Recursos
para Educação?

Os fundos e recursos para a Educação só existirão no papel, segundo professor Marmo, caso o governo federal mantenha a mesma política de transferir verbas destinadas à educação para pagar juros da dívida brasileira

      O Brasil nos últimos 30 anos democratizou o acesso ao ensino fundamental. Hoje, 97% das crianças entre 7 e 14 anos estão na escola. Mas esse avanço não foi acompanhado pela melhoria da qualidade do ensino.
      Em Língua Portuguesa e Matemática, nem 10% dos estudantes atingem o desempenho adequado ao seu nível de escolaridade. No ensino médio, faltam vagas: de cada 100 pessoas, apenas 31 terminam a 8ªsérie e avançam no ensino médio.
      Na educação infantil, das 22 milhões de crianças do País com até seis anos, mais de nove milhões não freqüentam instituições de ensino. Para piorar a situação, a distribuição de valores salariais, pagos aos docentes, é altamente diferenciada regionalmente.
      De acordo com uma reportagem assinada por Daniela Tófoli da Folha de São Paulo, 15 de outubro, “os professores em início de carreira da rede estadual paulista recebem salário 39% menor do que os do Acre. Enquanto um docente com formação superior e piso inicial de São Paulo ganha R$ 8,05 por hora, o colega acreano recebe R$ 13,16. Se levado em conta que o custo de vida lá é menor, a diferença aumenta para 60%. O ranking dos salários do país mostra que o Acre lidera a lista dos Estados que pagam melhor seus professores em início de carreira, seguido por Roraima, Tocantins, Alagoas e Mato Grosso. São Paulo vem em oitavo lugar, apesar de ter o maior orçamento do país. Pernambuco tem o pior salário”.

      Provavelmente, essa mesma distribuição de valores salariais pode ser aplicada para o caso da rede particular de ensino. Realmente, segundo coleta de dados do Censo do Professor feita em 1997, a diferença salarial entre os professores que atuam na rede pública estadual e na rede particular é pequena.
A implantação do Fundeb (Fundo da Educação Básica) deveria possibilitar uma distribuição mais justa dos recursos da educação, promovendo a redução das desigualdades regionais, melhorando a formação e os salários dos professores, a infra-estrutura das escolas, e abrindo mais vagas para crianças e jovens nas salas de aula. Diferentemente do Fundef, que destina recursos somente ao ensino fundamental, o Fundo da Educação Básica deverá investir na educação infantil, no ensino médio e na educação de jovens e adultos.
      Mas de 2000 a 2005, a DRU (Desvinculação de Receitas da União) já tirou, pelo menos, mais de R$ 100 bilhões da área social (Educação, Saúde, Seguridade Social) para pagar juros ao “mercado”. Por exemplo, DRU permitiu ao governo federal sonegar R$ 102 bilhões da seguridade para entrega-la ao pagamento de juros. Só em 2005, a sonegação somou R$ 32 bilhões.
      A política social tem financiado o pagamento de juros nos últimos anos. A continuar assim, os fundos e recursos para a Educação só existirão no papel.