Na minha opinião, Taubaté não merece um governo
tão ruim como esse. Estou me lixando se a oposição
já pôs seu bloco na rua ou se o casal de prefeitos
(isso mesmo, prefeito e prefeita já que ela manda e desmanda)
não consegue articular uma frase sequer sem cometer erros
de concordância, gramática e outros que tais da língua
de Camões. O quê me incomoda é o desleixo
para com a cidade, especialmente com os seus símbolos.
Duda Matos, gerente de Cultura,
talvez seja a única exceção nesse mar de
incompetência que tomou conta do Palácio Bom Conselho.
Mesmo assim, Duda não abre o bico para falar do estado
calamitoso de nossos museus que permanecem fechados apesar do
meio ano de sua gestão. Eu sei que ela pegou o bonde andando.
Mas uma coisa é certa: todos os bem sucedidos eventos culturais
já realizados, assim como os programados, vão virar
pó diante da irresponsabilidade praticada contra nossos
patrimônios históricos, em particular os museus.
Mas o desrespeito não
pára por aí. Quem ouve o programa de rádio
pago a preço de ouro e auto-intitulado prestação
de contas da prefeitura pode ter uma falsa impressão que
tudo vai bem nessa cidade. Para que isso aconteça, é
preciso que o ouvinte não saia de casa e não precise
de nenhum serviço público. Exagero? Confira apenas
esses dois exemplos.
Quiririm é o berço
da colônia de italianos que trouxeram mão de obra,
cultura e valores que marcaram a cidade desde o final do século
19. Um estranho que por lá passar pode até pensar
que errou de caminho e foi parar num canto qualquer da Itália.
Os nomes das ruas, as cantinas, imóveis que ainda carregam
as marcas da arquitetura italiana, a música e até
o sotaque carregado podem ser encontrados em qualquer canto do
nosso distrito. Além disso, ali se concentram grandes indústrias
responsáveis por uma boa parcela do PIB industrial do Brasil.
Mas, a sensação
agradável se desfaz quando o turista ou mesmo o cidadão
taubateano descobre descalabro público para com os símbolos
de Quiririm. Recentemente, vereador Ângelo Filippini denunciou
com fotos e imagens fortes o estado em que se encontra desde o
portal até as estátuas e monumentos. No dia seguinte,
a prefeitura retirou o portal. Ou seja, escondeu a sujeira em
baixo do tapete.
Outro exemplo é o
estado de abandono do nosso cemitério municipal. Não
bastasse a prefeitura ter permitido que ele se transformasse em
ponto comercial de sexo e drogas, a falta de segurança
estimulou a ação de vândalos que violam túmulos
em busca de peças de bronze e cobre dos jazigos e até
mesmo dentes de ouro e outras jóias que porventura as famílias
tenham enfeitado como última homenagem a seus parentes
mortos.
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Um governo que não
respeita seus mortos, sua história e seus colonizadores
como o são os oriundi de Quiririm, não é
digno de ser chamado de governo. Os inquilinos do Palácio
Bom Conselho, acometidos do sentimento de impunidade trazido pelo
poder efêmero e pela compra recorrente de votos para impedir
a formação de CEIs, se esquecem que um novo governo,
qualquer um que seja, vai mandar apurar os desmandos que caracterizam
essa administração. E as conseqüências
serão inevitáveis. É só esperar para
conferir daqui a quinze meses.
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