Idéias
Apocalípticas

Perto do fim do mundo/
Quem quer correr não pode/
Onde há fumaça, há fogo/
Quando a verdade explode/
Muitos não querem ver/
Mentes em eclipse/
Mas tudo está escrito/
No Apocalipse
Olho os jornais e estremeço
Todo final tem seu começo.
(Roberto Carlos)

      Sempre tive certo fascínio pelo que se passa no Universo. Por isso, quando vejo um programa televisivo sobre o assunto, mesmo que repetido, não consigo tirar os olhos da telinha. Mas, essa semana, fiquei, mais uma vez, inquieto. O programa falava, nem mais nem menos, do fim da nossa tão querida galáxia, com o conseqüente desaparecimento do planeta que habitamos.
      Não é que o assunto me tivesse surpreendido, já que o fim do mundo é uma idéia natural desde a mais remota antiguidade. Para milhões de pessoas, fatos dramáticos da vida cotidiana indicam uma tragédia terrível – o fim do mundo.
      Em particular para um amigo meu, fã da informática, não é diferente. Depois da leitura de uma notícia, senta-se diante do computador e registra detalhadamente, em e-mails, os sinais diários de que o mundo vai acabar.
      Católico carismático, esse meu amigo usa a internet para avisar que os atentados de 11 de setembro foram o início do fim, adverte que os livros de Harry Potter induzem ao satanismo e registra mensagens de Nossa Senhora sobre o Armagedon, recebidas, segundo ele, por diversos videntes.

      A morte do papa João Paulo II, foi o prenuncio do que o fim virá num prazo curto. O que me deixa consternado, com tal idéia, é que ela significa o fim da humanidade, de toda a sua História, de toda a sua obra. Boa ou má.
      Fico pensando que num triste dia vão desaparecer para sempre, varridas de toda a espécie de memória, todas as obras do gênio humano, nas artes, nas letras, na ciência, na tecnologia. Por mais sublimes que elas sejam.
      O Homem é o ser mais evoluído e inteligente na face da Terra, e essa inteligência talvez seja o produto de uma série infindável de coincidências e adaptações ocorridas em milhões e milhões de anos segundo os evolucionistas. Penso que, de algum modo, somos obra do acaso. Basta pensar que cada um de nós só existe porque, por coincidência, os nossos pais um dia se conheceram. E quem diz pais, diz avós, e por aí fora.
      Porém, o fim de tudo é difícil de aceitar e parece não ter sentido. Afinal, tanta arte, tanto engenho, tanto esforço, tanto sofrimento, para quê?
      Mas será obrigatório que tudo faça sentido?