Sempre
tive certo fascínio pelo que se passa no Universo. Por
isso, quando vejo um programa televisivo sobre o assunto, mesmo
que repetido, não consigo tirar os olhos da telinha. Mas,
essa semana, fiquei, mais uma vez, inquieto. O programa falava,
nem mais nem menos, do fim da nossa tão querida galáxia,
com o conseqüente desaparecimento do planeta que habitamos.
Não é que o
assunto me tivesse surpreendido, já que o fim do mundo
é uma idéia natural desde a mais remota antiguidade.
Para milhões de pessoas, fatos dramáticos da vida
cotidiana indicam uma tragédia terrível –
o fim do mundo.
Em particular para um amigo
meu, fã da informática, não é diferente.
Depois da leitura de uma notícia, senta-se diante do computador
e registra detalhadamente, em e-mails, os sinais diários
de que o mundo vai acabar.
Católico carismático,
esse meu amigo usa a internet para avisar que os atentados de
11 de setembro foram o início do fim, adverte que os livros
de Harry Potter induzem ao satanismo e registra mensagens de Nossa
Senhora sobre o Armagedon, recebidas, segundo ele, por diversos
videntes.
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A
morte do papa João Paulo II, foi o prenuncio do que o fim
virá num prazo curto. O que me deixa consternado, com tal
idéia, é que ela significa o fim da humanidade, de
toda a sua História, de toda a sua obra. Boa ou má.
Fico pensando que num triste
dia vão desaparecer para sempre, varridas de toda a espécie
de memória, todas as obras do gênio humano, nas artes,
nas letras, na ciência, na tecnologia. Por mais sublimes que
elas sejam.
O Homem é o ser mais
evoluído e inteligente na face da Terra, e essa inteligência
talvez seja o produto de uma série infindável de coincidências
e adaptações ocorridas em milhões e milhões
de anos segundo os evolucionistas. Penso que, de algum modo, somos
obra do acaso. Basta pensar que cada um de nós só
existe porque, por coincidência, os nossos pais um dia se
conheceram. E quem diz pais, diz avós, e por aí fora.
Porém, o fim de tudo
é difícil de aceitar e parece não ter sentido.
Afinal, tanta arte, tanto engenho, tanto esforço, tanto sofrimento,
para quê?
Mas será obrigatório
que tudo faça sentido?
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