
Possuir
um plano de saúde particular é inacessível
para a maioria dos brasileiros, já que têm dificuldades
até em pagar o próprio aluguel. Pior ainda é
pagar uma mensalidade considerada cara para os padrões
nacionais para, talvez, nunca precisar de tal assistência.
Contraditório, também, é torcer para que
esse dinheiro realmente seja gasto “em vão”,
ou seja, nunca precisar de um médico particular, internações
de urgência, cirurgias e um quarto de hospital.
Criado pela Constituição
Federal de 1988, o SUS – Sistema Único de Saúde
– tem por objetivo garantir a assistência médico-hospitalar
para todo e qualquer cidadão, sem qualquer custo financeiro.
Esse atendimento dispensado para milhões de brasileiros
que só dispõem desse tipo de serviço médico
está muito longe da perfeição. Quando não
é falta de leito, é a falta de profissionais ou
de remédios ou dos três. Até quando teremos
de conviver com tantos percalços?
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