Quem diria, o PT virou
leite longa vida

Depois de mais de um quarto de século, as esperanças despertadas por um partido jovem e sem vícios se desvaneceram tal qual a certeza de que todo leite bem embalado é bom, apesar de todos alertas emitidos pelo Nicola de Angelis, produtor de leite e presidente da Comevap

Por Paulo de Tarso Venceslau

       Fiquei chocado com a notícia sobre o uso de soda cáustica em leite longa vida, pela Copervale – Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande. Quem poderia imaginar que um produto tão nobre pudesse ser tão desvirtuado por empresários gananciosos?
       A ficha caiu no almoço na casa de meu amigo de longa data Márcio Barbosa Moassab. De repente, passei a ver como se fosse um filme e a relacionar essa reportagem com a história mais recente do Partido dos Trabalhadores.
       No jornal Folha de São Paulo, por exemplo, percebi que bastava mudar algumas palavras do noticiário para se deparar com o diagnóstico do partido que se encontra entronizado no governo federal. O eleitor deve ficar atento nas mudanças de comportamento, no discurso e no cheiro que tomou conta de todas as atividades desse partido, por exemplo, o jornal noticiou que “o consumidor deve ficar atento a mudanças na textura, no sabor e no odor do leite”. Mais adiante, podemos observar que essa recomendação é do Ministério Público, da Polícia Federal e de todos os órgãos policiais ainda não contaminados que substituiria a notícia de que se trata de “recomendação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e da GVA (Gerência de Vigilância em Alimentos) da Secretaria da Saúde de Minas Gerais”.
       Em seguida, as autoridades que conseguem se manter independentes do Poder Central recomendam que visualmente o eleitor só poderá constatar a existência ilícitos penais na imprensa livre e não naquelas que vivem de benesses oficiais como dinheiro fácil dos cofres da viúva, conforme comprovam auditorias e investigações que culminaram, por exemplo, com a prisão de aloprados, mas que não conseguem explicar a origem dos recursos apreendidos na ocasião pela Polícia Federal em Mato Grosso e São Paulo. No jornal você lerá que “Cláudia Parma, gerente da GVA, diz que, visualmente, o consumidor só poderá constatar a existência de soro no leite, e não a presença de substâncias químicas, como água oxigenada e soda cáustica, encontradas em amostras colhidas pela Polícia Federal em duas cooperativas de leite em Minas Gerais”.
Segundo a autoridade policial, com desvios de recursos públicos cada vez maiores, o fundo partidário fica mais eficiente e menos visível dos bisbilhoteiros da imprensa que não dão sossego para uma atividade que causa prejuízo ao Estado burguês mas não ao simples eleitor. Lá no jornal dos Frias, você lerá que, “segundo Parma, com maior quantidade de soro, o leite fica mais fluido e menos opaco. E que a presença de maior quantidade de soro no leite representa um risco nutricional, e não um dano à saúde”.




       Porém, para completar, os comissários partidários avisam que lançar-se com muita sede ao pote pode causar graves problemas políticos caso a polícia descobrir e a imprensa divulgar tudo. Se isso acontecer, alguns terão de ser sacrificados e terão de passar algum tempo na pensão dos amigos e parentes do doutor Getúlio, onde a comida não é das melhores. Como a Folha é discretíssima, ela apenas noticiou que “a ingestão de hidróxido de sódio e da água oxigenada em concentrações altas pode causar danos à saúde do consumidor, sobretudo ao sistema gastrointestinal”.
Depois dessa, juro que só vou tomar leite pasteurizado da Comevap e torcer para esse jornal sobreviva ao tempo que resta para Peixoto e seus aliados palacianos.