Taubaté não merece
“Esse é o pior governo desde Waldomiro de Carvalho!” é a expressão recorrente de 10 entre 10 cidadãos que conhecem o mínimo da história recente de Taubaté. Não seria exagero da oposição que já está em campanha eleitoral? Ou preconceito contra um político mal preparado, porém com raízes populares?

Por Paulo de Tarso Venceslau

       Na minha opinião, Taubaté não merece um governo tão ruim como esse. Estou me lixando se a oposição já pôs seu bloco na rua ou se o casal de prefeitos (isso mesmo, prefeito e prefeita já que ela manda e desmanda) não consegue articular uma frase sequer sem cometer erros de concordância, gramática e outros que tais da língua de Camões. O quê me incomoda é o desleixo para com a cidade, especialmente com os seus símbolos.
       Duda Matos, gerente de Cultura, talvez seja a única exceção nesse mar de incompetência que tomou conta do Palácio Bom Conselho. Mesmo assim, Duda não abre o bico para falar do estado calamitoso de nossos museus que permanecem fechados apesar do meio ano de sua gestão. Eu sei que ela pegou o bonde andando. Mas uma coisa é certa: todos os bem sucedidos eventos culturais já realizados, assim como os programados, vão virar pó diante da irresponsabilidade praticada contra nossos patrimônios históricos, em particular os museus.
       Mas o desrespeito não pára por aí. Quem ouve o programa de rádio pago a preço de ouro e auto-intitulado prestação de contas da prefeitura pode ter uma falsa impressão que tudo vai bem nessa cidade. Para que isso aconteça, é preciso que o ouvinte não saia de casa e não precise de nenhum serviço público. Exagero? Confira apenas esses dois exemplos.
       Quiririm é o berço da colônia de italianos que trouxeram mão de obra, cultura e valores que marcaram a cidade desde o final do século 19. Um estranho que por lá passar pode até pensar que errou de caminho e foi parar num canto qualquer da Itália. Os nomes das ruas, as cantinas, imóveis que ainda carregam as marcas da arquitetura italiana, a música e até o sotaque carregado podem ser encontrados em qualquer canto do nosso distrito. Além disso, ali se concentram grandes indústrias responsáveis por uma boa parcela do PIB industrial do Brasil.
       Mas, a sensação agradável se desfaz quando o turista ou mesmo o cidadão taubateano descobre descalabro público para com os símbolos de Quiririm. Recentemente, vereador Ângelo Filippini denunciou com fotos e imagens fortes o estado em que se encontra desde o portal até as estátuas e monumentos. No dia seguinte, a prefeitura retirou o portal. Ou seja, escondeu a sujeira em baixo do tapete.
       Outro exemplo é o estado de abandono do nosso cemitério municipal. Não bastasse a prefeitura ter permitido que ele se transformasse em ponto comercial de sexo e drogas, a falta de segurança estimulou a ação de vândalos que violam túmulos em busca de peças de bronze e cobre dos jazigos e até mesmo dentes de ouro e outras jóias que porventura as famílias tenham enfeitado como última homenagem a seus parentes mortos.




       Um governo que não respeita seus mortos, sua história e seus colonizadores como o são os oriundi de Quiririm, não é digno de ser chamado de governo. Os inquilinos do Palácio Bom Conselho, acometidos do sentimento de impunidade trazido pelo poder efêmero e pela compra recorrente de votos para impedir a formação de CEIs, se esquecem que um novo governo, qualquer um que seja, vai mandar apurar os desmandos que caracterizam essa administração. E as conseqüências serão inevitáveis. É só esperar para conferir daqui a quinze meses.