Três anos e a eternidade...

Espaço indissociável de objetos, ações, noções de técnica e de tempo, de razão e de emoção são algumas categorias que o geógrafo Milton Santos buscou na história, na filosofia, na sociologia e em outras disciplinas humanas e sociais, para propor o que chamou de teoria geral do espaço humano. Um espaço redescoberto pelo mestre JC Sebe em sua volta a Taubaté via o Jornal CONTATO


Paulinho Pereba comemora a decisão de JC Sebe colaborar com Jornal CONTATO em março de 2004

     Incrível, mas faz três anos que escrevo para o CONTATO. Três anos ininterruptos e cheios de emoção, afeto. Lembro-me com nitidez quando, no Bar do Pereba, Paulo de Tarso me convidou. Precisei pensar um pouco e ante minha momentânea relutância ele disse algo próximo disto “não precisa ser todas as semanas, pode ser de vez em quando, pois afinal, sei o que é ter compromisso como este”.
     Discordei logo. Ou aceitaria tudo, ou nada. E foi fácil abalar minhas resistências. Com meus botões, compus uma ladainha de vantagens: receberia o jornal em minha casa no Rio, saberia das notícias da terrinha querida, refaria o umbilical cordão com minhas origens. E, tudo isso aconteceu com fartura e com solenidade. E de lambuja ainda ganhei prazeres de leituras de textos que me comovem e fazem pensar do que seria de nossas “letras taubateanas” sem o jornal do Paulo. Abria-se em minha alma, com esta participação, um novo território de ternura e até me sinto melhor cidadão mantendo minha fidelidade àquele convite. E como ganhei!
     Beti Cruz, antes de mais nada, se empenhou em editar e trocar idéias sobre temas comuns e nos perdemos em lembranças e papos nostálgicos que me permitem ver nela uma de minhas cronistas favoritas; ler o Marmo virou obrigação que satisfaço com alegria e vejo o quanto perdi de não ter, no passado, usufruído mais de sua sabedoria. Meu eventual vizinho de coluna, Luiz Gonzaga Pinheiro permite que me sinta provocado por ver suas argutas agulhadas nos poderes estabelecidos e até por contrastar o pessimismo dele com o meu sentimento de que tudo vai dar certo. Descobrir Lídia Meireles uma poetiza de mão cheia foi revelação plena e surpresa grata.


     Confirmar que no Paulo de Tarso há algo de “Mundinho”, o personagem de Jorge Amado, me é confortável e sempre que posso repito isso a ele. Mas há algo mais que me fascina quando vejo a lista dos colaboradores: ele projeta sonhos no filho Pedro, que há de dimensiona-lo na utopia de fazer um bom jornal comunitário. E não tem como deixar de lado a Ana Gatti que, revelação, além de propiciar dicas espertas, mostra-se escritora invejável com estilo e graça. Há outros aspectos notáveis do CONTATO, e, um deles é a galeria de fotos. Ah! como isso me diverte. Ver amigos, conhecidos em festas, debates políticos, confrontos ideológicos, me faz entender o que Kant chamava de “sublime”.
     Dia desses, em minhas apressadas mas repetidas viagens a Taubaté, um representante do jornal concorrente – concorrente? – convidou-me para mudar a coluna para suas páginas. Fiquei mais que perplexo, ofendido, e então pude entender melhor o que significa o CONTATO para mim. Entre as respostas possíveis, devo dizer que é uma honra sentir-me parte de um grupo tão plural e ao mesmo tempo afinado. Mas, muito mais do que isto, em minhas atribuladas andanças, entre as tarefas que tenho que vencer para dominar minha agenda, escrever minhas crônicas semanais é o momento de festa, de inversão do cotidiano de quem tem a escrita tensa como militância. Juro que nunca atrasei uma crônica e se soubessem com que carinho e cuidado zelo pela escolha dos temas, meus leitores me abraçariam e juntos celebraríamos.
     O título deste escrito, contudo, encerra outra história: seja qual for o meu futuro, longo ou curto, o que ficou registrado aqui me vale como uma eternidade.