Câmara Municipal
CEI divide vereadores

As obras feitas por funcionários, máquinas, viaturas e material da prefeitura na calçada em frente a residência do diretor do DOP, Departamento de Obras Públicas, Gerson Araújo, prometem muito embate na Câmara Municipal: enquanto os paus mandados do Palácio Bom Conselho tentam esconder a sujeira e evitar a criação de uma CEI – Comissão Especial de Inquérito – a oposição se fortalece diante das evidências e poderá arregimentar os votos necessários para aprova-la na sessão de terça-feira, 23

Por Paulo de Tarso Venceslau

 

        Os búzios estão lançados. Tal qual Brasília, os inquilinos do Palácio Bom Conselho usam de todos os expedientes para arregimentar votos necessários para impedir que seja investigado o uso indevido de homens, máquinas e material da prefeitura para reconstruir a calçada da residência do diretor do DOP, engenheiro Gerson Araújo, danificada por uma empreiteira contratada pela Sabesp para a construção de um coletor tronco na avenida Vereador Rafael Braga.
        Manobras protelatórias, tal qual aconteceu recentemente no episódio que envolveu o senador Renan Calheiros (PMDB), têm conseguido postergar a decisão a respeito da criação ou não da CEI para investigar o episódio que foi comprovado com ampla reportagem fotográfica das máquinas, funcionários e caminhões carregados de pedra e areia.
        Além disso, Araújo teve o espaço necessário para dar sua versão. Qualquer leitor médio, que não é o caso dos nossos leitores que estão bem acima da média, poderá comprovar que a versão do diretor do DOP não desmente uma linha sequer da reportagem assinada por Marcos Limão. O problema, para Araújo, foi a manchete que poderia “dar uma conotação de dinheiro público”.
        Na mesma ocasião, o diretor do DOP reafirma seu acordo (verbal?) com a Sabesp que seria controlado por um fiscal “por cada setor” que fecharia a conta no fim de cada mês. Tudo isso e muito mais foi registrado, gravado e mereceu elogios por parte do entrevistado.

Questões óbvias

        Qualquer administrador público tem a obrigação de saber que não existe acordo na esfera pública sem a devida documentação formal, por escrito. Isso se chama princípio da oficialidade. Ele faz parte do bom emprego de princípios jurídicos para que possa ser observado o significado, a importância, os objetivos e as decorrências de ordem prática de cada um dos princípios do processo administrativo. É aí que se insere o chamado Princípio da Legalidade.


        A administração pública é uma atividade que se desenvolve debaixo da lei, na forma da lei, nos limites da lei e para atingir os fins assinalados pela lei. Por isso, é sempre necessária a previsão legislativa como condição de validade de uma atuação administrativa. Está totalmente superado o entendimento segundo o qual a discricionariedade que a lei confere ao agente legitima qualquer conduta e impede o exame pelo Poder judiciário.
        Por isso mesmo, o princípio da legalidade não pode ser entendido como um simples cumprimento formal das disposições legais. Ele não se coaduna com a mera aparência de legalidade, mas, ao contrário, requer uma atenção especial para com o espírito da lei e para com as circunstâncias do caso concreto. Consequentemente, não existem acordos verbais ou sem a devida comprovação de sua existência legal.
Nesse caso, o engenheiro Gerson é réu confesso.

Câmara dividida

        Muita água ainda vai rolar até a decisão final sobre a CEI. A favor de sua instalação podem ser computados 6 votos: Os tucanos Ângelo Filippini, Orestes Vanone, Wilson Vieira, Maria da Graça (PSB), Maria Gorete (PMN) e Jeferson Campos (PV).
        No time do Palácio Bom Conselho estão Ary Filho (PTB), Chico Saada (PMDB), Carlos Peixoto (PMDB), Rodson Lima (PP) e Henrique Nunes (PV).
        Em cima do muro, quase caindo no quintal do Palácio Bom Conselho estão Pollyana Whinter (PPS) e Luizinho da Farmácia (PR).
        A grande incógnita é a vereadora Tereza Paolicchi, que poderá ser a fiel da balança. A proximidade do ano eleitoral poderá influir na posição dos indecisos que perfeita consciência do preço que uma decisão como essa poderá ter no eleitorado.
        Na terça-feira, 23, a TV Câmara poderá registrar uma decisão histórica da Câmara ou apenas mais um pedido de pizza a la Brasília.